Santos: Chegada relâmpago de Cuca não evita repercussão negativa e revela ‘bagunça’
Treinador foi condenado em 1987 na Suíça, mas conseguiu anulação do processo no início de 2024; Vojvoda foi demitido nesta madrugada, após derrota para o Internacional
Juan Pablo Vojvoda não deixou a Vila Belmiro nesta quarta-feira (18) no comando do Santos. Depois da derrota diante do Internacional, por 2 a 1, pelo Brasileirão, o técnico argentino foi demitido com uma breve nota, publicada apenas 12 minutos depois da meia-noite. Às 8h desta quinta-feira, o clube já havia chegado ao acerto “relâmpago” com o técnico Cuca.
Alexi Stival, de 62 anos, é um dos técnicos mais vitoriosos do futebol brasileiro. Ele já havia passado pelo clube alvinegro em 2020, quando levou a equipe à final da Libertadores. Livre no mercado, o seu trabalho é marcado por questões que envolvem o treinador ao longo dos últimos anos de sua carreira — e que não podem ser deixadas de lado
Quando ainda era jogador do Grêmio, Cuca foi julgado e condenado pelo Tribunal de Berna, na Suíça, por manter relação sexual sem consentimento com uma menina de 13 anos, em 1987. À época, Cuca estava em excursão com a equipe tricolor pela Europa, com 24 anos recém-completados.
Santos: Sai Vovjoda, chega Cuca
Esquecido desde então, o caso voltou à tona nesta década, especialmente após assumir o comando do Corinthians, em 2023, A repercussão negativa nas redes sociais e da torcida alvinegra fez com que o treinador pedisse demissão apenas seis dias no cargo, após classificação sobre o Remo na Copa do Brasil.
Duilio Monteiro Alves, presidente do clube à época, chegou a consultar a Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do time, a respeito da contratação do técnico.
À época, Cuca negou participação no caso, como citou em seu anúncio no clube. Além dele, Henrique Arlindo Etges, Eduardo Hamester e Fernando Castoldi também estavam presentes no quarto do Hotel Metrópole, em Berna, quando teria ocorrido o episódio. Depois da saída do Corinthians, em abril, Cuca reuniu advogados para que a decisão fosse revista pela Justiça da Suíça.
A defesa do treinador justificou de que ele havia sido julgado à revelia. Pelo crime ter prescristo, o Ministério Público avaliou que o julgamento não poderia ser realizado novamente e sugeriu a anulação do caso, decisão esta que foi acatada pela juíza Bettina Bochsler. A vítima morreu em 2002, aos 28 anos.
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Repercussão negativa deve acompanhar Cuca no Santos
Apesar de Cuca ter assumido os comandos do Athletico-PR e Atlético-MG desde então, a chegada do treinador é sempre acompanhada de uma repercussão negativa sobre o caso. Em 2024, ele afirmou que deveria ter “tratado o assunto antes” e disse que vive oito meses “emocionalmente difíceis”.
O trabalho no Santos não será diferente. A reunião ainda na manhã nesta quinta-feira para acelerar o acerto com o treinador e permitir que ele seja inscrito no Boletim Diário Informativo da CBF (BID), a fim de estrear já na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, cria um obstáculo na relação com parte da torcida.

No anúncio oficial do treinador nas redes sociais, torcedores já manifestam insatisfação quanto à contratação feita pela gestão do presidente Marcelo Teixeira — insatisfação esta que ocorre principalmente por conta do crime cometido na década de 1980, e não pelos seus trabalhos à beira do campo.
Além de 2020, Cuca comandou o Santos em 2008 e 2018. Ele chega ao clube acompanhante pelo auxiliar técnico Cuquinha e o preparador físico Omar Feitosa.
Escolha de Cuca mostra Santos perdido na busca por técnico
Além das questões de Cuca como pessoa, a escolha de Marcelo Teixeira pelo treinador revela uma equipe perdida no mercado em busca de um treinador. Desde 2025, quando o clube voltou à Série A do Campeonato Brasileiro, juntamente com a contratação bombástica de Neymar, o Santos terá pela quarta vez um nome diferente à beira do campo.
Antes de Cuca, Pedro Caixinha, Cleber Xavier e Vojvoda comandaram a equipe. O Santos também teve César Sampaio e Matheus Bachi — filho do técnico Tite — como interinos. Cada um deles com uma proposta diferente em campo, e que não mostra um norte do que o presidente espera da equipe.

Em momentos, esta gestão do Santos aparenta certo “desespero” ao chegar com o acerto de seu novo treinador em menos de oito horas. Não só isso, mas Marcelo Teixeira já teve outra postura em relação à busca por um comandante: em 2025, após saída de Caixinha, negociou com Tite e, diante da recusa do técnico, buscou seu então auxiliar, Cleber Xavier. Propostas semelhantes.
Outros nomes estavam disponíveis além de Cuca, como Fernando Diniz — que já treinou o Santos — e Hernán Crespo, recém-demitido pelo São Paulo. Se o treinador terá sucesso em campo, como em 2020, só o tempo dirá.
Mas ele já chega com obstáculos e pressões condizentes com o peso de suas atribuições para além do futebol antes mesmo da possível estreia diante do Cruzeiro, neste domingo (22), pelo Brasileirão.



