Posse, contra-ataques e mais: As dúvidas táticas da final entre Espanha e Argentina
Decisão da Copa do Mundo terá embate de estilos que gostam da bola, mas atacam de formas diferentes
A final da Copa do Mundo de 2026 traz um embate tático muito interessante. Tanto Espanha como Argentina apostam em um estilo de jogo ofensivo, pautado principalmente em reter a posse de bola e avançar a partir da troca de passes. A diferença fica para a forma como esses times fazem isso.
A seleção espanhola, da escola do Jogo de Posição, busca levar a bola até os jogadores que ocupam determinados setores. No lado sul-americano, a ideia é mais aproximar os jogadores para progredirem junto da posse no campo.
Espanha x Argentina: Redação da Trivela escolhe campeão da Copa do Mundo 2026
Só esses aspectos já trazem importantes dúvidas de como será o jogo no campo estratégico dos técnicos Luis de la Fuente e Lionel Scaloni. A Trivela lista algumas das questões importantes nessa área a ficar de olho.
Quem terá mais a bola na final da Copa do Mundo
“Em um momento em que o futebol está indo para um lado mais físico, é importante que cheguem à final duas seleções que joguem um bom futebol“. Foi assim que Alexis Mac Allister, titular no meio-campo argentino, definiu a decisão do Mundial em entrevista à “Telefe”.
O meia do Liverpool está certo: são dois times que gostam da bola, sabem como tratá-la e quase sempre estão a dominando.
A Espanha tem média de 63.7% de posse de bola na Copa do Mundo e teve mais a bola em 13 dos 14 tempos que disputou (Cabo Verde, Arábia Saudita, Uruguai, Áustria, Portugal, Bélgica e França), exceto no segundo contra a seleção francesa, mas com pequena margem (53% a 47%), influenciado pelo contexto da vantagem de 2 a 0.
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A Argentina é parecida: média de 60.9%. A diferença, porém, é que teve uma campanha de menos controle em alguns momentos pelo desempenho irregular no mata-mata. Viu o adversário ter a bola em quatro tempos diferentes: o segundo tempo contra a Argélia (que também teve mais a posse no jogo todo) e a Áustria, o primeiro da prorrogação com Cabo Verde e o primeiro frente à Suíça.
A tendência, por conta da filosofia espanhola se impor muitas vezes e a Argentina se adaptar melhor ao contexto dos jogos, é que a bola fique mais com os europeus.
Nesse contexto, será possível ver os pontas Alex Baena e Lamine Yamal bem abertos, os laterais alternando atacar por dentro ou por fora, Rodri à frente dos zagueiros, Fabián Ruiz em uma zona mais avançada no meio à esquerda, Dani Olmo flutuando pela direita e Mikel Oyarzabal flutuando como falso nove.
Isso, porém, pode mudar a depender do placar. Se a Espanha abrir o marcador muito cedo, quem sabe a Albiceleste tente, no mínimo, igualar o domínio territorial.
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Como a Argentina vai tentar anular a posse da Espanha
Ver a Espanha com a bola leva à questão de como a Argentina atuará em um bloco mais baixo. Não é um time acostumado a ficar assim por muito tempo, pois o melhor do seu jogo, seja para atacar ou se defender, é ficar com a posse, rodá-la entre seus meio-campistas e procurar Lionel Messi.
A equipe de Scaloni pode optar por um jogo mais físico, com muitas entradas quase no limite do ilegal, como visto no primeiro tempo com a Inglaterra, o que foi uma forma de tentar igualar o jogo físico adversário.
É algo com que seus jogadores se adaptam pelo perfil brigador e dedicado de todos. Esse aspecto de um possível jogo brigado e provocativo, inclusive, virou tema no elenco da seleção espanhola antes da partida.
Albiceleste vai defender com dois meias ou três na final da Copa do Mundo
A forma como a seleção argentina se postará sem a bola também é uma incógnita. Em praticamente todo o torneio, nos momentos defensivos, a equipe se defendeu em um 4-4-2 com Messi e Julián Álvarez “sobrando” na frente e Rodrigo De Paul e Mac Allister recompondo pelos lados.
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Nos primeiros minutos frente aos ingleses, porém, foi diferente. Messi se firmou como um falso nove e Álvarez passou a recompor pelo lado esquerdo, formando um 4-1-4-1 com Giuliano Simeone, na vaga de De Paul, fechando o outro corredor.
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Essas estruturas levantam questões de como tentarão anular o jogo espanhol. Messi não exerce pressões no adversário que tem a bola com frequência, o que garantirá um perigoso espaço para os zagueiros Aymeric Laporte e Pau Cubarsí, melhor defensor com a bola na Copa, para construírem o jogo e buscarem passes para avançar no campo.
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Se for um 4-4-2, isso pode ser amenizado com Álvarez pressionando pelo menos Cubarsí e o camisa 10 tentando fechar linhas de passe de Laporte para Rodri. No entanto, por só ter Enzo Fernández e Leandro Paredes por dentro, pode ter uma inferioridade numérica por dentro que pode ser decisiva. Olmo, meia mais avançado da Espanha, brilhou se movimentando nas costas dos volantes da França, setor onde também pode aparecer Oyarzabal.
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Espanha x Argentina: Alguém vai tentar acelerar?
O lado que tiver mais a posse de bola claramente corre mais riscos de ficar exposto para contra-ataques, mas nenhum dos lados tem essa característica. Até o jogo com a Inglaterra, a Argentina nem usava pontas, mudando isso com a entrada de Simeone. A Espanha conta com Baena como o jogador que abre o campo pela esquerda, mas ele é um meia associativo e de bola no pé, não no espaço.
Caso qualquer um tente acelerar, isso ficaria para Yamal, do lado espanhol, o ponta direita, e para Simeone, do mesmo setor, da Argentina. A dúvida é se o argentino jogará, pois, mesmo tendo uma importante função no jogo com a Inglaterra, viu De Paul também entrar muito bem na partida.
Buscar o contra-ataque, porém, também pode significar devolver a bola rápido para o adversário, que passará mais um longo tempo com a posse até perdê-la novamente. É algo a se considerar, em especial com a Argentina, que precisa tentar segurá-la para acionar Messi e acalmar os espanhóis.
Quem vai parar Lamine Yamal?
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Mesmo que não venha fazendo um grande Mundial, Yamal é sempre alguém a se observar de campo. Poucos metros de espaço se transformam em um latifúndio ao habilidoso e rápido ponta, vice-líder em dribles na competição (22) e quarto em duelos ganhos no chão (38), segundo dados do “SofaScore”. Ele capaz de criar chances ou finalizar quase na mesma qualidade.
O lado esquerdo da defesa argentina tem sido um problema. Por lá, saíram gols da Inglaterra e de Cabo Verde. É o setor em que a recomposição fica por conta de Mac Allister — ou Álvarez, se a formação sem bola for 4-1-4-1 –, a lateral é ocupada por Nicolas Tagliafico (que falhou no gol inglês), antes pelo zagueiro Facundo Medina, e o zagueiro Lisandro Martínez faz a cobertura.
Terá uma estratégia especial para Messi?
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Há um craque diferenciado de um lado, há do outro também. Lionel Messi faz a melhor Copa da carreira aos 39 anos, com oito gols e quatro assistências. Longe do físico ideal, o “ET” tem buscado zonas menos congestionadas no campo, afinal, não consegue mais driblar três ou quatro adversários da mesma forma que antes.
Então, por vezes, ele tem surgido como um “ponta” direita, mas sem ir à linha de fundo, apenas fugindo do congestionado setor central e “carimbando” bolas. Dali, iniciou a jogada do gol que marcou sobre o Egito e também distribuiu mais três assistências.
A Inglaterra não quis ninguém marcando-o individualmente. Resta saber se a Espanha tentará alguma tática especial para parar o maior jogador do século. A bola rola neste domingo (19), a partir das 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. A Argentina busca o quarto título mundial; a Espanha, o segundo.