Europa

Pós-Flamengo, onde Filipe Luís encaixaria no futebol europeu?

Técnico foi demitido do Flamengo de forma surpreendente e já falou publicamente sobre interesse em trabalhar na Europa

Filipe Luís deixou o Flamengo na última terça-feira (3), em uma decisão da direção rubro-negra que foi recebida com sentimentos mistos. Multicampeão pelo clube, o ex-lateral agora está livre no mercado.

Depois de deixar uma impressão muito positiva em seu primeiro trabalho como técnico profissional, Filipe já está em um patamar superior à média dos treinadores brasileiros. Jovem, com muitos contatos em clubes europeus e, inclusive, já tendo negociado com o grupo do Chelsea. Afinal, ele dará o passo para a Europa?

O que Filipe Luís precisa para treinar um clube na Europa

Até o momento, Filipe Luís não pode treinar diretamente de forma oficial um clube europeu. Isso se dá pela falta da licença Uefa Pro, necessária para treinadores no continente.

O ex-lateral da seleção brasileira tem as licenças nacionais: A e B da CBF Academy, além de estar avançando para concluir a Pro da entidade. Mesmo assim, ele ainda precisaria cumprir critérios exigidos pela Uefa para treinadores estrangeiros.

Mais do que a licença própria, a entidade exige um mínimo de três anos de experiência em clubes de primeira divisão ou seleção nacional. Filipe esteve no Flamengo de setembro de 2024 até março de 2026, menos de dois anos.

O técnico e ex-jogador Filipe Luís
O técnico e ex-jogador Filipe Luís (Foto: Imago/ Rodilei Morais Fotoarena)

Uma manobra considerada seria ter seu auxiliar, o espanhol Ivan Palanco, como treinador principal “de fachada” até que Filipe conseguisse a licença da Uefa. Foi o que fez Cesc Fàbregas, por exemplo, no início de sua passagem pelo Como.

Inicialmente, o plano do antigo técnico do Flamengo era justamente se manter no clube para ter os três anos de experiência antes de tentar o futebol europeu — que é um desejo publicamente exposto pelo mesmo. Tanto que sua renovação até 2027 cumpriria esse período exigido.

Ainda assim, Filipe não precisa necessariamente assumir um novo clube brasileiro antes de ir à Europa. Pode simplesmente tirar as licenças da Uefa (C, B, A e Pro), enquanto, por exemplo, é auxiliar de clubes do Velho Continente.

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Onde Filipe Luís se encaixaria no futebol europeu

Segundo o “UOL”, o treinador negociou com a BlueCo, a empresa dona da rede multiclubes que inclui Chelsea e Strasbourg. As conversas se deram em dezembro, durante a negociação da renovação com o Flamengo. Isso, inclusive, incomodou a diretoria quando foi descoberto.

Na época, a BlueCo passava por mudanças nos dois clubes: demitiu Enzo Maresca do Chelsea e acabou o substituindo com Liam Rosenior, que treinava o Strasbourg. Como jogador, Filipe teve uma passagem breve pelo Chelsea em 2014/15, mas deixou o clube ao fim da temporada.

Mesmo com a história, o Chelsea talvez seja um passo grande demais para o jovem treinador. Um clube que vive a pressão de voltar a brigar pelas cabeças na Premier League há alguns anos, apesar dos títulos recentes com Maresca, pode não necessariamente apostar no brasileiro. A empresa poderia, no entanto, levá-lo ao Strasbourg como uma ponte inicial.

Simeone, técnico do Atlético de Madrid
Simeone, técnico do Atlético de Madrid (Foto: Cesar Cebolla/Pressinphoto/Imago)

A equipe francesa é conhecida como o “estágio” do Chelsea: diversos jogadores emprestados pelos Blues e um elenco jovem e promissor. Taticamente, Filipe poderia seguir sua evolução a partir do Jogo de Posição em uma equipe que já tem histórico de um jogo de posse e enfrentamentos individuais.

Ainda na linha de ex-clubes, como lateral, sua trajetória na Europa começou no Ajax. O clube holandês vive anos conturbados, mas é historicamente conhecido por propagar a filosofia de jogo que Filipe compactua: domínio a partir da bola, paciência e criação de oportunidades em volume de pé em pé.

Na Espanha, após passagem pelo Real Madrid Castilla, Filipe despontou no Deportivo La Coruña, que tenta voltar a LaLiga depois de uma ausência de oito anos. Um clube lutando para se manter na primeira divisão pode exigir outras facetas do treinador, que se acostumou a apenas brigar por títulos, e a tendência é que não consiga imprimir seu melhor estilo.

Retorno ao Atlético de Madrid ou ‘opções menores’

Quando se fala sobre a Espanha, no entanto, o primeiro clube que liga Filipe ao futebol local é o Atlético de Madrid. O ex-lateral é ídolo do clube, onde passou oito anos e conquistou seis títulos, e tem grande proximidade com Diego Simeone, seu ex-técnico e atual comandante dos Colchoneros.

A identificação e proximidade com o clube fazem de Filipe uma opção óbvia. E ser o sucessor de Simeone, inclusive, pode ser exatamente a mudança que o Atlético precisa: o antigo jogador levaria um estilo completamente diferente do argentino.

Enquanto Simeone se caracterizou por formar equipes que defendem muito bem, geralmente em bloco mais baixo contra grandes adversários, e que abusam de ataques verticais e rápidos, Filipe é o oposto. Levaria um futebol pausado, que busca envolver o adversário e manipular a marcação com movimentação na última linha.

É fato que a torcida do Atlético já enraizou o estilo do argentino — afinal, é mais de uma década sendo comandada pelo ex-volante. Mas é notável como o time tem sofrido em diversos momentos contra equipes que poderia vencer com mais facilidade ou na forma como aborda jogos contra rivais poderosos.

Caso ainda seja considerado uma aposta pelo Atlético, pela pouca experiência no mais alto nível, Filipe Luís ainda poderia traçar o caminho sem grandes holofotes: ser auxiliar. Assistentes de Pep Guardiola têm tido grande sucesso na Premier League, por exemplo, com Mikel Arteta e Maresca.

A negociação com a BlueCo poderia caminhar para esse caminho, por exemplo. O treinador poderia ser auxiliar no Chelsea antes de assumir o Strasbourg quando tivesse a licença da Uefa e, então, migrar para o “time de cima”.

Ser um auxiliar do próprio Atlético também pode ser um caminho, uma vez que Simeone tem contrato até o fim da próxima temporada. Um ano de “estágio” no clube poderia ser o que falta para a confiança ser depositada em seu trabalho.

Fato é que Filipe Luís tem opções na Europa, mesmo que a demissão no Flamengo tenha atrapalhado os planos por conta das exigências da Uefa. Resta saber qual situação será mais proveitosa para o ex-lateral.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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