Copa do Mundo

Por que a Alemanha quer evitar discussões políticas em elenco na Copa do Mundo

Diretor esportivo da federação alemã, Rudi Völler, evita criticar Estados Unidos por polêmica recente

A frase “futebol e política não se misturam” quer ser levada a sério no ambiente da seleção alemã na Copa do Mundo de 2026. A gestão do selecionado quer afastar qualquer debate que possa envolver as polêmicas que o país-sede, os Estados Unidos, tem causado, em especial sobre a recusa em receber o melhor árbitro do continente africano, o somali Omar Abdulkadir Artan.

Ficou clara a posição da Federação Alemã de Futebol (DFB) pela declaração do diretor esportivo Rudi Völler em entrevista coletiva nesta terça-feira (9). “Não foi agradável ler isso [sobre o árbitro]. Mas eu não conheço exatamente os motivos pelos quais ele não foi autorizado a entrar no país“.

— Por isso, não posso julgar a situação. Não tenho medo de responder perguntas políticas. Mas, naturalmente, também somos as pessoas erradas para responder a isso — completou.

“Nós nos concentramos no futebol”, disse em outro momento. O posicionamento alemão tem a ver com uma polêmica que envolveu o elenco na última Copa do Mundo, no Catar.

Alemanha teve embate com a Fifa na última Copa do Mundo

Protesto da seleção alemã na Copa do Mundo de 2022
Protesto da seleção alemã na Copa do Mundo de 2022 (Foto: IMAGO / MIS)

Uma braçadeira de capitão foi uma das polêmicas políticas do último Mundial. Sete seleções europeias que usariam a faixa “One Love”, que representa a diversidade e a tolerância de raça, origens, gênero e orientação sexual, foram proibidas pela Fifa, que ameaçou cartões amarelos caso fosse utilizada.

A Alemanha era uma delas e se opôs à medida. Antes da partida com o Japão,os jogadores alemães pousaram para a foto oficial com as mãos na boca como protesto pela censura da entidade máxima do futebol. O Catar, anfitrião daquela Copa, criminaliza pessoas LGBTQIA+.

Depois dessa polêmica, a federação e os jogadores da Nationalelf foram mudando o discurso. Joshua Kimmich, quando assumiu a braçadeira de capitão da seleção em 2024, disse que o posicionamento atrapalhou o desempenho do time em território asiático, onde foi eliminado na fase de grupos.

— Em geral, nós, jogadores, devemos defender valores específicos, especialmente como capitão da equipe nacional. Mas não é nossa função nos expressarmos politicamente o tempo todo — disse em entrevista coletiva à época.

Ele afastou que jogadores de futebol devam se posicionar sobre temas políticos. “Eu não sou especialista em política”, cravou.

— Veja a questão do Catar. Não apresentamos uma boa imagem geral como equipe e país. Expressamos opiniões políticas e isso tirou um pouco da alegria do torneio. Foi uma Copa do Mundo excepcional em termos de organização — completou, em outra resposta.

À revista “Sports Illustrated”, poucos antes da Copa, Kimmich novamente bateu na tecla de ser um especialista e como, apesar de ter uma opinião pessoal, não deve expressá-la sendo um jogador de futebol, ainda mais o capitão de uma seleção quatro vezes campeã do mundo.

— A solução não é não ter opinião. Cada um de nós inevitavelmente possui uma posição pessoal sobre determinados temas, e eu também tenho valores que defendo. Ao mesmo tempo, é difícil expressar essa opinião no papel de jogador de futebol ou de capitão da seleção nacional. Porque ter uma opinião não faz de ninguém um especialista.

Para ele, se posicionar não vai mudar essa realidade. “A expectativa de que nós, jogadores, possamos resolver esses problemas ou mudar algo nisso é uma expectativa equivocada”, completou.

A seleção alemã está no grupo E da Copa do Mundo de 2026 e estreia no próximo domingo (14), contra Curaçao.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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