Brasil

Seleção não sabe nem qual técnico terá, então de que adianta amistoso contra o México?

Em meio às indefinições e especulações sobre Carlo Ancelotti e Fernando Diniz, CBF confirma amistoso entre Brasil e México em junho de 2024

A CBF confirmou na terça-feira (19) o terceiro amistoso da Seleção Brasileira em 2024 antes da Copa América. Nos Estados Unidos, o Brasil enfrentará o México no dia 8 de junho, 16 dias antes da estreia no torneio de seleções da Conmebol. O horário e local exato da partida ainda não foram confirmados.

Além do México, a Seleção Brasileira tem dois compromissos marcados contra europeus em março do ano que vem. O primeiro amistoso de preparação para a Copa América será contra a Inglaterra, no Estádio de Wembley, no dia 23. Já o segundo será contra a Espanha, no Santiago Bernabéu, muito provavelmente no dia 26.

De acordo com o ge, o Brasil ainda poderá ter um quarto amistoso preparatório para o torneio continental. A CBF tem conversas encaminhadas com os Estados Unidos para a realização de um jogo na Data Fifa de junho, que acontecerá do dia 3 ao 11.

Vale lembrar que ainda não se sabe quem será o técnico do Brasil na Copa América de 2024. Treinador interino da Seleção, Fernando Diniz teoricamente ainda estará no cargo durante a realização da competição, já que seu contrato com a CBF é de um ano e começou a valer a partir de setembro. Por outro lado, o presidente Ednaldo Rodrigues, afastado do cargo há quase duas semanas pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, afirmou em julho que Carlo Ancelotti assumiria o comando durante o torneio.

Ancelotti, por sua vez, tem deixado seu futuro em aberto. Seu contrato com o Real Madrid é válido até o dia 30 de junho, quando a Seleção Brasileira já terá disputado as duas primeiras rodadas da fase de grupos da Copa América. No mês passado, o técnico italiano declarou que esperará uma proposta de renovação do clube merengue até o último dia do vigente vínculo.

O Brasil está no Grupo D da Copa América de 2024 e estreia no dia 24 de junho em Inglewood, na Califórnia, diante de Costa Rica ou Honduras. Depois, terá pela frente o Paraguai no dia 28, em Paradise, e a Colômbia no dia 2 de julho, em Santa Clara. As duas melhores seleções do grupo avançam para as quartas de final.

Caso esteja no comando, Diniz terá chance ideal para dar a volta por cima (ou se afundar de vez)

Por mais que nada esteja confirmado ainda, a tendência é que Fernando Diniz seja o treinador da Seleção Brasileira na Copa América. Afinal, seu acordo com a CBF termina quase dois meses depois do fim da competição, que começara enquanto Carlo Ancelotti ainda estará contratualmente vinculado ao Real Madrid.

Não é segredo para ninguém que os resultados do Brasil com Diniz até aqui foram decepcionantes. Depois da goleada sobre a Bolívia e a vitória nos acréscimos sobre o Peru nas duas primeiras rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026, a Seleção não venceu nenhum dos quatro jogos seguinte. Com o empate com a Venezuela, em Cuiabá, e as derrotas para Uruguai, Colômbia e Argentina — esta última no Maracanã — o país atualmente ocupa o sexto lugar na tabela de classificação.

Por outro lado, o treinador do Fluminense terá a sequência perfeita para dar a voltar por cima e chegar com moral para o torneio nos Estados Unidos. Afinal, Inglaterra e Espanha são adversárias de primeiro nível e de boas campanhas recentes em competições de seleções, enquanto o México disputou as últimas oito Copas do Mundo e é o atual campeão da Copa Ouro.

É verdade que a Inglaterra não vem de uma boa Nations League, tendo sido rebaixada para a Liga B na edição da temporada 2022/23 ao ficar em último em grupo com Itália, Hungria e Alemanha. Mesmo assim, a equipe comandada por Gareth Southgate terminou as Eliminatórias para Eurocopa de 2024 invicta e na liderança do Grupo C, além de não saber o que é perder desde a eliminação para a França nas quartas de final da Copa do Mundo do Catar.

A Espanha, por sua vez, foi precocemente eliminada por Marrocos nas oitavas de final do Mundial de 2022, mas venceu nove dos dez compromissos que teve desde a saída de Luis Enrique para a entrada do técnico Luis de La Fuente. Com o novo comandante, La Roja conquistou a última edição da Nations League, superando Itália e Croácia no mata-mata, e foi líder isolada do Grupo A das Eliminatórias para próxima Euro.

Por fim, o México venceu a Copa Ouro em julho e ainda mostrou sua competitividade no empate em 2 a 2 com a Alemanha em amistoso realizado na Data Fifa de outubro deste ano. É verdade que o time de Jaime Lozano ainda assim oscila, tendo eliminado Honduras nas quartas de final da Liga das Nações da Concacaf nos pênaltis e empatado com Austrália e Uzbequistão em setembro, mas será um teste contra uma seleção que disputará a Copa América e provavelmente irá ao mata-mata.

Com esta sequência, que ainda poderá ter também os Estados Unidos, Fernando Diniz terá a chance ideal de se distanciar da sombra de Carlo Ancelotti e ser o comandante na Copa América. O Brasil não enfrenta um europeu campeão mundial desde março de 2018, quando derrotou a Alemanha por 1 a 0 em amistoso. Vitórias contra Inglaterra e Espanha certamente diminuiriam as críticas ao atual trabalho do treinador brasileiro e ainda provariam que a equipe está no mesmo patamar das grandes potências, apesar da péssima campanha nas Eliminatórias. Ainda terá um desafio teoricamente mais tranquilo por último diante do México, que pode elevar ainda mais a moral. Por outro lado, três resultados ruins praticamente decretarão o fim de sua passagem pela Seleção Brasileira, independente do futuro do técnico do Real Madrid.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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