Brasileirão Série A

Vasco faz linda homenagem ao centenário dos Camisas Negras com novo terceiro uniforme

Nova terceira camisa do Vasco faz alusão ao primeiro título carioca do clube, conquistado pelo histórico time dos 'Camisas Negras'

O Vasco mais uma vez honrou a sua história. Neste sábado (16), o clube lançou a sua terceira camisa para a temporada 2022/23 e fez uma bela homenagem ao centenário dos “Camisas Negras”. O uniforme, que será utilizado pela primeira vez no clássico contra o Fluminense, faz alusão ao time, composto por jogadores negros, pobre e operários, que conquistou o Campeonato Carioca de 1923 – o primeiro do Vasco e que foi importante para mudar história do futebol do Rio de Janeiro. E o lançamento contou com um vídeo digno da homenagem aos “Camisas Negras”.

A nova camisa do Vasco é inspirada no uniforme de 1923, na cor preta, com a cruz de Cristo vermelha e gola polo na cor branca, assim como era o uniforme dos “Camisas Negras”. Além disso, a camisa tem uma estrela em cima da cruz, alusiva ao título carioca, e a parte interna da gola traz o nome dos 11 jogadores campeões. Já as datas embaixo da cruz de Cristo remetem ao centenário dos Camisas Negras.

A camisa ainda tem a inscrição de frases da música “Camisas Negras”, que é cantada há anos pela torcida do Vasco nas arquibancadas de São Januário e onde mais o time jogar.

O Vasco fez questão de destacar que o processo de produção das fotos e do vídeo de lançamento passou por etapas em que foi “aprovado e debatido com um grupo de funcionários negros do Vasco”, incluindo “consultoria constante do Centro de Memória CRVG e do Professor Júnior, doutorando em história com o tema “Camisas Negras””. Os “modelos” do ensaio de lançamento da camisa fazem parte de uma família negra e vascaína: Walmir (pai), Manoela (filha) e Jaime (sobrinho).

Além da bela camisa, o vídeo de lançamento também chamou a atenção nas redes sociais. Com ilustrações artista Juan Calvet, o vídeo tem inspiração de afro-futurismo nos traços e ajuda a mostrar o orgulho vascaíno com os Camisas Negras, além de exaltar a histórica luta do Vasco contra o racismo e o preconceito.

A camisa entra em pré-venda na manhã do próximo domingo, às 11h (horário de Brasília), em todas as lojas da rede Gigantes da Colina.

A história dos ‘Camisas Negras’ do Vasco

Um ano antes da conquista do Campeonato Carioca, o Vasco foi campeão da Série B da Primeira Divisão, garantindo o acesso para Primeira Divisão da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT). No entanto, o time do Cruz-Maltino era formado por negros e operários. Assim, os clubes já tradicinais na época e da elite carioca, como Flamengo, Fluminense, Botafogo e America, tentaram barrar a entrada do Vasco na liga – e não conseguiram.

Com Nélson, Leitão e Mingote; Nicolino, Claudionor e Artur; Paschoal, Torterolli, Arlindo, Cecy e Negrito, e sob o comando do uruguaio uruguaio Ramón Platero, o Vasco foi campeão carioca em 1923 com 14 vitórias, um empate e apenas uma derrota (para o Flamengo, em um jogo com muitas reclamações sobre a arbitragem). O título veio no dia 12 de agosto, com uma vitória por 3 a 2 sobre o São Cristóvão.

Em meio as disputas entre amadorismo e profissionalismo, os clubes da elite carioca fundaram a Associação Metropolitana dos Esportes Athleticos (AMEA). Com o sucesso e apelo popular do Vasco, que lotava seus jogos, a AMEA retirou algumas das exigências, mas deixou a principal delas, que excluía 12 jogadores do Cruz-Maltino da competição.

Presidente do Vasco na época, José Augusto Prestes, recusou inicialmente essas exigências, e publicou, em 1924, o que ficou conhecido como a Resposta Histórica, exaltando as tradições do clube e os jogadores, e permaneceu na Liga Metropolitana, com clubes de menor expressão naquele período do século passado. Dessa forma, neste ano, o Vasco conquistou novamente o Carioca – dessa vez, de forma invicta, com 14 vitórias em 14 jogos. Com o Vasco ficando cada vez mais popular e lotando seus jogos, em 1925 a AMEA aceitou a entrada do clube de negros e operários. Para além dos interesses econômicos e esportivos, o posicionamento do Vasco na época, em apoio aos jogadores negros, foi essencial para mudar a estrutura do futebol carioca.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

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