Brasil

Cruzeiro teve extracampo positivo em 2023, mas pecou na comunicação e com os sócios

Organização financeira, melhorias estruturais e base e femininos fortes foram pontos altos, mas comunicação e sócio-torcedor deixaram a desejar no Cruzeiro

Se dentro de campo o 2023 do Cruzeiro foi conturbado, com um desempenho muito ruim nas competições que disputou, fora dele o time celeste viveu uma boa temporada. Existiram pontos negativos que pesaram negativamente de forma considerável, mas colocando numa balança, os avanços parecem ter maior potencial benéfico a longo prazo do que aquilo que foi ruim e pode, com um pouco de esforço, ser melhorado.

A diretoria que esteve à frente do Cruzeiro SAF durante a campanha vitoriosa da Série B de 2022 foi mantida, ainda que algumas mudanças acontecessem no caminho, como foi a saída do diretor de negócios, Lênin Franco, que passou a ocupar um cargo na CBF, e do diretor de operações do clube, Enrico Ambrogini, que recebeu proposta para ser o CEO na SAF do Figueirense.

No departamento de futebol, Paulo Autuori foi escolhido como diretor técnico, chegando a assumir o comando do time do Cruzeiro, interinamente, alguns meses depois. O ex-meia Andrés D’Alessandro assumiu o cargo de coordenador de futebol da Raposa, mas deixou Belo Horizonte após nove meses de trabalho, alegando motivos pessoais. Principais nomes da gestão estrelada, o diretor de futebol Pedro Martins e o CEO Gabriel Lima seguem no clube, apesar de terem recebido críticas no decorrer do ano.

O ano de 2023 também foi de eleição no Cruzeiro Associação, que ainda detém 10% do clube. Em outubro, Lidson Potsch foi eleito como o novo presidente do clube, substituindo o controverso Sérgio Santos Rodrigues, que esteve à frente da Raposa desde 2020, tendo liderado o processo de criação e venda da SAF, após dois anos de permanência na Série B do Campeonato Brasileiro. O mandato de Potsch, que foi apoiado por Ronaldo Nazário, será válido entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2026.

O que deu certo fora de campo para o Cruzeiro em 2023

O primeiro e mais importante ato da SAF do Cruzeiro, que acaba pesando muito positivamente na balança, é a organização financeira do clube. Após passar por anos lastimáveis, onde não conseguia arcar com compromissos básicos, a Raposa tem suas contas em dia e controladas, muito pelo que foi feito pela gestão. Além disso, a aprovação da Recuperação Judicial (RJ) permitiu que grande parte da dívida monumental do clube pudesse ser negociada e se tornasse pagável, o que garante um recomeço para a centenária instituição.

O saneamento financeiro permitiu que o clube recebesse melhorias estruturais. Diversas obras estão sendo executadas na Toca da Raposa II, em diversas áreas. Até mesmo um gramado misto — entre natural e sintético —, foi colocado num dos campos do CT. O melhor momento permitiu, ainda, a organização dos processos de trabalho dentro do clube e investimentos nas categorias de base e futebol feminino. Apesar do trabalho destes últimos citados visarem o longo prazo, o ano de 2023 foi de conquistas em ambos, no caso das camadas jovens, de títulos e aproveitamento de garotos, o que respalda, ainda mais, o trabalho que vem sendo feito.

O que deu errado fora de campo para o Cruzeiro em 2023

Se por um lado diversos avanços foram notados, a gestão do Cruzeiro pecou em outros. Talvez o pior destes tenha sido a comunicação. Entrevistas pouco esclarecedoras, como as de Pedro Martins, ao se tratar do departamento de futebol, equivocadas, como a de Gabriel Lima, ao afirmar que pensava na Raposa jogando na Arena MRV, e desastrosas, como a de Ronaldo, ao culpar torcedores e imprensa pelo insucesso celeste em campo, mas tirar o corpo fora quando perguntado sobre as responsabilidades da gestão. Além disso, ações como a mudança arbitrária do Raposão e a insistência em utilizar uma combinação de uniforme diferente da tradicional do clube, e depois uma votação inesperada sobre o tema, que nunca esteve em pauta fora das salas de reunião da Toca, causaram irritação em parte dos torcedores.

Além disso, os cruzeirenses costumam reclamar do programa de sócio-torcedor do clube, o Sócio 5 Estrelas, e uma expansão, prometida após o título da Série B, é esperada desde então. Entre as principais reivindicações, estão:

  • Melhores benefícios para os participantes — muitos enxergam que o preço das modalidades é alto para o que é oferecido;
  • Preferência na compra de ingressos por frequência no estádio
  • Maior facilidade no resgate de produtos oficiais por pontuação — atualmente as pontuações que possibilitam o resgate são consideradas altíssimas para as que são ganhas por jogo;
  • Preços mais baixos para os planos e ingressos;
  • Melhor comunicação do programa para com os cruzeirenses.

O que esperar do Cruzeiro fora de campo em 2024?

Os avanços conquistados pela diretoria do Cruzeiro fora de campo são, com o perdão do trocadilho, fenomenais, e permitem que o clube, enfim, consiga sair junto da maior parte dos seus adversários na hora de planejar a temporada, e não muitos passos atrás. A organização e profissionalismo resgataram a credibilidade perdida, fazendo com que a Raposa deixasse de ser enxergada como um pária dentro do futebol brasileiro.

Os problemas apontados, por sua vez, causaram grande ruído, mesmo tendo eles soluções mais simples que aqueles resolvidos, como a aprovação Recuperação Judicial, grande foco da SAF celeste em seus primeiros anos de gestão. Por isso, a tendência é que essas questões, que são emergenciais, mas menos que a RJ, sejam melhor tratadas no ano de 2024, quando o clube, inegavelmente, terá menos problemas para lidar. Uma melhor comunicação e um programa de sócio-torcedor mais atrativo aproximará o Cruzeiro de seu torcedor, fazendo o clube mais forte no cenário nacional.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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