Brasil

O meio-campo da Seleção terá sotaque carioca contra a Inglaterra

André, Bruno Guinarães, Douglas Luiz, João Gomes e Lucas Paquetá dominam uma Seleção com sotaque carioca

A primeira escalação de Dorival Júnior na seleção brasileira deve ter um meio-campo de Premier League para enfrentar a Inglaterra em amistoso neste sábado (23), às 16h (horário de Brasília), em Wembley. Mas dentro de campo, só se ouvirá o sotaque carioca dos meio-campistas da seleção. Um setor com DDD 021 para a estreia do treinador no comando da Seleção.

Dos sete jogadores de meio-campo convocados por Dorival Júnior, cinco nasceram no Rio de Janeiro: André, Bruno Guimarães, Douglas Luiz, João Gomes e Lucas Paquetá. Apenas o mineiro Pablo Maia e Andreas Pereira, nascido na Bélgica, não são cariocas de origem.

É quase inevitável que o sotaque carioca seja o mais falado nas entrevistas coletivas da Seleção no hotel em Saint Albans, nas cercanias de Londres. Paquetá atendeu a imprensa na última quarta-feira (20). Nesta quinta (21), foi a vez de Bruno Guimarães e Douglas Luiz conversarem com os jornalistas. Os três, aliás, devem ser os titulares de Dorival para enfrentar a Inglaterra com entrosamento que vem de anos.

– 021 é verdade. Paquetá é um dos meus melhores amigos, fui campeão olímpico com o Douglas, pego no pé do Joãozinho. Rio de Janeiro está dominando o meio-campo (risos) – disse  Bruno Guimarães em sua entrevista coletiva.

João, Bruno, André, são pessoas que joguei contra e a favor na seleção sub-20 como o Paquetá. Temos liberdade, isso ajuda bastante na montagem do grupo. É bem difícil sair da comunidade de onde saí para jogar a Premier League, é inexplicável. Só eu e família podemos falar sobre isso. Estou muito feliz por todo – complementa Douglas Luiz.

Os meio-campistas convocados por Dorival

  • André (Fluminense)*
  • Andreas Pereira (Fulham)
  • Bruno Guimarães (Newcastle)
  • Douglas Luiz (Aston Villa)
  • João Gomes (Wolverhampton)
  • Paquetá (West Ham)
  • Pablo Maia (São Paulo)
    (Em destaque, os jogadores nascidos no Rio de Janeiro)

E como suprir a ausência de Casemiro?

Este muito provável meio-campo carioca terá de suprir a ausência de Casemiro. O capitão foi cortado após uma lesão muscular. A tendência é de que Douglas Luiz seja o escolhido por Dorival Júnior. Além de já somar minutos em campo pela Seleção, o meio-campista vive uma temporada que o respalda para isso pelo Aston Villa. Ele marcou impressionantes dez gols e deu dez assistências em 42 jogos em 2022/23. Isso, que o brasileiro atuou bastante como “camisa 5” sob o comando de Unai Emery. Uma prova de que ele consegue correr de área a área com a intensidade esperada na principal liga do mundo.

Me sinto muito confortável após a chegada do Emery. Com os treinadores anteriores eu era o 5, com ele tenho mais liberdade, exatamente da forma que gosto de jogar. Somei 10 gols e 10 assistências nessa temporada. A formação me deixa mais confortável. Conversei com o Dorival da forma que ele gostaria que eu jogasse. A liberdade é muito boa para somar gols e assistências. Acho que vai tentar manter o número 5. Dorival gosta do jogo posicionado, os 11 defendendo e atacar marcando. Acho que vai deixar 5 posicionado. Se vai jogar dois volantes ou triângulo com 5 e dois 8. Vou ter mais noção hoje. Acho que esse 5 vai se manter – projetou Douglas Luiz.

Mesmo sem citar nomes, Bruno Guimarães – que deve ser a voz (com sotaque carioca) da experiência na dupla de volantes – referenda a parceria com Douglas Luiz no setor. O meio-campista afirma que o camisa 5 da Seleção não deve se ater apenas à marcação, como os jogadores clássicos da posição.

– No futebol moderno não existe cinco que só marca e protege a zaga. 5 precisa desbloquear primeira e segunda linhas, jogar por dentro e acionar os pontas. É tudo meio-campista, todos marcam, todos defendem – ressalta Bruno.

Dorival quer Seleção com intensidade de Premier League

O sotaque pode até ser carioca, mas o estilo de jogo precisa ter a intensidade de jogo da Premier League. Dorival comanda seus primeiros trabalhos pela seleção brasileira sob privacidade quase total no CT do Arsenal. A imprensa tem acesso apenas aos 15 minutos iniciais das atividades, destinados aos exercícios de aquecimento. E mesmo com o acesso tão restrito, é possível pescar alguns sinais do que é isso que o treinador pretende para a Seleção.

Apegado aos mínimos detalhes, o técnico cobra os jogadores para dar “passes de jogo” até mesmo nos trabalhos que antecedem o treino, em si. As orientações são também para pressionar bastante os portadores da bola. Um primeiro sinal de que Dorival quer o Brasil jogando na intensidade da Premier League. Não é à toa, portanto, que o meio-campo deve ser formado por Douglas Luiz, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá — um trio que atua na Inglaterra.

— Eu acho que o ritmo de jogo aqui é muito intenso, como vocês sabem e acompanham. A liga da Inglaterra pode ser uma das mais fortes, se não for a mais, por conta da intensidade. Não só os ingleses, são os jogadores estrangeiros que também trazem essa qualidade, tem muitos brasileiros jogando na Premier. Uma coisa que podemos adquirir na nossa forma de jogar é a intensidade da Premier — disse o meio-campista Andreas Pereira, um dos poucos não cariocas, em entrevista coletiva recente.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
Botão Voltar ao topo