Quase inteiramente ‘novo’, meio do Palmeiras em 2023 marcou e armou menos que em 2022 – e mesmo assim foi um dos melhores do Brasil
Não é qualquer time que perde Danilo e consegue, mesmo assim, manter um meio campeão. O Palmeiras conseguiu
Abel Ferrreira começou o ano sem dois de seus principais meias. Perdeu seu “5”, Danilo, vendido ao Nottingham Forest. E, ato contínuo, perdeu também Zé Rafael, seu camisa “8”. Como todos sabem, Zé não saiu do time. Mas acabou deslocado para primeiro volante, na vaga que era de Danilo. Desse modo, na prática, havia duas peças novas no trio.
No começo do ano, Zé apanhou um pouco para se adequar. Acostumado a carregar a bola, ele já não podia arriscar tal desenvoltura tendo o gol de Weverton bem mais próximo das suas costas. Mas, força do hábito, arriscava algumas vezes – o que levou o time a problemas.
Para a função de segundo volante, Gabriel Menino virou titular. E teve ótimos momentos, como na decisão da Supercopa, quando foi às redes duas vezes. E na final do Paulista, quando abriu caminho para o 4 a 0. Ou mesmo, já pelo Brasileirão, quando fez um golaço contra o São Paulo no Morumbi. Mas, na marcação, Menino às vezes se mostrava desatento.
Quando Menino se lesionou, Richard Ríos entrou na time e brilhou. Com jeito irreverente de jogar, dribles curtos de futsal e chute muito forte, o colombiano que jogava no Guarani de Campinas caiu como uma luva na equipe, dando mais vigor ao setor.
Na parte criativa, Veiga reinou absoluto e, tirando as voltas de Datas-Fifa, esteve quase sempre bem – até a lesão de Dudu, no fim de agosto. Sem apoio do camisa 7, Veiga se perdeu e ficou claramente sobrecarregado até Abel achar o esquema com três zagueiros que levou o Verdão ao 12º título do Campeonato Brasileiro.
Zé não ter chance na seleção é um absurdo
Depois de se encontrar como camisa 5, Zé foi sem dúvida um dos melhores do País na posição. Já habituado a desarmar muito, tendo liderado o quesito em temporadas passadas no Palmeiras, Zé continuou sendo o motor alviverde.
Nos últimos 11 jogos da campanha, com o advento do terceiro zagueiro, Zé jogou mais perto de Veiga e a lacuna pela ausência de Dudu foi tapada, também com auxílio dos laterais que passaram a subir ao ataque com conjunto e com mais frequência.
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Abel demorou para dar ajuda a Raphael Veiga
Quando o Palmeiras perdeu Dudu, quase toda a criação ficou a cargo de Raphael Veiga. E como Menino não vinha bem, e Zé estava mais recuado, protegendo a defesa, o Palmeiras ficou por cerca de seis a sete rodadas sem muita articulação.
Foi só após a eliminação diante do Boca Juniors, quando Abel precisou dar um sacode no elenco e mudar o esquema, que Veiga voltou a ser o jogador que o Brasil inteiro conhece.
Meio vai ser mais forte e inteligente em 2024
Se Aníbal Moreno, contratado para a próxima temporada, repetir no Verdão o que fez no Racing, o Palmeiras tem tudo para escalar um meio-campo mais pegador e ainda mais hábil na criação de jogadas.
Moreno é um camisa 5 de muita marcação, mas também de bolas enfiadas, viradas de jogo e lançamentos. Em termos de estilo de jogo, lembra muito o próprio Danilo.
E aí, Abel vai ter um dilema: reeditar o meio-campo do 4-3-3 vencedor de 2020-21-22, com Moreno de 5, Zé de 8 e Veiga, ou manter o meio-campo vencedor de 23, com Zé de 5, Ríos, que terminou o ano em alta, de 8, e Veiga na criação pura.
Está bem de problema, o português.



