‘Eu queria ter ficado mais’: Joia abre o coração sobre saída do São Paulo
Em entrevista à Trivela, meia fala sobre adaptação à Europa, planos para o futuro e sonho de retornar ao clube do coração
Matheus Alves precisou de alguns poucos meses e exatos 17 jogos em solo russo para conquistar a todos no CSKA. O meia virou titular de sua equipe e inclusive já decidiu o clássico contra o Dínamo Moscou com gol e assistência.
Ou seja: a adaptação foi imediata e não há motivos para arrependimentos por ter deixado o São Paulo com apenas 15 partidas pelo time principal e com menos de seis meses de elenco profissional. Mesmo assim, o meia diz que gostaria de ter ficado mais tempo no Tricolor.
— Não é preferir uma coisa ou não. A gente está ali no clube em que a gente cresceu para ser transferido. É o sonho de todo o menino de ir para a Europa. Mas naquele momento, eu achei que ia ficar mais. Eu queria também ficar mais. Ia ser mais importante para mim também. Mas também se eu ficasse, poderia acontecer alguma coisa de eu não jogar mais, teve mudança de treinador. E agora estou jogando todos os jogos. Deu tudo certo e está indo muito bem — disse Matheus Alves, em entrevista exclusiva à Trivela.
O jovem de 20 anos defende o CSKA desde junho deste ano. À época, o clube russo pagou 6 milhões de euros (R$ 39 milhões à época) para tirá-lo do São Paulo.
Alves, aliás, seguiu o caminho de outros tantos garotos revelados pelo clube em 2025. Em severas dificuldades financeiras, o Tricolor adotou a política de negociar jogadores formados em Cotia antes mesmo de eles darem retorno em campo.
Assim como Alves, os atacantes Lucas Ferreira (Shakhtar Donetsk) e Henrique Carmo (CSKA) foram vendidos após terem somado pouquíssimos minutos em campo. O lateral Angelo, de 16 anos, por sua vez, foi negociado com o Strasbourg, da França, antes mesmo de estrear como profissional.
— Eu acho que na fase que o São Paulo estava e na nossa fase também, era o mais óbvio a fazer. Vender os meninos, com as dívidas e a crise que o São Paulo estava e ainda está passando. Não tinha como segurar muito a gente, porque estavam precisando do dinheiro imediato. E foi o que aconteceu. Proposta, estava precisando e tiveram que vender — analisa Alves.
Matheus Alves pretende voltar ao São Paulo
Matheus Alves já ambiciona novos passos na carreira em breve. Por mais que esteja focado em evoluir pelo CSKA, o meia não esconde o desejo de deixar o clube para ter uma chance em uma das principais ligas da Europa.
Mas o garoto também traça planos para um futuro mais distante. Alves pensa, sim, em voltar a vestir a camisa do São Paulo em um estágio mais avançado da carreira.
— Com certeza. O que o São Paulo fez por mim desde os 11 anos, não pude retribuir ao máximo ainda. Eu tive só seis meses (no profissional), então tenho muito a retribuir para o São Paulo. Então se um dia eu for voltar para o Brasil, a prioridade vai ser o São Paulo. Pretendo, sim, porque é meu clube do coração e sempre vai ser. Então eu pretendo voltar, sim — afirma Alves.

Confira mais trechos da entrevista com Matheus Alves:
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Adaptação ao futebol russo
As coisas aconteceram muito rápido na minha vida. Após o título da Copinha, subi para o profissional, consegui fazer bons jogos… A ida para lá foi inesperada, de última hora. Mas fiquei muito feliz quando fui para lá. E cheguei lá sendo muito importante para o time, tendo uma adaptação boa, os jogadores me acolheram muito bem. Isso foi muito importante. Foi muito difícil a adaptação, mas graças a Deus consegui fazer muito bem meu futebol lá.
(O russo) É uma língua completamente diferente, você não entende uma palavra. Mas lá tem todo o estafe, tradução. Me ajudou muito também. As pessoas são diferentes, são mais “chucras”, com os russos é mais difícil de lidar. Mas dentro do clube, são super legais, super receptivos. Acabou sendo mais fácil do que eu imaginava.
(Fazer gol no clássico) Ajuda, né? Você chega lá com outros olhos. Eu cheguei lá, estava prestes a começar o campeonato. Então não tive muito tempo de preparação. Cheguei, treinei e já fui para o jogo. O primeiro jogo que eu fiquei no banco, ganhei um título, da Supercopa. Mas consegui fazer bom entrosamento com meus companheiros e me dar bem em campo.
Principal diferença do futebol russo
Lá é muito contato. Aqui, o futebol é mais cadenciado, a qualidade prevalece mais aqui. Lá é mais força, velocidade. Toda a hora contra-ataque. É mais físico. Precisa se cuidar muito mais. Tem que estar bem fisicamente em todos os aspectos. É um jogo mais direto. Lá, demorou um pouco, os caras já chegam (batendo). E a arbitragem é diferente. A falta que dão aqui, não dão lá. O jogo segue mais. Tem que aprender e adaptar, porque as malandragens que a gente fazia aqui, não serve lá.
— Já (apanhei um pouco). No primeiro jogo, vieram três em uma bola que fui carregar, os três no meu joelho. Aí tem que soltar a bola mais rápido, né? (Risos) — Matheus Alves.
Sanções à Rússia não pesaram na escolha pelo CSKA?
Pesou um pouco (não poder jogar a Champions). Pesou um pouco nesse começo, mas eu levo mais para o lado de evolução do que pelo lado de “sucesso” na carreira. Eu fui mais pelo lado de jogar mais e ser protagonista em um clube. Isso vai me ajudar. Não que esse mercado seja muito bem-visto por enquanto, por não estar nas maiores competições europeias. Mas eu vejo mais como uma fase de evolução, para que faça bons jogos, cresça e chegue mais pronto nesse nível de Champions League.
Poucas chances a Endrick no Real Madrid influenciaram?
Então, cada pessoa tem os seus passos na carreira. Eu não acho que o Endrick deu um passo maior que ele. Eu acho que ele conseguiria jogar naquele time do Real Madrid. Eu não acompanho o dia a dia, mas acho que ele merecia mais minutagem. E acho que no Lyon ele vai ser o protagonista, que é o que ele precisa nesse momento.
Meta para 2026 é se transferir para uma liga maior na Europa?
— Eu nem procuro saber dessas coisas. Procuro focar em campo e deixo para meus empresários cuidarem disso, porque eles fazem muito bem. Acho que não vai demorar muito tempo, que é o que eu espero. Estou planejando para isso. Fazer meus jogos bem, melhorar cada vez mais, para quem sabe dar um passo maior na carreira.
(O foco é) Evoluir fisicamente, psicologicamente também, para dar outro passo vai ser muito rápido se acontecer em 2026. Mas se não acontecer, vou continuar evoluindo para que possa acontecer o mais próximo possível.

Esperava sair tão cedo do Brasil?
Não esperava. Tinha muitas especulações, mas eu achei que ia ser para o final do ano. Eu não esperava. ass quando chegou a notícia, também demorou um pouco para dar certo. Foi de última hora, mas fiquei muito feliz junto com a minha família.
Aprendizado com Lucas, Oscar, Luciano…
Com certeza. O Oscar sempre chegava em mim para dar instruções, ainda mais por ser da mesma posição> Sempre chegava para me dizer as coisas que eu tinha que fazer e não tinha que fazer. Foi muito importante. Mas o Luciano também me ajudou muito em questão de cabeça lá dentro. De comportamento dentro de campo. Ele é chato, chato, mas pelo lado bom. Ele me ajudou muito lá.
(Luciano) Ele é um profissional de altíssimo nível. Dentro de campo ele é outra pessoa. Fora, ele gosta da resenha mesmo. Ele foi um paizão.
Gratidão a Luis Zubeldía
(Zubeldía) é um cara de poucas palavras. Falava o que eu tinha que fazer e não tinha mais resenha. Ele fala: faz isso, porque se eu estou falando para fazer, é o mais certo. Foi o que me ajudou. Ele me deu as oportunidades que precisava. Me ajudou muito. Devo muito a ele.
Acompanha a crise no São Paulo?
Eu vejo algumas páginas quando passa. Não tem o que eu fazer. Só fico triste pelo que está acontecendo com o clube atualmente. Porque o São Paulo sempre vai estar no meu coração. Eu sempre torço para que esteja sempre no topo. Está passando por certas dificuldades agora. Mas vai passar o mais rápido possível, e vai voltar a ser o São Paulo que a gente conhece.



