Brasil

Santos precisa e quer vender Marcos Leonardo, mas 18 milhões de euros é pouco pelo atacante?

Em dificuldades financeiras, o Santos necessita negociar Marcos Leonardo, que quer se transferir à Europa

O interesse do Benfica em Marcos Leonardo pode e deve ser comemorado pela diretoria do Santos neste segundo dia de 2024. Em dificuldades financeiras por conta do rebaixamento no Campeonato Brasileiro e da antecipação das receitas do Campeonato Paulista, a diretoria do Peixe, com inteligência, tem condições de aproveitar a sondagem do clube português para viabilizar um negócio que permita ao time da Vila Belmiro um bom alívio em seus cofres neste início de reestruturação.

É claro que a ‘obrigação de venda' nesta janela de transferência, firmada com o jogador pelo ex-presidente Andres Rueda no meio do ano passado, impede Marcelo Teixeira, que começa a gerir o Santos oficialmente nesta terça-feira (2), de exigir valores que cheguem na casa dos 20 milhões de euros (R$ 107 milhões na cotação do dia) como fizeram recentemente, por exemplo, Corinthians e São Paulo com o meio-campista Gabriel Moscardo e o zagueiro Beraldo, respectivamente, em negócios com o PSG.

A proposta dos portugueses, se vier a ser realmente colocada na mesa do Peixe, será de valores inferiores. Provavelmente beirando os 18 milhões de euros (R$ 96 milhões na cotação atual), que é aquilo que consta no acordo entre Marcos Leonardo e Santos. Afinal, o Benfica sabe da existência desse documento e do momento que vive o Alvinegro.

18 milhões de euros seria pouco por Marcos Leonardo?

Esse valor, contudo, não pode ser considerado desastroso justamente pelo cenário em que o Santos se encontra atualmente. Além das dificuldades financeiras do clube e da ‘obrigação de venda', o fim de temporada desgastou a relação de Marcos Leonardo com a torcida.

O atraso às vésperas da viagem para Curitiba antes do confronto com o Athletico-PR, em duelo válido pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, onde o Santos precisava vencer para se ver mais distante da queda, somado aos oitos jogos consecutivos sem marcar na reta final da temporada colocaram o Menino da Vila na condição de um dos vilões para o rebaixamento. Tudo isso mesmo sendo o artilheiro do time na temporada, com 21 gols, e do Brasileirão, com 13.

Forçar a permanência do centroavante à espera de um clube europeu disposto a pagar mais do que consta no acordo é ilusão e só servirá para manter o Santos atolado nos seus problemas financeiros.

Marcos Leonardo já deixou claro que quer a Europa

Além disso, Marcos Leonardo, quando procurado pela Roma, em agosto de 2023, deixou claro que queria seguir para a Europa e, inclusive, incomodado com o veto do então presidente Rueda, decidiu se ausentar dos treinamentos no CT Rei Pelé por uma semana.

Negociá-lo com o Benfica, um clube que tem histórico de sucesso com jovens jogadores sul-americanos, pode garantir tal quantia neste momento e até futuramente por meio do mecanismo de solidariedade da Fifa, que é um dispositivo criado para compensar financeiramente os clubes formadores dos atletas diante de todas as vendas da carreira do atleta.

Negócio pode ser bom para as quatro partes da história

Sem rancor ou vaidade, a saída de Marcos Leonardo pelo valor da ‘obrigação de venda' é interessante para as quatro partes do negócio: Santos, torcida, atleta e Benfica.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna
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