Brasil

Vasco lança coleção de camisas em homenagem ao centenário da Resposta Histórica

Em parceria com a marca Chico Rei, o Vasco fez uma merecida homenagem aos cem anos da Resposta Histórica, que será comemorado no próximo domingo

O Vasco segue valorizando a sua bonita história de luta por causas sociais. Nesta terça-feira (2), o clube associativo lançou, em parceria com a Chico Rei, uma série de camisas em comemoração aos cem anos da Resposta Histórica, data que será celebrada no próximo domingo (7) e que é um dos principais marcos da inclusão de negros, operários e analfabetos no futebol do Rio de Janeiro.

As quatro estampas lançadas pelo Vasco com a Chico Rei fazem referência aos cem anos da luta do Vasco por esta inclusão. Uma das camisas tem as inscrições “100 anos Antirracista” e “O Vasco é a caneta da história”. Outra camisa tem a frase “O Vasco é do tamanho da sua história”.

Outra camisa tem a imagem de Claudionor Corrêa, mais conhecido como Bolão, um dos principais nomes do time dos “Camisas Negras”, que foi campeão do Campeonato Carioca em 1923 e 1924. Após atuar pelo Vasco, Bolão virou dirigente, Benemérito e Grande Benemérito do clube.

Duas dessas estampas foram criadas pelo “Studio da Colina”, famoso estúdio de tatuagem que fica em frente ao Estádio de São Januário e é especializado em artes com referências ao Vasco.

– É muito marcante ter contribuído com o desenvolvimento dessa ação nessa data que não é só importante para o Vasco da Gama, mas é uma das datas mais importantes do futebol brasileiro – disse Raul Magalhães, do Studio da Colina.

Parte da renda vai para museu do Vasco

As camisas lançadas pelo Vasco com a Chico Rei já estão à venda no site da marca por R$ 84,90 cada uma. É a primeira vez que a empresa, conhecida por fazer camisas com artistas como Zeca Pagodinho, Milton Nascimento e Elza Soares, faz uma parceria com um clube de futebol.

Um percentual não divulgado da venda de cada camisa será destinado ao Vasco, que irá usar o dinheiro no museu do clube.

– Tudo o que for arrecadado pela Vasco será convertido em melhorias para o Centro de Memória, que ainda nesta semana irá lançar o maior acervo digital do mundo entre equipes esportivas – disse Raphael Pulga, vice-presidente de História e Responsabilidade Social do clube.

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O que foi a Resposta Histórica do Vasco?

Em 1922, o Vasco foi campeão da Série B da Primeira Divisão, garantindo o acesso para Primeira Divisão da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT). No entanto, o time do Cruz-Maltino era formado por negros e operários. Assim, os clubes já tradicionais na época e da elite carioca, como Flamengo, Fluminense, Botafogo e America, tentaram barrar a entrada do Vasco na liga – e não conseguiram. Com este time formado por negros e operários, que ficou conhecido como “Camisas Negras”, o Vasco foi campeão do Carioca de 1923 com 14 vitórias, um empate e apenas uma derrota.

Em meio as disputas entre amadorismo e profissionalismo, os clubes da elite carioca fundaram a Associação Metropolitana dos Esportes Athleticos (AMEA). Mesmo sendo o atual campeão, o Vasco foi excluído da AMEA em um primeiro momento. Depois, a organização convidou o Cruz-Maltino, mas impôs uma exigência que excluiria 12 jogadores do clube por estarem “em desacordo com os padrões morais necessários para a prática do futebol”.

O Vasco recusou o convite e, em ofício assinado pelo então presidente José Augusto Prestes, disse que não abandonaria os seus jogadores. O documento foi assinado em 7 de abril de 1924 e ficou conhecido como “Resposta Histórica”.

Dessa forma, o Vasco permaneceu na Liga Metropolitana, com clubes de menor expressão naquele período do século passado. Naquele ano, o Vasco foi conquistou novamente o Carioca – dessa vez, de forma invicta, com 14 vitórias em 14 jogos. Com o Vasco ficando cada vez mais popular e lotando seus jogos, em 1925 a AMEA aceitou a entrada do clube de negros e operários. Para além dos interesses econômicos e esportivos, o posicionamento do Vasco na época, em apoio aos jogadores negros, foi essencial para mudar a estrutura do futebol carioca.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

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