Brasileirão Série B

‘Futebol não tem passado’: Hélio dos Anjos quer surpreender o Santos na estreia da Série B

Em entrevista exclusiva à Trivela, Hélio dos Anjos, técnico do Paysandu, fala sobre as dificuldades que tentará impor ao Santos na estreia da Série B

O processo mais importante para a reconstrução do Santos começa neste sábado (20). Às 16h30 (horário de Brasília), o Peixe recebe o Paysandu, na Vila Belmiro, com portões fechados à torcida por conta da punição aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), em confronto válido pela 1ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Após o vice-campeonato estadual, a equipe do técnico Fábio Carille parte para o principal objetivo da temporada: conquistar o retorno à elite do futebol nacional.

Na estreia, o Santos terá que superar o time do experiente técnico Hélio dos Anjos, de 66 anos, que, em entrevista exclusiva à Trivela, fala sobre as dificuldades que tentará impor ao Alvinegro visando estabilizar o Papão da Curuzu o mais rápido possível na briga pelo acesso.

Pés no chão, o treinador do clube paraense reconhece a força do Santos, mas promete não mudar as características da sua equipe para conquistar o resultado no estádio alvinegro, onde tem bom retrospecto. Ao todo, o treinador encarou o Santos 11 vezes na Vila Belmiro. Foram três vitórias, cinco empates e apenas três derrotas – aproveitamento de 42%.

Trivela: Como o Paysandu chega para esse jogo contra o Santos especificamente?
Hélio dos Anjos: Olha, nós chegamos muito bem para essa partida. Mas quero que as pessoas entendam que nada será decidido no jogo contra o Santos. Nem positivamente, tampouco negativamente. Estamos entrando em uma competição de regularidade. Após o jogo contra o Santos, teremos mais 37 partidas. Então, as pessoas não podem querer julgar Paysandu, Santos ou qualquer uma das equipes na primeira rodada. Sei que vão acontecer julgamentos mais duros por parte da imprensa paraense em relação ao Paysandu, mas estamos, acima de tudo, precavidos contra isso e sabendo que a competição segue após o duelo na Vila. Nós queremos, sim, iniciar com um grande resultado para já estabilizar a equipe no início do campeonato.

O Paysandu entra na competição com qual objetivo: subir imediatamente ou como vem da Série C o foco é a permanência na Série B?
Eu já frisei que o objetivo principal do Paysandu é alcançar os 45 pontos para evitar a queda para a Série C. Se possível, conquistar isso com bastante antecedência. Se não conseguirmos, temos que lutar ponto a ponto por essa meta. O nosso sonho é o mesmo sonho de todas as outras equipes. Mas a gente sabe que numa competição longa de regularidade, nós temos que estar preparados para tudo.

O título do Paraense e a vaga na final da Copa Verde são suficientes para credenciar o Paysandu para uma vitória na Vila Belmiro?
Nós não estamos indo para o jogo contra o Santos achando que por termos conquistado a vaga na final da Copa Verde e o título do Campeonato Paraense somos superiores ao Santos. Isso jamais. Mas o Santos certamente também tem uma preocupação muito grande com a gente. Os dados da nossa equipe estão aí. Todos têm conhecimento dos números da nossa equipe. E o Santos, pela responsabilidade que tem na competição, estuda a gente como estudamos o Santos.

Como o senhor viu o time do Santos neste início de 2024?
O time do Santos, em 2024, é superior, em termos de equipe, modelo de jogo e elenco, ao time do ano passado. Fez um Campeonato Paulista super estabilizado, chegando ao vice-campeonato com uma vitória nas partidas decisivas. O Santos montado pelo Carille é um time um pouco mais frio do que normalmente querem o Santos seja. E por isso mesmo está com a equipe equilibrada, com jogadores de Série A disputando momentaneamente a Série B.

Muita gente imagina que o Santos passará tranquilamente pela Série B. O senhor também tem essa visão?
Quem pensa assim é leigo em relação ao futebol ou acha que apenas a camisa será suficiente para ganhar campeonato. O Santos tem consciência, e tem exemplos no passado recente de que a coisa não é tão simples assim. Os profissionais que lá estão não pensam assim. Eles pensam numa disputa dura, porque todos os times que o Santos enfrentar estarão muito motivados. O Santos é o Santos. Tenho certeza que os jogadores do Santos também pensarão ponto a ponto, na regularidade para alcançar 45 pontos o mais rápido possível e depois no acesso. Assim é a vida na Série B.

Qual foi o jogo mais marcante da sua carreira como treinador na Vila Belmiro?
Dos três últimos jogos que fiz na Vila, meus times ganharam dois e perderam um. Sempre falo que futebol não tem passado. Mas conquistamos uma classificação na Copa do Brasil de 1999, com o Goiás, onde perdemos em casa de 2 a 1, e ganhamos na Vila, no duelo de volta, por 4 a 3. Realmente esse jogo foi muito marcante. Mas não vejo isso como referência para voltar à Vila e fazer um jogo 13 anos depois. Penso que o futebol é muito momento. Vamos respeitar o Santos e jogar de uma maneira que consideramos ser o nosso modelo para fazer o resultado.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna.
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