Brasil

Decepção na Libertadores foi o pontapé que empurrou o Palmeiras para o bicampeonato brasileiro

Verdão caiu para o Boca Juniors na semifinal, mas levou como espólio da derrocada a noção de que precisava alterar seu jeito de jogar

Poucos foram os palmeirenses que não deram a temporada como perdida, depois que o Palmeiras foi eliminado pelo Boca Juniors nos pênaltis, na semifinal da Copa Libertadores, em 5 de outubro.

Em diversas entrevistas, os jogadores confirmaram que o baque foi muito sentido pelo elenco. Substituindo o suspenso Abel, após vitória por 4 a 0 sobre o América-MG, no Brasileiro, o auxiliar Vitor Castanheira confessou que a queda também abalara a comissão técnica.

Como um ex-namorado que não se conforma com a perda de seu amor, Abel Ferreira trouxe o assunto Boca Juniors, espontaneamente, para todas as entrevistas coletivas que concedeu até o fim da temporada.

Mas, ainda usando o fim de relacionamento como metáfora, hoje já dá pra dizer que a queda diante dos argentinos foi o “pé na bunda” que empurrou o Palmeiras para frente. Mais precisamente, para a conquista do bicampeonato brasileiro.

Foi a partir do fracasso no jogo de ida e no primeiro tempo da volta da semifinal, no Allianz Parque, que Abel colocou Endrick no time. Foi no segundo jogo após a eliminação, contra o Coritiba, que ele abandonou o 4-3-3, que fazia água sem Dudu, para mudar para um 3-5-2 com Luan na zaga e Endrick e Breno Lopes na frente.

Mais do que para a torcida e a crítica, a virada histórica no Brasileirão depois da eliminação na Libertadores foi uma resposta do Palmeiras para si mesmo.

Fase de Grupos

Pela quinta vez em seis edições (2018, 19, 20, 22 e 23), o Palmeiras fez a melhor campanha na fase de grupos da Libertadores.

Num grupo com Bolívar, Cerro Porteño e Barcelona de Guayaquil, o Verdão ganhou cinco de seus jogos. Perdeu apenas a estreia, com reservas, em La Paz – 3 a 1 para o Bolívar.

Além da estreia, vale frisar que o time também teve dificuldades no seu segundo compromisso. Jogando no Morumbi, por conta de show no Allianz Parque, o Verdão fez 2 a 1 de virada, num jogo enroscado.

Resultados:

Bolívar 3 x 1 Palmeiras
Palmeiras 2 x 1 Cerro Porteño
Barrcelona 0 x 2 Palmeiras
Cerro Porteño 0 x 3 Palmeiras
Palmeiras 4 x 2 Barcelona
Palmeiras 4 x 0 Bolívar

Oitavas de final: Um velho freguês de Minas

Palmeiras não teve muitos problemas para segurar o Atlético e avançar na Libertadores (SUSA/Icon sport)

O Atlético-MG não deve mais suportar ver a camisa verde do Palmeiras pela frente. Pelo terceiro ano seguido, o Alviverde despachou o Galo – dessa vez, logo na primeira eliminatória.

Nem Felipão no banco do Galo foi suficiente para frear o time de Abel. O Verdão surpreendeu e já ganhou o jogo de ida, no Mineirão, por 1 a 0 – gol de Raphael Veiga.

O 0 a 0 da volta pode dar impressão de que o Palmeiras não foi bem. Longe disso, o Alviverde fez, nesse dia, um dos seus melhores jogos na temporada até então.

Quartas de final: Uma goleada na ida

Às vezes, as competições de mata-mata reservam confrontos surpreendentes e anacrônicos dentro da lógica. Porque não faz qualquer sentido o Palmeiras pegar o Deportivo Pereira, da Colômbia, depois de despachar o Galo.

Mas, se o chaveamento quis assim, o Palmeiras tratou de enfiar um 4 a 0 logo na ida, com Mayke de ponta-direita, fazendo gol, para poder jogar com um time misto na volta – com três zagueiros e Flaco LLópez titular – e se classificar com um 0 a 0.

Semifinal: O conservadorismo matou o Palmeiras

Elenco do Boca Juniors, em jogo contra o Palmeiras pela semifinal da Libertadores, comemorando a classificação à final da competição continental. Foto: Icon Sport.

Abel Ferreira é tão ético no trato com os jogadores, e tão sistemático em seus processos que, às vezes, morre abraçado às suas convicções.

Sem Dudu, que se lesionara no fim de agosto, o Palmeiras chegou à primeira semifinal do torneio com um time que vinha mal no Brasileiro. Mayke como ponta só funcionava mesmo quando Dudu estava do outro lado.

O Palmeiras morreu sem seu craque da camisa 7. Ainda mais com Artur, um canhoto, jogando pelo lado esquerdo. Seria ótimo, se ele fosse um jogador de linha de fundo. Mas Artur, como todos sabem, é daqueles pontas de pé invertido, que jogam cortando pelo meio.

O Palmeiras, de repente, se viu sem Dudu, “sem Artur” e “sem Veiga”, sobrecarrregado na criação devido à ausência do Baixola, como Dudu é chamado pelos colegas.

Na Bombonera, o Palmeiras não criou quase nada e voltou com um 0 a 0 na conta de Weverton e da falta de mira dos xeneizes. No primeiro tempo do Allianz, só não dá para dizer que houve uma reprise porque o Boca fez 1 a 0, em falha de Zé Rafael e Gómez, com Cavani.

No intervalo, Abel fez o que os quase 20 milhões de palmeirenses pelo mundo imploravam há semanas: colocou Endrick e Kevin para jogar. Mais tarde, colocou ainda Luis Guilherme e Flaco López.

O Palmeiras massacrou o Boca. Foram 24 chutes a gol contra três do time argentino. Mas apenas um, de Piquerez, vazou a meta de Romero, que fez milagres em bicicleta de Rony, voleio de Gómez e arremate de López, entre outras defesas.

Mas aí, o jogo foi para os pênaltis. E Romero, que nunca perdeu uma disputa de pênaltis pela equipe, e havia defendido mais do que sofrido gols da marca da cal pela equipe, fez valer sua habilidade, pegando as cobranças de Veiga e Gómez.

Acabava ali o sonho do tetra continental. Mas ainda que não parecesse, nascia também o sonho do bi brasileiro consecutivo, o 12º Nacional do Palmeiras.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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