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Após quatro meses e uma derrota (bem pesada), Diego Cocca é demitido pelo México

O clima ficou tão ruim após a eliminação para os EUA que a Federação Mexicana optou por uma abrupta ruptura

O clima ficou tão ruim no México após a eliminação para os Estados Unidos na última quinta-feira, pela semifinal da Liga das Nações da Concacaf, que o presidente da Federação Mexicana, Juan Carlos Rodríguez, decidiu encerrar o trabalho do treinador argentino Diego Cocca, depois de apenas quatro meses, sete jogos e uma derrota. A abrupta ruptura em tão pouco tempo representa mais um abalo ao projeto esportivo da El Tri – que não está brilhando faz tempo.

Cocca foi contratado em fevereiro, após uma passagem relâmpago pelo Tigres. Havia chegado em novembro de 2022 e comandou apenas cinco rodadas do Campeonato Mexicano antes de pedir a rescisão. As suas credenciais eram o título argentino pelo Racing, em 2014, e um bicampeonato pelo Atlas na Liga MX. Ganhou apenas três vezes: de Suriname, da Guatemala, e do Panamá, no último domingo, pela disputa do terceiro lugar da Liga das Nações da Concacaf.

Se os resultados não foram ótimos, e o desempenho, muito menos, ainda é uma demissão precoce, principalmente dentro do cronograma mais lento do futebol de seleções. Mas a derrota para os Estados Unidos deixou uma péssima impressão. Cocca foi criticado por uma postura excessivamente defensiva. A facilidade com que os americanos construíram o placar de 3 a 0 deixou bem clara a distância que existe neste momento entre as duas principais potências da confederação, e a sensação é de que até o Canadá está atualmente à frente dos mexicanos.

E o ambiente já não estava show. Antes da partida, havia dito que sabia que tinha “mais gente querendo que fosse embora do que ficasse”. Depois, o site TUDN publicou que alguns jogadores estavam ameaçando abandonar a seleção antes da Copa Ouro – que, aliás, começa no próximo fim de semana – porque estavam insatisfeitos com a gestão da equipe, incluindo a logística da viagem a Las Vegas porque tanto o estádio quanto o centro de treinamentos eram distantes do hotel onde a delegação se hospedou para a fase final da Liga das Nações.

Juan Carlos Rodríguez disse que não quer nem pensar que houve jogadores que quiseram “abandonar o barco” antes da Copa Ouro, mas admitiu os problemas logísticos e também que, em outras situações, deveria dar mais tempo para o trabalho de Cocca florescer. “Durante a última semana, houve muitas deficiências em planejamento, logística, funcionamento e falta de liderança em muitos níveis. Podemos perder o jogo contra os Estados Unidos. Sempre existe esse risco, a vitória vai de um lado para o outro. O que não podemos aceitar é a forma como aconteceu: renunciou-se à vitória desde o primeiro momento, com decisões de logística que dividiram o grupo”, afirmou, em um vídeo publicado pelo Twitter.

“Não se perdeu apenas o jogo, mas também a capacidade de reação. Liderança dentro e fora de campo, controle emocional, e o sentindo de vestir, com profissionalismo, uma camiseta que, pelo menos desta vez, não representou ninguém. Esta etapa foi viciada pela desordem na tomada de decisões, pela falta de processos, rigor e transparência nas indicações e por uma tempestade perfeita e por hábitos ruins que estamos arrastando há tantos anos. O natural seria esperar o fim da Copa Ouro, mas não temos mais tempo a perder. A falta de processo e o clima não ajudaram (a comissão técnica) e é impossível conceder o tempo que em outras circunstâncias seria prudente”, acrescentou.

Além de Diego Cocca, o diretor executivo dos times nacionais, Rodrigo Ares de Praga, contratado em janeiro, também foi demitido. Jaime Lozano, medalha de bronze nas Olimpíadas de Tóquio, será o treinador interino durante a Copa Ouro. Juan Carlos Rodríguez foi eleito presidente da Federação Mexicana há poucas semanas, no final de maio, depois do seu antecessor, Yon de Luisa decidir não concorrer à reeleição porque tanto a demissão de Cocca quanto esse mais recente fracasso do México não podem ser analisados em um vácuo.

O negócio está ruim faz tempo. O México perdeu as finais da Copa Ouro e da primeira Liga das Nações para os Estados Unidos em 2021. Chegou a correr certo risco de não se classificar à Copa do Mundo do Catar e, embora tenha terminado as Eliminatórias da Concacaf em segundo lugar, o rendimento não convenceu ninguém. A campanha no Mundial foi abaixo da crítica.

Em um grupo teoricamente acessível, a equipe de Tata Martino ficou em terceiro lugar, após partidas fracas contra Polônia e principalmente Argentina, quando não fez mais do que apenas se defender. A única vitória, contra a Arábia Saudita na última rodada foi insuficiente para estender a sequência de sete classificações às oitavas de final e marcou o fim da passagem de Martino pela seleção mexicana.

Em paralelo, houve problemas em praticamente todos os lugares. O time feminino não conseguiu vaga para a Copa do Mundo da Austrália e da Nova Zelândia. O sub-20 masculino ficou fora do Mundial da categoria pela primeira vez desde 2009 e não haverá seleção mexicana na Olimpíada de Paris em nenhum dos dois torneios. Ano passado, houve uma leva de demissões, com as saídas do diretor esportivo geral Gerard Torrado, do diretor-esportivo das seleções, Ignacio Hierro, do treinador do sub-20, Luis Pérez, e da técnica das mulheres, Monica Vergara.

Então não foi uma surpresa enorme quando De Luisa anunciou que estava de saída. Ele havia apoiado a contratação de Cocca, uma decisão que, segundo o El País, dividiu o comitê formado por donos de clubes da Liga MX. Outros preferiam Marcelo Bielsa ou Guillermo Almada. Ex-executivo da Televisa e da Univision, Carlos Rodríguez não tinha compromisso com a escolha da gestão anterior e, diante de resultado horrível e um clima muito ruim, preferiu começar um novo projeto. Pela segunda vez em menos de seis meses.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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