‘Não pode um jogador do tamanho de James Rodríguez pedir para não bater um pênalti’
Experiente meia colombiano chegou com marca de reforço de peso, mas teve passagem frustrante pelo clube paulista
A passagem frustrante de James Rodríguez no São Paulo durou pouco mais de seis meses, mas os impactos internos no elenco ainda repercutem. Em entrevista ao “Charla Podcast”, o ex-técnico tricolor Thiago Carpini revelou os bastidores da eliminação contra o Novorizontino no Paulistão, em 2024, e contou seu desconforto com o comportamento do meia.
— Quando a gente foi às quartas de final contra o Novorizontino, não pode um jogador do tamanho dele pedir para não bater um pênalti porque está sem confiança. E eu não posso ir em uma coletiva de imprensa e falar isso. Você imagina o que eu queria fazer com ele. E o estádio inteiro gritando ‘James’ e ‘Burro’ para mim — declarou o treinador.
Carpini reprovou a decisão do jogador e a falta de comprometimento com a equipe. Sem nunca alcançar os níveis físicos ideais, James Rodríguez decepcionou e só atuou em apenas 22 jogos, marcando dois gols e servindo quatro assistências ao longo de duas temporadas.

— Eu acho que o São Paulo, enquanto instituição, está muito acima de todo e qualquer atleta ou treinador. É o São Paulo Futebol Clube, não é o James. E eu tinha um grupo de atletas para gerir do tamanho do James: Lucas, Rafinha, o próprio Calleri. E ver tudo aquilo que eu vi, presenciar e ser conivente com isso foi um ponto que pesou muito para a minha saída — explicou Carpini.
Como apurado pela Trivela à época, o colombiano se destaca pela qualidade técnica, muito acima dos demais companheiros. No entanto, não conseguia equiparar o nível de intensidade dos colegas de elenco.

— Tecnicamente, vi poucos como o James, mas é [sobre] o quanto ele queria pagar o preço para ser um atleta. O compromisso, em qualquer nível, Série A, B, C, acho que o primeiro compromisso é você respeitar a sua profissão –, criticou o técnico.
O ex-treinador do São Paulo falou sobre os grandes momentos de James na carreira, mas pontuou que o jogador não conseguiu sustentar o alto nível em todos os lugares que passou, reforçando a teoria de que o jogador só rende com a seleção da Colômbia.
— Foi um cara que, indiscutivelmente, teve uma carreira de altíssimo nível por mais que ele não tenha conseguido sustentar grandes momentos em todos os lugares que ele passou, mas a Copa, a seleção, [era] indiscutível o que ele rendia — pontuou.
James Rodríguez viveu novela parecida na Espanha

Enquanto defendeu o São Paulo, James Rodríguez até foi campeão da Copa do Brasil e da Supercopa do Brasil, mas não atuou um minuto sequer em ambos os títulos inéditos do clube.
O meia conviveu mais entre os reservas do que na equipe considerada ideal e acabou se tornando um suplente de luxo do clube. Descontente com a falta de oportunidades, o meia pediu para deixar o clube, se transferindo para o Rayo Vallecano.
A passagem pela equipe espanhola foi muito semelhante ao que ele viveu pelo São Paulo. Sem convencer, o colombiano atuou em apenas sete partidas pelo Rayo, com uma assistência em um total de 205 minutos em campo. Como ocorreu no São Paulo, a parte física também foi problema para James na Espanha.



