O que levou o Athletico-PR de candidato ao acesso à alerta para o rebaixamento na Série B
Clube fracassou no Estadual, trocou de treinador e está a quatro pontos da zona de rebaixamento
Apenas quatro pontos separam o Athletico Paranaense da zona do rebaixamento do Campeonato Brasileiro da Série B. A derrota por 1 a 0 para o Atlético-GO, no último domingo (08), pela 11ª rodada, acentuou ainda mais a crise que acompanha o Furacão desde o rebaixamento, sentenciado há seis meses.
Seis meses estes que ainda tiveram vexame no estadual e protestos por parte da torcida à diretoria, rebatidas pelo polêmico presidente Mario César Petraglia até mesmo com gestos obscenos.
Entre mudanças de técnicos e busca por recuperação na segunda divisão, em números na Série B, o Furacão soma quatro vitórias, dois empates e cinco derrotas em 11 jogos. Foram 14 gols marcados e 16 gols sofridos — muito aquém do necessário para se recuperar e brigar, ao menos, pelo G-4.
Para entender a situação do Athletico, separamos alguns pontos que explicam a primeira metade conturbada do Furacão.
2025 começou com dispensas no elenco do Athletico
O começo de temporada do Athletico-PR foi movimentada, com direito à dispensa de 60% do elenco — incluindo os veteranos Fernandinho, Nikão, Thiago Heleno e Pablo. Após o rebaixamento, somente 11 dos 27 jogadores foram reaproveitados e a varredura aconteceu em todos os setores.
Os reforços, contudo, ainda não demonstraram em campo futebol para se recuperar na competição.
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E veio o vexame no Estadual
O pesadelo que parecia ter sido sacramentado com o rebaixamento ganhou outro capítulo: a vexatória derrota para o Maringá (que disputa a Série C), por 3 a 0, trazendo consigo a eliminação nas semifinais do Campeonato Paranaense. Diga-se, sem qualquer imposição da equipe rubro-negra em campo.
Já criticado pela torcida, a relação entre o técnico Maurício Barbieri e a torcida azedou de vez. Àquela altura, Barbieri somava sete vitórias, seis empates e duas derrotas, e já não tinha mais o aval da torcida devido às atuações negativas em campo no início da temporada.

Era Barbieri foi uma decepção no Athletico
Escolhido para substituir Lucho González e encabeçar o início da trajetória para voltar ao Campeonato Brasileiro, Maurício Barbieri foi uma decepção absoluta no Rubro-Negro.
Não bastassem as atuações ruins em campo, a permanência de Barbieri após a eliminação estatual incomodou a torcida, especialmente no início da segunda divisão. A dispensa do técnico foi selada com a derrota por 4 a 1 para o Botafogo-SP na Ligga Arena, após uma atuação humilhante diante de um time que lutava contra o rebaixamento para a terceira divisão. Essa foi a maior derrota do Athletico na Arena desde o 4 a 0 sofrido contra o Operário, em 2021.
Na busca pelo substituto, o comando ficou com João Correia, técnico do time sub-20. Já pressionado por resultados negativos, o português e treinador mais jovem da história a assumir o Athletico, não conseguiu se firmar após três jogos, nos quais somou uma derrota, um empate e uma vitória.
Para substituir o português, Odair Hellmann chegou ao comando do Athletico. O treinador — que enfrentou a sua primeira derrota em três jogos contra o Atlético Goianiense — reforçou que acredita no poder de reação do atual elenco. Contudo, as atuações da equipe continuam longe de fazer a crença no acesso se tornar realidade.
As mudanças no comando técnico, no entanto, não conseguiram minimizar um dos principais problemas da equipe paranaense: a fragilidade defensiva, especialmente nas bolas paradas, responsáveis por 50% dos gols sofridos pela equipe na Série B.
Odair Hellmann percebeu o tamanho da dificuldade quando o próprio reforçou que seria necessário melhor, em resumo, os seguintes pontos: nossa performance defensiva, ofensiva e algumas situações táticas“.
Polêmicas da diretoria do Athletico também atrapalham
Não bastasse o momento negativo em campo, a crise também se apresentou fora das quatro linhas, com as polêmicas acumuladas por Petraglia em decorrência das desavenças com a torcida. Uma das mais expressivas aconteceu ainda em janeiro.
Visto como um dos principais responsáveis pelo rebaixamento e alvo de manifestação por parte dos torcedores, que pediram que Petraglia deixasse o clube, o dirigente insultou a torcida, rebatendo as críticas com xingamentos e gestos obscenos após o empate contra o Cianorte, pela sexta rodada do Campeonato Paranaense.
Athletico sofre com onda de desfalques
Sem reforços, o Furacão vai precisar se virar para aprimorar o trabalho com o elenco atual que, por sinal, viu a lista de desfalques aumentar para a partida contra o Remo, no próximo sábado (14) — incluindo o próprio treinador.
Felipinho e Zapelli já estavam pendurados e receberam o terceiro amarelo. Já o técnico Odair recebeu vermelho após acúmulo de advertências por reclamar da arbitragem. Ele foi acompanhado do auxiliar Fábio Moreno pelo mesmo motivo.
As suspensões se unem às baixas no departamento médico, que acumula uma série de lesionados: Velasco, Isaac e Julimar, além dos laterais-direitos Dudu e Palacios, todos em recuperação por problemas físicos. Já Patrick segue fora por desconforto muscular e passará por uma reavaliação.

Athletico precisa evoluir “no amor ou na dor“
A esperança de uma melhora em campo pode partir exatamente das falas recentes de Odair Hellmann. Entre o reconhecimento das dificuldades, o treinador pontuou a falta de atenção dos jogadores e o que destacou como passividade dos movimentos, citando os problemas nas jogadas de bola parada que, segundo ele, foram exaustivamente trabalhadas durante a semana prévia anterior a derrota.
O diagnóstico parece estar bem claro e o “remédio” para a má fase vai se apresentar em dois caminhos, segundo o próprio Odair: “No amor ou na dor“. A próxima partida do Furacão acontece no sábado (14), contra o Remo, às 18h30, na Ligga Arena, válida pela 12ª rodada da Série B.



