Nova Copa do Brasil não convence, mas calendário da CBF tem boas decisões
Divisões menores foram as melhores ajustadas pela federação, que segue favorecendo os grandes na copa
A CBF anunciou grandes mudanças para o calendário do futebol brasileiro a partir de 2026. Não, as Datas Fifas ainda não serão respeitadas de verdade, mas existem pontos interessantes, seja para o bem ou para o mal.
As mudanças mais interessantes parecem estar nas Séries C e D, que realmente precisavam de uma repaginada para melhor representar o tamanho e o número de clubes do Brasil.
Já a Copa do Brasil, que também merecia uma mudança, acabou indo para um lado muito mais negativo que positivo, principalmente para as equipes menores.
E os estaduais, que já eram uma alvo fácil, devem ser ainda mais esmagados pelo Brasileirão.
Mas por que cada um desses pontos foi bom ou ruim? A Trivela detalha as principais decisões para você.
Funil da Copa do Brasil continua muito estreito
O aumento de clubes na Copa do Brasil é um dos acertos da CBF no novo calendário, já que ter menos de 100 times em sua copa nacional é muito pouco para um país com a dimensão do Brasil e com o número de equipes no território.
O problema é que o novo formato não resolve o que era o maior problema dos últimos anos: o funil extremamente estreito para as equipes menores que jogam a competição desde o início.
Para que os clubes da Série A entrem apenas na nova quinta fase, 106 dos 126 times participantes serão reduzidos a apenas 12 para se juntar a quem está na principal divisão do futebol nacional.
Não dá para que o início de uma copa nacional com um número ainda baixo de clubes seja simplesmente uma seletiva para descobrir quem “merece mais” enfrentar os times da Série A, ainda mais com o rótulo de “competição mais democrática do país”.
Inglaterra e França, por exemplo, têm um funil muito melhor. Existe sim um longo caminho para os times que iniciam o torneio, mas a diferença é muito grande se fala da participação de 745 e 8,5 mil times, respectivamente
Uma copa nacional deveria ser muito mais sobre a possibilidade de colocar realidades diferentes em campo e dar a oportunidade de seguir para quem foi mais competente naquele dia, independente se Time A é muito melhor que Time B na teoria.
E em mais um movimento que favorece os times da Série A, a quinta fase é a primeira que terá jogos em ida e volta, minimizando a possibilidade de uma zebra (vide quando o Maringá venceu o Flamengo na ida e acabou goleado no Maracanã em 2023, mesmo caso do 4 de Julho contra o São Paulo em 2021).
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Final da Copa do Brasil em jogo único parece erro
Com o Brasileirão em pontos corridos e a Libertadores em final com jogo único, a única oportunidade que os times tinham de receber uma decisão grande em casa no calendário era a Copa do Brasil. Agora, eles não terão nem isso.
Colocar a decisão em jogo único depois de ter quatro fases em jogos de ida e volta apenas para agradar os grandes é uma decisão que não faz muito sentido se pensar no calendário. A quinta fase poderia ser em jogo único e a final em dois jogos caso o maior problema fosse o número de datas.
Por mais que o presidente da CBF, Samir Xaud, tenha anunciado que as semifinais e a final terão um mês de distância para que o torcedor consiga se programar, ainda existe uma grande dificuldade com as dimensões do país, malha aérea e o preço atual das passagens.
Imagine uma final entre Athletico e Internacional – que aconteceu em 2019 –, por exemplo, em Manaus. Em buscas feitas nesta quarta, o preço para uma passagem para daqui um mês seria de pelo menos R$ 1,7 mil com longos trajetos. Sem contar a hospedagem, que com certeza teria um boom nos valores durante o período.
Finais em jogo único funcionam na Europa porque as dimensões dos países são menores e existem mais companhias aéreas low cost. Se formos falar apenas de copas nacionais, é muito fácil chegar a Londres de qualquer lugar do país de trem ou até ônibus.
Brasileirão cedo pode ter efeito grande nos estaduais
Para poder respeitar a parada para a Copa do Mundo e tentar terminar o calendário mais cedo, o Brasileirão terá sua primeira rodada já em janeiro, no meio dos estaduais. E isso pode impactar os campeonatos locais até mais que a mudança para apenas 11 datas.
Com o Brasileirão começando mais cedo, os times podem ter que fazer mais escolhas sobre como usar seus elencos. Hoje, algumas equipes da Série A já começam os estaduais com jovens e vão acrescentando os profissionais ao longo do tempo, até porque as regras dos campeonatos não permitem o uso apenas de jovens.
Logicamente, os clubes devem dar prioridade ao Brasileirão desde o início, tentando usar times mais alternativos durante o período, ainda mais que a Libertadores também começa mais cedo no ano. Pode ser algo bastante positivo para quem briga tanto para que o clube que torce use mais a base nos torneios.
É bom que os torcedores já se acostumem com a possibilidade de que seu time não ganhe o estadual para ter uma melhor chance de ir bem no Brasileirão.
Série C com mais jogos e melhor planejamento é um grande acerto
O aumento da Série C, ainda mais feito de forma gradual e de forma bem planejada, é provavelmente uma das melhores decisões anunciadas pela CBF nesta quarta.
Em um país como o Brasil, ter apenas 20 times na Série C sempre pareceu um desperdício, ainda mais com um bom trabalho de regionalização no início para manter a competição acessível no mérito financeiro.
Uma Série C com 28 times, divididos em dois grupos de 14, com os seis piores sendo rebaixados em prol de seis novos clubes vindos da Série D é um bom formato para o longo prazo.
Mudança na Série D tem um contra, mas os prós são melhores
Muito se falou na possibilidade da criação de uma Série E, mas no momento uma consolidação da quarta divisão é a melhor opção.
A partir de 2026, a competição sai de 64 para 96 clubes. Na primeira fase, eles serão divididos em 16 grupos de seis clubes, com os dois melhores passando para o mata-mata.
Aqui é a principal questão negativa. Hoje, os times da Série D jogam pelo menos 14 partidas antes de irem para o mata-mata. Existe um tempo maior para consolidar seu time e buscar o melhor nível antes da fase eliminatória.
No entanto, esse é o único ponto que parece negativo.
Ter uma maior abrangência para clubes na divisão de entrada do futebol brasileiro é bastante positivo e ainda melhor o fato de que a CBF resolveu garantir vagas para quem foi ao mata-mata no ano anterior.
A mudança pode ajudar times a criar trabalhos mais constantes – as possíveis participações nas competições regionais podem ajudar nisso também – e até se estruturarem melhor na busca pelo tão sonhado acesso.
E por fim, o aumento de clubes ainda é bem fundamentado também com a mudança no número de acessos: serão seis, ao invés de quatro, com os quatro perdedores das quartas de final disputando um playoff pelas últimas duas vagas.