O estilo e as ideias de Luís Castro: Como treinador pretende revolucionar jeito do Grêmio jogar
Trivela traz uma análise de como o técnico português armou suas equipes e pode se encaixar no Tricolor gaúcho
O primeiro ato da gestão de Odorico Roman como presidente do Grêmio foi anunciar Luís Castro como novo técnico do clube. O português assinou contrato com o Tricolor até o final de 2027.
O vínculo por duas temporadas é um sinal do que o clube gaúcho pretende com a contratação do técnico de 64 anos. A nova diretoria tem em Luís Castro o pilar de seu projeto para o Grêmio a médio e até mesmo longo prazo.
O treinador chega com aval para revolucionar a maneira com que o clube irá jogar futebol. E isso se aplica não apenas à equipe principal, mas também às categorias de base — ponto fundamental para a sua contratação.
A Trivela disseca as principais ideias de jogo de Luís Castro, assim como a maneira que suas equipes costumam atuar.
Como deve jogar o Grêmio de Luís Castro
Luís Castro vem de trabalhos pelo Botafogo e pelo Al-Nassr de Cristiano Ronaldo. O pedido do português por sua contratação, inclusive, foi o que o levou a deixar o clube carioca em meio a uma ótima campanha no Brasileirão de 2023, que acabou conquistado pelo Palmeiras.
Rupturas à parte, o treinador se mantém fiel a um padrão de jogo bem definido e que aplicou com dinâmicas e movimentações que não mudaram em suas duas últimas equipes.
Luís Castro costuma armar as suas equipes no 4-2-3-1, com variações para o 4-3-3 e o 4-1-4-1, mas sempre com vocação ofensiva. Os pontos-chave de seu jogo, aliás, são a agressividade e a verticalidade.
A construção do jogo
O treinador prioriza uma construção mais direta — mas sempre iniciando as jogadas por baixo. É um estilo de jogo que preza pela objetividade. Suas equipes não costumam ficar muito com a posse à espera de brechas para entrar na defesa adversária. A ideia, pelo contrário, é agredir para provocar situações de gol.
A saída de bola é variável e costuma se adaptar ao contexto do jogo. Se a equipe adversária adiantar suas linhas para marcar alto, Castro costuma fazer uma saída mai sustentada, com uma linha de quatro jogadores e dois volantes bem próximos. Caso haja mais espaço, ele é adepto da saída de três.
Agressividade e linhas altas
Castro costuma armar suas equipes para serem agressivas com e sem a bola. Por isso, a primeira linha defensiva costuma atuar sempre bastante adiantada, para encurtar o campo e favorecer o sistema de marcação com pressão alta.
Não é raro, inclusive, que seus zagueiros adotem algumas perseguições individuais.
Com seu estilo de jogo ofensivo, o treinador costuma povoar o campo de ataque, por vezes com até cinco jogadores na última linha, mais adiantada. E ele costuma adotar extremas e laterais que atuam rentes às linhas laterais para “abrir” o campo.
— A questão dos ataques rápidos, com inversão de corredor, tem dois pontos. O ponta pressiona muito. Então é preciso ter esse tipo de jogador no elenco, e com a saída do Kike, eles devem ir atrás de um ponta que tem esse papel. E o 9 também. Tanto com o Braithwaite quanto com o Carlos Vinícius, eles vão ter muito protagonismo na equipe. Todas as jogadas terminam neles. E o Luís Castro prioriza que o atacante tenha poucos toques na jogada. É o perfil deles — analisa João Takahashi, do “Footure”.

Meias com liberdade
Pelo estilo de jogo que o treinador pretende adotar, Franco Cristaldo é um nome que pode voltar a ganhar espaço em 2026, por mais que a diretoria busque um novo camisa 10 no mercado.
Castro gosta que seus meias tenham liberdade de movimentação e estejam sempre próximos da bola. A ideia é que o armador participe bastante do jogo com toques curtos ou de primeira para dar dinâmica à equipe. E também que encontre os passes em profundidade para o centroavante.
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Arthur será o “coração” do Grêmio de Luís Castro
Luís Castro costuma armar suas equipes com dois volantes “construtores” para ditar o ritmo da equipe e ser responsáveis pela transição ofensiva. No início do ano, a tendência é de que Dodi forme dupla com Arthur. Depois, com o retorno de Villasanti, esta deve ser a parceria titular.
Arthur, aliás, será o “coração” da equipe, com características “perfeitas” para o que o treinador pretende. Inclusive, esta combinação tornam a sua renovação de contrato ainda mais essencial.
— O volante para mim é determinante dentro de uma equipe. Na construção, procuramos o homem que tem capacidade para fazer isso. Ele é o “farol” dentro da equipe. Porque quando a equipe está perdida, está em apuros, tem que procurá-lo para resolver. Par ele resolver o jogo. A equipe tem um coração. Esse coração são os jogadores que estão no meio da equipe. Que decidem os caminhos de dar a bola — Luís Castro, em entrevista ao “Footure”.

Estilo de Luís Castro deve obrigar Grêmio a reformular defesa
De imediato, o estilo de jogo de Luís Castro joga luz ao sistema defensivo do Grêmio. O treinador gosta de laterais que sejam muito agressivos e de zagueiros ágeis e de maior velocidade.
Tanto para exercer o sistema de marcação alta, quanto para “correr para trás” em eventuais situações em que o adversário consiga escapar da pressão. Por isso, o Grêmio deve ir ao mercado em busca de um defensor com estas características. Na direita, Marcos Rocha tem sua titularidade ameaçada.
— Talvez pelo Castro jogar com uma linha média, ou alta, os zagueiros sejam insuficientes. O Grêmio deve ir ao mercado para ter um zagueiro com mais mobilidade e velocidade, porque vejo que o Grêmio pode ter dificuldade nessa questão — analisa Takahashi.



