Concacaf

Foi com uma agonia tremenda, mas o México se confirmou na próxima Copa América

EUA, Jamaica, México e Panamá estarão na Copa América, bem como no Final Four da Liga das Nações da Concacaf; Canadá e Costa Rica ainda têm chances na repescagem

A Liga das Nações da Concacaf de 2023/24 também serve como classificatória para a Copa América de 2024. Nesta Data Fifa, aconteceram as quartas de final. Os vencedores não apenas se garantiriam no Final Four da Nations, como também confirmariam presença na Copa América. E alguns duelos foram emocionantes. O México suou demais para despachar Honduras. Depois da derrota por 2 a 0 na ida, El Tri dependeu de um gol no último minuto da volta no Azteca para devolver os 2 a 0 e avançar só nos pênaltis. A Jamaica, por sua vez, superou o Canadá de virada. Perdeu por 2 a 1 em Kingston, deu o troco com os 3 a 2 em Toronto e avançou nos gols fora. Já o Panamá tinha até uma pontinha de favoritismo contra a Costa Rica, mas o que não se esperava eram os 6 a 1 no agregado, com 3 a 0 fora e 3 a 1 em casa. Por fim, os Estados Unidos, anfitriões da Copa América e bicampeões da Nations, seguem em frente após o duelo com Trinidad & Tobago.

Apesar do dessabor, os quatro eliminados ainda têm chances de se classificarem à Copa América. Haverá uma repescagem na Data Fifa de março. Ocorrerão dois confrontos diretos em partidas de ida e volta, em que apenas os vencedores se confirmarão no torneio. O Canadá mede forças com Trinidad & Tobago, enquanto Honduras terá que desbancar a Costa Rica.

Honduras x México

O México vem numa fase preocupante, para dizer o mínimo, e precisou superar todos os riscos para bater Honduras. O pesadelo já começou em Tegucigalpa. Diante de sua torcida, os Catrachos ganharam por 2 a 0 de El Tri. Um problema sério para os mexicanos aconteceu logo de início, quando Memo Ochoa se lesionou e deu lugar a Luis Malagón no gol. Os hondurenhos se aproveitaram para anotar o primeiro aos 30. Luis Palma deu um lançamento sublime e Anthony Lozano se infiltrou na área, com um toquinho por cobertura na saída de Malagón. O estrago poderia ter sido maior antes do intervalo, com milagre de Malagón e outra bola salva em cima da linha pela zaga. Honduras era bem mais contundente. E, na segunda etapa, o novo gol pintou aos 27. Jorge Álvarez fez uma jogadaça na linha de fundo e deu o passe adocicado para Bryan Róchez girar na área, antes de definir nas redes.

Já nesta terça-feira, o México precisou de muita perseverança para devolver os 2 a 0 sobre Honduras no Estádio Azteca e passar com os 4 a 2 nos pênaltis. Foi um primeiro tempo de pressão dos mexicanos, com direito a bola na trave logo de cara, mas o gol saiu apenas aos 43, numa cobrança de falta de Luis Chávez que entrou no cantinho. Durante o segundo tempo, El Tri perdia um caminhão de gols. Era impressionante como o time perdoava diante da meta de Endrick Menjivar, que também fazia boas defesas. Do outro lado, se os Catrachos pouco chegavam, o goleiro Luis Malagón também operou um milagre contra Anthony Lozano. O tempo se arrastava e a blitz mexicana esbarrava na zaga hondurenha. O gol só saiu aos 56 do segundo tempo, quando os dez minutos de acréscimos tinham estourado – o que gerou óbvias reclamações de Honduras. Numa bola alçada, Edson Álvarez emendou o chute certeiro nas redes. Graças a isso, os anfitriões tinham uma sobrevida.

Durante a prorrogação, o México seguiu muito superior, mas sem conseguir definir a parada. Honduras ainda precisou se segurar com um jogador a menos no final, com a expulsão de Denil Maldonado. A classificação se decidiu nos pênaltis. E os mexicanos foram mais competentes na marca da cal, com o triunfo por 4 a 2. Santiago Giménez, Johan Vásquez, Orbelín Pineda e César Huerta converteram. Pelos Catrachos, Bryan Róchez parou no goleiro Malagón e Andy Najar desperdiçou o último tiro. Frustração por aquilo que ficou tão perto para o time de Reinaldo Rueda.

Jamaica x Canadá

A Jamaica conseguiu uma grande reviravolta para se classificar. Até porque a situação do Canadá parecia tranquila depois da vitória por 2 a 1 na ida, em Kingston. Os jamaicanos até acertaram a trave no primeiro tempo, mas os canadenses saíram em vantagem nos acréscimos. Cyle Larin se livrou de dois e entregou o presente para Jonathan David só cutucar. O empate dos Reggae Boyz pintou no início do segundo tempo, numa cobrança de falta rápida que Shamar Nicholson aproveitou o cochilo para avançar sozinho e fuzilar. No entanto, os Canucks ainda buscaram o triunfo a cinco minutos do fim, num chute de primeira de Stephen Eustáquio.

Uma partida ainda mais intensa aconteceu em Toronto, com a vitória da Jamaica por 3 a 2 e a classificação pelos gols fora. A situação até parecia sossegada ao Canadá, que forçava as defesas milagrosas do goleiro André Blake e abriu o placar aos 25, com Alphonso Davies contando com a sorte para superar o arqueiro adversário. A reação dos Reggae Boyz seria relâmpago, com a estrela de Shamar Nicholson. Uma roubada de bola de Damion Lowe permitiu o primeiro de Nicholson aos 18 do segundo tempo e um contra-ataque já desencadeou o segundo do atacante aos 21. Os Canucks voltaram à parada com o empate aos 24, num cruzamento de Davies para o desvio de Ismael Koné. A comemoração só não durou, porque a Jamaica ganhou um pênalti aos 33, convertido por Bobby Decordova-Reid. Demarai Gray ainda foi expulso e deixou seu time com dez homens, mas os jamaicanos seguraram o abafa.

Panamá x Costa Rica

Esperava-se que o Panamá pudesse se impor contra a Costa Rica. Os panamenhos se deram melhor nos dois confrontos anteriores no ano e também vinham de um vice-campeonato na Copa Ouro. Porém, o que se viu foi uma surra, com os 6 a 1 no agregado. O baile se iniciou em San José, com a Maré Vermelha anotando 3 a 0 na casa dos vizinhos. Seria uma noite de golaços. Começou cedo, aos quatro minutos, numa cobrança de falta que Michael Murillo mandou na gaveta. José Fajardo ampliou num contra-ataque, em que arrancou no campo de ataque e soltou uma pancada cruzada. No segundo tempo, Adalberto Carrasquilla assinou uma jogadaça e deu o passe macio para Cecilio Waterman fechar a contagem.

O Panamá não estava satisfeito e concluiu a classificação contra a Costa Rica com outra vitória, agora diante de sua torcida, com o placar de 3 a 1. O show se concentrou no primeiro tempo, com os três gols anotados antes do intervalo. José Fajardo mais uma vez balançou as redes, num rebote. Depois, seria a vez de José Luis Rodríguez tirar o coelho da cartola, com um chutaço cruzado que venceu o goleiro Kevin Chamorro – Keylor Navas está lesionado. Já o terceiro pintou num pênalti convertido por Yoel Bárcenas. Os Ticos descontaram somente no segundo tempo, numa cabeçada de Francisco Calvo. Tarde demais.

Estados Unidos x Trinidad & Tobago

Os Estados Unidos encaminharam a classificação contra Trinidad & Tobago logo na partida de ida. Demorou para o US Team abrir o placar em Austin, mas a equipe conseguiu aplicar um confortável 3 a 0. Os trinitinos tiveram Noah Powder expulso ainda no primeiro tempo e viam o goleiro Denzil Smith acumular milagres, mas não resistiram à pressão americana. Os gols vieram todos depois dos 37 do segundo tempo e aconteceram num intervalo de sete minutos. Ricardo Pepi assinalou o primeiro num desvio no primeiro pau, Antonee Robinson ampliou num chutaço de longe e Giovanni Reyna fechou a contagem, após já ter dado assistência no primeiro.

Na volta, era natural que os Estados Unidos tirassem o pé em Port of Spain. Contudo, tomaram um susto até desnecessário com a virada de Trinidad & Tobago por 2 a 1. Antonee Robinson abriu o placar aos 25 minutos. O problema maior veio com a expulsão tola de Sergiño Dest aos 39, com dois amarelos seguidos – por chutar a bola longe e depois por xingar o árbitro. Reon Moore empatou antes do intervalo, num chute forte. Já o segundo foi anotado por Alvin Jones, numa cobrança de falta potente que o goleiro Matt Turner aceitou. Os trinitinos ainda criaram outras oportunidades, mas sem ir além na contagem.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
Botão Voltar ao topo