Copa do Mundo

Arábia Saudita elogia o Catar e quer replicar a experiência sem álcool na Copa 2034

Catar é elogiado por como lidou com a questão do álcool na Copa do Mundo 2022 e a Arábia Saudita quer repetir a restrição para 2034 – e a Fifa que se vire

A Copa do Mundo de 2022 foi a primeira disputada no Oriente Médio, com o Catar como sede do torneio. Isso fez com que a Arábia Saudita crescesse ainda mais seus olhos sobre as possibilidades que sediar um evento como esse traz e colocou em andamento o projeto para levar o principal torneio do mundo para lá. Os sauditas falaram sobre o orgulho da região sediar uma Copa e fez elogios à forma como o país manteve restrições ao consumo de álcool.

“Como vocês têm orgulho no Reino Unido quando sediaram as Olimpíadas, como ficamos orgulhosos ao vencermos a Argentina na Copa do Mundo. E o Catar… Estamos orgulhosos do que outros países fizeram ao entregar uma excelente Copa do Mundo”, afirmou Bader Alkadi na Conferência de Líderes do Esporte em Londres. “Definitivamente, queremos fazer isso em casa. E queremos garantir que iremos desenvolver o nosso país para sediar eventos como esse em um padrão alto”.

A venda de álcool nos estádios é sempre uma questão na Copa do Mundo. Em 2014, por exemplo, o Brasil flexibilizou a sua restrição à venda desse tipo de bebida e permitiu que fosse vendida durante a Copa do Mundo realizada por aqui. No Catar, porém, a história foi diferente e a forma como aconteceu foi o que mais irritou alguns patrocinadores.

O Catar proibiu a venda de bebidas alcóolica dentro do estádio, em uma decisão que foi tomada uma semana antes do início do torneio. O timing da decisão foi um dos motivos da crítica, especialmente porque a marca de Budweiser é uma das principais patrocinadoras da Fifa para a Copa do Mundo.

“Isso é algo que honestamente temos que aplaudir nossos colegas no Catar, por avançar e provar definitivamente que é uma possibilidade e é algo que gostaríamos de repetir”, disse Alkadi. Só que o vice-ministro do esporte não esclareceu um ponto: se será permitida a venda de bebidas dentro das fan zones e hotéis, como o Catar permitiu.

A Arábia Saudita é um país com leis muito mais restritas que o Catar, inclusive em relação ao álcool. Enquanto no Catar há muitas restrições, mas ainda é possível o consumo de álcool em lugares específicos, na Arábia Saudita o álcool é proibido em qualquer lugar. Ainda não se sabe se o país pretende flexibilizar ao menos esse ponto, já que está claro que a restrição que o Catar impôs será no mínimo repetida.

Resta saber como os patrocinadores da Fifa, atuais e futuros, irão lidar com essa questão. Afinal de contas, os patrocínios custam milhões de dólares para usar esses eventos para promover seus produtos e, com uma restrição anunciada tão antes, é bem possível que mude a forma como esses patrocinadores agem – ou até coloquem em questionamento se vale a pena patrocinar em um caso como esse.

Copa 2034: Arábia Saudita é a grande favorita a receber

É bom dizer que a Arábia Saudita não está definida como sede da Copa do Mundo de 2034, embora seja favorita disparada. Como a Copa do Mundo de 2030 será disputada incrivelmente em três continentes, sobraram só dois continentes para receber a Copa de 2034: AFC, da Ásia, e OFC, da Oceania.

A Austrália ainda pensa em sediar a Copa de 2034, depois do grande sucesso que foi sediar a Copa do Mundo Feminina em 2023. Só que os australianos precisam correr contra o tempo, porque a candidatura precisa ser apresentada até o dia 31 de outubro, o que dá um prazo limitadíssimo para colocar de pé uma candidatura atraente — ainda que o país estude uma candidatura desde 2019, ou seja, já há bastante trabalho feito.

Vencer uma disputa com a Arábia Saudita, porém, será um problema, especialmente porque a AFC, Confederação de Futebol da Ásia, já parece ter escolhido a candidatura saudita como a preferida. Sempre é bom lembrar que a Austrália atualmente está vinculada à AFC desde 2006. Ou seja, uma candidatura australiana dividiria a própria AFC. Porém, a Austrália pode buscar apoio fora do seu continente e, quem sabe, conseguir angariar apoio suficiente.

É, sem dúvida, uma missão bastante difícil dos australianos se quiserem partir para a luta com a Arábia Saudita, que é um país com recursos praticamente infinitos e que não precisa prestar contas a ninguém, já que politicamente é uma ditadura. A Austrália, ao contrário, precisa prestar contas à população a o custo de uma candidatura pode ser politicamente custosa para os governos do país.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e junte-se à nossa comunidade. Receba conteúdo exclusivo toda semana e concorra a prêmios incríveis!

Já somos mais de 4.800 apaixonados por futebol!

Ao se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

Sportswashing? Sauditas não se importam mais com o termo

A Arábia Saudita é questionada constantemente por causa do uso do esporte para fazer sportswashing, ou seja, tentar limpar a própria imagem, arranhada por graves violações de direitos humanos e um governo autoritário, com eventos esportivos que tragam uma percepção positiva.

No último mês, o príncipe saudita, Mohamed bin Salman (chamado por alguns de MBS, sigla de abreviação do seu nome) disse que não se importa com as alegações sobre sportswashing e continuará financiando o esporte, se isso aumentar o PIB do país. Alkadi reverberou esses comentários e disse que o vasto investimento em esporte melhorou a vida dos sauditas.

“Bom, isso seria uma pergunta difícil (sobre sportswashing) antes do príncipe responder. Não é mais difícil. Então, definitivamente o que quer que façamos no esporte, fazemos pelo nosso povo. E os números falam por si mesmos em termos de crescimento e participação em massa, em termos de foco em atletas de elite”, declarou Alkadi.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo