Copa Ouro
Tendência

Uma lista com 15 destaques individuais da Copa Ouro, que começa neste final de semana

A Copa Ouro é a principal competição da Concacaf, mas não contará com as maiores estrelas de Estados Unidos e Canadá

A Copa Ouro inicia neste sábado uma edição particularmente esvaziada. Numa temporada de calendário extenso por causa da Copa do Mundo, as principais seleções da Concacaf não estão necessariamente com seus times mais fortes para o torneio continental. Os Estados Unidos priorizaram a Liga das Nações e foram campeões, mas não chamaram suas estrelas para a Copa Ouro. Da mesma maneira, o Canadá deu férias para os destaques em atividade na Europa. A exceção é o México, com sua nata mais pela pressão do momento do que por outro motivo, embora a fase atual não transmita confiança. Assim, o torneio pode ser uma porta escancarada às surpresas.

Há boas seleções com chances de aproveitar a brecha. Centro-americanos tradicionais estão no páreo, como Costa Rica e Panamá, mesmo sem as melhores gerações. Outro time interessante é a Jamaica, cheia de jogadores de destaque na Premier League. É cada vez mais comum que as equipes da Concacaf convoquem descendentes de imigrantes que nasceram em outros países e atuam em ligas mais fortes que as suas. Assim, há uma ascensão de antigos coadjuvantes, em especial nações do Caribe. O Haiti é mais um candidato a fazer barulho, por esse processo crescente. Tal abertura, por exemplo, permitiu o fortalecimento até de um país pequenino como São Cristóvão e Neves – que, com 47 mil habitantes, fará sua estreia no torneio continental.

Abaixo, trazemos 15 destaques individuais da Copa Ouro, um por seleção da Concacaf. A ideia é apresentar um pouco mais os talentos disponíveis no torneio e também o momento dos times. Vale lembrar que o Catar participará de mais uma edição da competição, como convidado – por opção, não foi incluído neste guia. A Copa Ouro terá transmissão dos canais ESPN e do Star+.

(Icon Sport)

Jesús Ferreira (Estados Unidos)

Os Estados Unidos não contarão com sua melhor equipe na Copa Ouro. O US Team concentrou seus talentos na Liga das Nações e deu um descanso aos campeões agora, na competição mais longa. O único titular na final da Nations mantido para a Copa Ouro é o goleiro Matt Turner. Assim, o novo torneio servirá mais como um laboratório e também para que outros jogadores recobrem seu moral. Um destes é o centroavante Jesús Ferreira. Filho do ex-meia colombiano David Ferreira, o jovem de 22 anos foi reserva na Copa do Mundo e até entrou no segundo tempo das oitavas de final contra a Holanda. Tentará mostrar serviço, à medida que Folarin Balogun ganha a preferência na escalação principal. O jogador nascido na Colômbia faz boa temporada na MLS, com dez gols pelo FC Dallas, do qual é inclusive capitão. Vale ressaltar que, apesar das ausências, não é um time americano com tantos garotos. Jogadores rodados como DeAndre Yedlin e Jordan Morris estão presentes no elenco dirigido pelo interino BJ Callaghan.

(Icon Sport)

Ethan Pinnock (Jamaica)

A Jamaica se fortaleceu bastante nos últimos meses, a partir da convocação de descendentes de jamaicanos, sobretudo daqueles que nasceram na Inglaterra. O elenco possui uma série de atletas com experiência na Premier League. O ataque está bem servido com Michail Antonio, Bobby Decordova-Reid, Leon Bailey e o estreante Demarai Gray. Porém, se falta um pouco mais de equilíbrio, a defesa conta com Ethan Pinnock. O zagueiro de 30 anos passou por Forest Green Rovers e Barnsley, antes de chegar ao Brentford na Championship. Virou um dos pilares no acesso e também nas boas campanhas na Premier League. Nascido em Londres, passou a defender os Reggae Boyz em 2021. Vale ficar de olho também no lateral Amari'i Bell, em alta no Luton após o acesso, além do rodado zagueiro Adrian Mariappa, atualmente no Salford City. O goleiro André Blake está entre os melhores da MLS. Já o comando é de Heimir Hallgrímsson, que levou a Islândia para a Copa de 2018.

(Icon Sport)

Levi García (Trinidad e Tobago)

A grande estrela de Trinidad e Tobago na atualidade, com certas sobras, é o atacante Levi García. O ponta possui grande rodagem pela Europa, mesmo com apenas 25 anos. Sua lista de clubes inclui AZ, Excelsior, Ironi Kiryat Shmona e Beitar Jerusalém. Já seu auge acontece na Grécia, há três temporadas no AEK Atenas. O trinitino foi um dos destaques do time na campanha do título no Campeonato Grego, com 14 gols e seis assistências na liga. Também brilhou na conquista da Copa da Grécia, decisivo nas semifinais contra o Olympiacos. Chega cheio de moral num time sem tantos nomes em alto nível na Europa. O camisa 10 Kevin Molino é outra figura de relevo na seleção, enquanto o zagueiro Aubrey David chama atenção por disputar a Libertadores com o Aucas.

Julani Archibald (São Cristóvão e Neves)

São Cristóvão e Neves foi a grande sensação do qualificatório da Copa Ouro, ao eliminar os favoritos Curaçao e Guiana Francesa rumo à sua estreia na competição continental. E o milagre não teria acontecido sem o goleiro Julani Archibald. O capitão de 32 anos brilhou em ambos os confrontos, com defesas decisivas no tempo normal e também nos pênaltis. Possui uma carreira rodada: já defendeu equipes de Trinidad e Tobago, Honduras e Malta, atualmente no Lorca Deportiva, da quinta divisão espanhola. Soma 51 partidas pela seleção. O recordista em jogos pelo país está no torneio, o zagueiro Gerard Williams. Outro nome que se sobressai é o do meio-campista Romaine Sawyers, que já defendeu o West Brom na Premier League e atualmente joga a Championship com o Cardiff City.

(Icon Sport)

Santiago Giménez (México)

Diferentemente dos principais concorrentes, o México vai com força máxima para a Copa Ouro. É uma necessidade num momento de pressão, depois da Copa do Mundo ruim e do desastre na Liga das Nações, que culminou na demissão do técnico Diego Cocca. Jaime Lozano dirigirá interinamente El Tri. E o candidato a nova estrela é Santiago Giménez. Revelado pelo Cruz Azul, o centroavante foi excelente em sua primeira temporada no Feyenoord, com 15 gols e o título da Eredivisie. Grande ausência no Mundial de 2022, ainda tem números tímidos pela seleção: são apenas dois gols em dez partidas, sem marcar há mais de um ano. Se os mexicanos precisarem, Guillermo Ochoa continuará fazendo seus milagres no gol, sobretudo após a boa temporada na Salernitana. Outros nomes interessantes são César Montes, Luis Chávez e Orbelín Pineda. Já mais uma estrela é Edson Álvarez, valorizado na cabeça de área do Ajax.

Duckens Nazon (Haiti)

O Haiti chegou às semifinais da Copa Ouro em 2019 e possui um dos elencos mais interessantes desta edição. São vários jogadores com experiência em bom nível. Um ótimo exemplo é o atacante Duckens Nazon, que encabeça a legião de convocados que são descendentes de haitianos e nasceram em outro país. O parisiense de 29 anos passou por clubes menores de França, Índia, Inglaterra, Bélgica e Escócia, chegando a assinar com o Wolverhampton sem entrar em campo. Seu auge aconteceu na última temporada, com 18 gols pelo CSKA Sofia, vice-artilheiro do Campeonato Búlgaro e vice-campeão. Pela seleção, Nazon é o segundo maior artilheiro da história e arrebentou naquela fantástica Copa Ouro há quatro anos. Outro para se prestar atenção é o centroavante Frantzdy Pierrot, decisivo para levar o Maccabi Haifa à fase de grupos da Champions na atual temporada e depois campeão israelense. O lateral Carlen Arcus é titular do Vitesse. Já o volante Steeven Saba foi herói do Violette na epopeia da Concachampions.

Jerry Bengtson (Honduras)

Honduras sofreu uma queda vertiginosa nos últimos anos e passa longe de apresentar a qualidade dos tempos em que disputou duas Copas do Mundo consecutivas. O principal remanescente do período é o atacante Jerry Bengtson, que disputou o Mundial de 2014 e permanece na ativa, aos 36 anos. O veterano possui uma trajetória que inclui clubes de Estados Unidos, Grécia, Argentina, Irã e Costa Rica. Já nos últimos cinco anos, ele se concentrou a se firmar como lenda do Olimpia no Campeonato Hondurenho. Os 22 gols em 65 partidas pela seleção, porém, não impressionam. O único dos Catrachos atualmente nas grandes ligas europeias é o atacante Alberth Elis, que não fez muito pelo Brest. O goleiro Luis López, outro de ampla rodagem, também desponta com destaque.

Francisco Calvo, da Costa Rica (Joe Allison/Getty Images)

Francisco Calvo (Costa Rica)

A Costa Rica não contará com Keylor Navas na Copa Ouro. Sem o goleiro as chances dos Ticos se reduzem substancialmente. Não é uma equipe tão forte quanto em outros tempos, com destaques pontuais. O zagueiro Francisco Calvo é a principal liderança da defesa atualmente. O beque de 30 anos não esteve na Copa de 2014, mas virou figura onipresente no time depois disso. Teve grande atuação especialmente na vitória sobre o Japão durante o Mundial do Catar. É uma exceção no elenco atual dos costarriquenhos entre aqueles com algum destaque na Europa: está entre os principais defensores do Campeonato Turco, com a camisa do Konyaspor. No mais, as figurinhas carimbadas da Costa Rica se reduzem. O interminável Celso Borges continua no meio-campo, enquanto Joel Campbell é absoluto no ataque. Aos 30 anos, Campbell até foi campeão da Concachampions entrando no segundo tempo dos jogos do León, mas resolveu voltar ao país e defenderá a Alajuelense a partir do segundo semestre. O meia Aarón Suárez, de 20 anos, desponta na Alajuelense e é aposta para o futuro.

Alex Roldán (El Salvador)

A seleção de El Salvador possui uma grande bandeira na MLS. Aos 26 anos, Alex Roldán está entre os destaques do Seattle Sounders nos últimos anos. O lateral foi campeão da MLS Cup e da Concachampions, assim como ganhou até convocação ao All-Star Game. Chamado desde 2021 para a seleção, usa a braçadeira de capitão. O curioso é que seu irmão mais velho, Cristian, também jogará a Copa Ouro. Porém, o meio-campista dos Sounders optou pelos Estados Unidos, onde nasceram os irmãos, e tenta seu terceiro título no torneio continental. Por falar em família, o ataque salvadorenho é dominado pelos Gil. Os irmãos Brayan, Mayer e Cristian são opções no setor. O detalhe é que todos eles são colombianos e ganharam a cidadania salvadorenha através de seu pai, Cristian Gil, que atuou por 13 anos no Campeonato Salvadorenho. Brayan, de 21 anos, é quem mais chama atenção: chegou a ser emprestado ao Gent e atualmente defende o Tolima. O técnico de El Salvador é Hugo Pérez, salvadorenho de nascimento, mas que defendeu os EUA na Copa de 1994.

(Icon Sport)

Michael Murillo (Panamá)

Quando o Panamá disputou a Copa do Mundo de 2018, estava mais do que claro como a classificação inédita marcava o prêmio final a uma geração, e não o início de uma história mais longa. Vários dos veteranos que foram à Rússia já se aposentaram. Quem ascendeu na hierarquia foi o lateral Michael Murillo, então uma promessa no Mundial. O defensor atuava pelo New York Red Bulls e está há quatro temporadas no Anderlecht, com ótimos números. Bastante ofensivo, esteve entre os destaques na relevante campanha dos belgas na Conference League. Um dos trunfos da Maré Vermelha é o trânsito de seus jogadores pela América do Sul. Luís Mejía (Unión Española), Ismael Díaz (Universidad Católica de Quito), Alberto Quintero (Cienciano) e Cecilio Waterman (Cobreloa) são nomes consolidados no continente, com destaque à fase do último no Campeonato Chileno.

Daniel Hérelle (Martinica)

A seleção da Martinica possui vários jogadores com carreira na Europa, sobretudo nas divisões de acesso do Campeonato Francês – país onde vários deles nasceram. Um bom exemplo é o meio-campista Cyril Mandouki, nascido em Paris e capitão do Paris FC na Ligue 2. Outro jogador que pode fazer a diferença é Brighton Labeau, autor de 19 gols na segundona suíça e herói no acesso do Lausanne-Sport. Contudo, é preciso respeitar a história de Daniel Hérelle. Mesmo nascido em Nice, o meio-campista voltou ao Caribe e fez sua carreira inteira em clubes do Campeonato Martinicano. O capitão soma 88 partidas pela equipe nacional, recordista com sobras. Esteve presente nas quatro últimas participações dos Matinino na Copa Ouro, desde 2013. Aos 34 anos, veste a camisa do Samaritaine na liga local.

(Icon Sport)

Kamal Miller (Canadá)

O Canadá levou apenas parte de seus principais destaques à Copa Ouro. Alphonso Davies, Jonathan David, Tajon Buchanan e Cyle Larin puxam a fila daqueles que descansarão, enquanto o capitão Atiba Hutchinson se aposentou dos Canucks. A liderança se concentrará em figuras como Stephen Eustáquio, Steven Vitória, Milan Borjan, Jonathan Osorio e Junior Hoilett. Não será a equipe mais confiável, sobretudo pela ausências na linha de frente. Em compensação, o técnico John Herdman ainda poderá apostar em Kamal Miller na zaga. O beque de 26 anos se consolida cada vez mais entre os destaques da MLS, embora não indique um passo além rumo à Europa. Fez boa Copa do Mundo e será central na Copa Ouro. Durante os próximos meses, o zagueiro deve ganhar mais visibilidade no Inter Miami, clube para o qual se transferiu nesta temporada: será companheiro de Lionel Messi. 

(Icon Sport)

Nathaniel Mendez-Laing (Guatemala)

A Guatemala é mais uma seleção a explorar os filhos da diáspora do país. Um grande exemplo disso é o ponta Nathaniel Mendez-Laing, que fará sua estreia pela seleção na Copa Ouro, mesmo aos 31 anos. O atacante nasceu na Inglaterra, filho de mãe do Belize com ascendentes guatemaltecos. Graças a isso, chegou à seleção, por mais que tenha defendido os Three Lions na base. Sua trajetória inclui uma infinidade de clubes no Campeonato Inglês, ligado mais fortemente ao Peterborough, mas com passagem pelo Cardiff na Premier League. Defendeu o Derby County na última temporada. São poucos os jogadores da Bicolor atuando fora do país, a maioria nos Estados Unidos. Outra exceção na Europa é o goleiro Nicholas Hagen, que disputa o Campeonato Norueguês pelo HamKam. Ainda há o zagueiro Gerardo Gordillo, presente na Série B do Brasileirão com o Juventude.

Luis Paradela (Cuba)

A maioria do elenco de Cuba atua fora do país. Há alguns gatos pingados na Europa, entre a Finlândia e Gibraltar. Por sua vez, o zagueiro Romario Torrez, de apenas 18 anos, assinou recentemente com o Nacional do Uruguai. No entanto, a maior parte dos cubanos convocados faz parte de equipes da América Central ou dos Estados Unidos. Ninguém com a estatura de Luis Paradela no futebol costarriquenho. O atacante atuou em times de Guatemala, EUA e El Salvador, antes de defender o Santos de Guápiles. Desde 2022, passou a vestir a camisa do Saprissa e se tornou um dos principais jogadores do clube. Chegou a ser eleito o melhor estrangeiro em atividade na Costa Rica e teve papel decisivo no título recente da liga nacional. Vale mencionar ainda Cavafe, zagueiro com passagem pela base do Atlético de Madrid que atua na segundona austríaca, e o capitão Aricheel Hernández, jogador do guatemalteco Deportivo Mixco.

(Icon Sport)

Andreaw Gravillon (Guadalupe)

Guadalupe é outra seleção que, ao contar com muitos descendentes que nasceram na Europa, possui jogadores espalhados por diferentes ligas do continente. Nenhum deles, porém, se encontra com a vitrine do zagueiro Andreaw Gravillon. O defensor nasceu na ilha e depois se mudou para a França, mas seguiu depois à Itália por causa do futebol. Defendeu a base da Internazionale e depois rodou por clubes como Benevento, Pescara, Sassuolo e Ascoli. Também ganhou chances na França por Lorient e Stade de Reims, o que chamou atenção do Torino. Passou o último semestre com os grenás na Serie A. Aos 25 anos, o beque estreou por Guadalupe apenas em 2021. Já no ataque, a lista daqueles que acumulam seus sucessos na Europa inclui Matthias Phaëtton (Grenoble), Thierry Ambrose (Oostende) e Geoffray Durbant (Laval). O técnico é Jocelyn Angloma, vencedor da Champions com o Olympique de Marseille e também marcante pelo Valencia, que defendeu a França em duas Eurocopas e disputou uma Copa Ouro por Guadalupe – algo permitido por não ser uma seleção filiada à Fifa.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
Botão Voltar ao topo