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São Paulo pode ver motivos para demitir Crespo, mas peca bastante no timing

Clube paulista decidiu demitir o técnico argentino nesta segunda-feira (9) e agora terá que buscar um novo treinador às vésperas de iniciar torneios importantes no ano

Hernán Crespo não é mais técnico do São Paulo. A demissão do treinador argentino nesta segunda-feira (9) expõe mais um capítulo da instabilidade do clube paulista fora de campo.

Mesmo com a equipe invicta no início do Brasileirão e ocupando a segunda posição, a diretoria optou por encerrar o trabalho após uma série de divergências internas.

A decisão chama atenção não apenas pelo momento esportivo da equipe, mas também pela sensação de ruptura precoce de um projeto que ainda parecia em construção. Crespo vinha conseguindo organizar o time e dar sinais de evolução dentro de campo, o que torna a demissão difícil de justificar exclusivamente pelos resultados.

Nos bastidores, porém, o desgaste já vinha crescendo há algum tempo. De acordo com o “ge”, a cúpula são-paulina avaliava há dias a permanência do treinador, incomodada principalmente com algumas decisões técnicas tomadas em momentos decisivos.

Hernán Crespo - São Paulo
Hernán Crespo pelo São Paulo. Foto: IMAGO / Fotoarena

Mas afinal, o que motivou a saída de Crespo?

Um dos episódios que pesaram na avaliação foi a eliminação para o Athletico Paranaense nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2025. Após vencer por 2 a 1 no Morumbis, o São Paulo tinha vantagem no confronto, mas as substituições feitas por Crespo no jogo de volta foram bastante criticadas internamente.

Ao tirar Marcos Antônio e André Silva e deixar apenas Luciano e Ferreira no ataque, o treinador acabou expondo o time a uma pressão maior. A decisão se tornou ainda mais questionada depois que o Tricolor foi eliminado nos pênaltis, com os três primeiros batedores — todos reservas — desperdiçando suas cobranças.

Outro momento que gerou ruído aconteceu na semifinal do Campeonato Paulista de 2026, contra o Palmeiras. Crespo optou por iniciar o clássico com Luan no meio-campo, enquanto Danielzinho, um dos jogadores mais regulares da equipe na temporada, começou no banco. Segundo a “ESPN”, a decisão foi vista internamente como uma “questão de coincidência e superstição” pelo volante ter sido o responsável pelo gol do título paulista sobre o mesmo rival em 2021.

Mas o que mais pesou contra Crespo no início de 2026 foi uma declaração após a derrota para a Portuguesa no Campeonato Paulista.

— O futuro, como eu falei, é o Brasileirão, 45 pontos.

A frase do treinador foi vista pela diretoria como alarmista, já que a alta cúpula do clube acredita que tem um elenco bom o suficiente para não passar nem perto de pensar em um possível rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

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A polêmica das folgas de Crespo

O estopim para a demissão de Crespo parece ter sido a folga dada pelo técnico ao time após a eliminação no Paulistão. Após cair para o Palmeiras no domingo, 1º de março, o argentino deu três dias de folga ao elenco, já o próximo compromisso seria apenas no dia 12 de março.

Segundo a “ESPN”, o diretor de futebol Rui Costa e o gerente esportivo Rafinha foram ao CT da Barra Funda no dia seguinte da eliminação e ficraram surpresos de não encontrar ninguém da comissão técnica do argentino.

Ainda de acordo com a “ESPN”, junto com a ida de Crespo para a Argentina já na noite da eliminação, a decisão do técnico pelas folgas sacramentou a ideia de que o Paulistão era um torneio qualquer, enquanto a diretoria confiava que poderia ser campeã paulista.

Mas se essa foi a gota d’água para a diretoria resolver demitir Crespo, não dá para entender porque o técnico foi comunicado apenas nesta segunda-feira. Por que a decisão não foi tomada já na quinta-feira, quando o técnico voltou ao CT da Barra Funda com a sua comissão? Se os três dias de folga são um grande problema, cinco dias de diferença também não deveriam ser?

Hernan Crespo pelo São Paulo
Hernán Crespo pelo São Paulo. Foto: IMAGO / Rebeca Schumacker

Esportivamente, a saída de Crespo faz sentido?

O curioso é que, olhando friamente para o desempenho recente, a saída de Crespo parece contraditória.

O treinador iniciou sua segunda passagem pelo São Paulo em julho de 2025, em um momento delicado, quando o clube ainda lutava contra o rebaixamento. Conseguiu estabilizar a equipe e garantiu a permanência na elite mesmo após um período de queda no fim do ano. Uma demissão ali parecia muito mais justificável que no atual momento.

Em números, o trabalho também não foi desprezível: 46 jogos, com 21 vitórias, sete empates e 18 derrotas. Não são estatísticas brilhantes, mas representam uma recuperação relevante para um time que vinha de meses turbulentos.

Em 2026, apesar de um início irregular, o São Paulo voltou a crescer. Chegou à semifinal do Paulistão e perdeu para o Palmeiras em um jogo em que o clube reclama bastante da não marcação de um pênalti.

No Brasileirão, o cenário era ainda mais animador. Após quatro rodadas, o time somava dez pontos e dividia a liderança com o Palmeiras, permanecendo invicto na competição. Em qualquer análise racional, esse costuma ser o tipo de início de campeonato que dá fôlego a um treinador, não que acelera sua saída.

Qual é o futuro do São Paulo após a saída de Crespo?

Agora, o São Paulo volta à estaca zero em um momento delicado do calendário. Desde a eliminação no Paulistão, em 1º de março, a equipe não entra em campo. O retorno acontece nesta quinta-feira (12), contra a Chapecoense, no Canindé, pela quinta rodada do Brasileirão.

Além disso, o clube está prestes a iniciar a fase de grupos da Sul-Americana, marcada para 8 de abril, e também se prepara para entrar na Copa do Brasil na semana do dia 22. Ou seja, o novo treinador chegará com pouco tempo para ajustes e sob pressão imediata por resultados.

A diretoria busca encontrar um substituto para o treinador. Filipe Luis foi procurado pelo clube, mas negou a oferta. O ex-treinador do Flamengo não tem interesse em assumir uma outra equipe brasileira no momento.

Segundo o “UOL”, Roger Machado também surge como opção para o clube paulista. No entanto, a rejeição já é grande nas redes sociais. Na época de Julio Casares, isso já seria o suficiente para mudar os planos. A ver como será com Henry Massis e companhia.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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