Brasil

Leila foi a única dirigente com coragem de dizer verdade sobre Dani Alves e Robinho

Presidente do Palmeiras se manifestou sobre Daniel ter deixado a cadeia mediante pagamento, com a ajuda de Neymar

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, fez o que nenhum outro dirigente ou personalidade do futebol teve a coragem de fazer: falar criticamente sobre Daniel Alves ter comprado sua liberdade, após ser condenado por estupro na Espanha.

De Londres, onde chefia a delegação da seleção brasileira que jogará amistosos com a Inglaterra e a Espanha, a dirigente ainda trouxe a reboque o caso Robinho. Na noite de quarta-feira, e ex-Menino da Vila teve sua pena outorgada na Itália, também por estupro, validada pelo STJ para cumprimento no Brasil.

“Ninguém fala nada, mas eu, como mulher aqui na chefia da delegação da Seleção Brasileira, tenho que me posicionar sobre os casos de Robinho e Daniel Alves. Isso é um tapa na cara de todas nós mulheres, especialmente o caso do Daniel Alves, que pagou pela liberdade. Acho importante eu me posicionar. Cada caso de impunidade é a semente do crime seguinte”, disse a dirigente, nesta quinta (21), ao UOL.

Só pelo fato se ser a única dirigente a se manifestar sobre o assunto, Leila Pereira já mereceria aplausos. Mas por tê-lo feito na concentração da seleção brasileira, onde os dois jogadores reinaram e certamente têm muitos amigos, é ainda mais corajoso.

Quando se leva em conta que Neymar é, há mais de uma década, o dono do time da CBF, é até difícil mensurar o significado do gesto da dirigente. Vale lembrar que foi a fortuna do jogador do Al Hilal quem tirou Daniel da cadeia no país Ibérico.

Leila poderia ficar calada, mas não fica

É claro que Leila goza de uma posição privilegiada. Bilionária, não está no futebol para se catapultar profissionalmente e, por isso, pisa menos em ovos do que outros presidentes de clube. Mas justamente por isso, poderia muito bem se calar.

Afinal, por que ela, uma novata no meio, já discriminada pelo simples fato de ser uma mulher no futebol, abriria a boca para falar de um assunto tão espinhoso?

Leila fala porque sabe o peso que tem. Pela mesma razão que convida apenas mulheres para uma entrevista coletiva e colocou duas mulheres como vice-presidentes na sua chapa: representatividade.

Pode-se discordar sobre a posição de Leila em diversos assuntos: sua visão política, a natureza de seus negócios, a maneira como administra. Mas algo que ela sabe é que mais mulheres devem estar em evidência no futebol. E que seu exemplo pode ser o catalisador para tal movimento.

Crescimento externo x dificuldades no Palmeiras

Aos olhos do público geral, Leila Pereira está conquistando um número cada vez maior de admiradores. Torcedores de outros clubes veem nela uma coragem que gostariam de ver nos seus dirigentes.

Leila aprendeu a manejar o canhão de exposição que é comandar o Palmeiras. Com a autoridade de ser a única mulher presidente de um clube nas Séries A e B do Brasil, Leila também demanda dos seus opositores e rivais um pouco mais de decoro.

Nem o finado Juvenal Juvêncio, do São Paulo, que chamou Andrés Sanchez, do Corinthians, de “mobral incompleto”, deixaria de pensar duas vezes em como se portar num debate público com Leila.

A combinação de bons resultados no campo, manutenção de Abel Ferreira no comando do time e a influência em espaços como a Globo, por exemplo, onde recentemente esteve, no Mais Você, só fazem crescer o mito em torno da “Tia Leila do Palmeiras”.

Curiosamente, no clube, ela nunca teve tanta oposição. No fim do ano, ao contrário de 2021, ela enfrentará uma candidatura de oposição nas eleições. Rompida com a Mancha Verde, tem também contra si a maioria da arquibancada.

Que Leila merece algumas críticas, em especial pela maneira como conduz aspectos políticos e politiqueiros no Palmeiras, não resta dúvida. Mas houve presidente muito piores do que ela, em todos os aspectos, que nunca receberam nem parcela das críticas que lhe são feitas. Por que será?

Como disse Abel Ferreira em uma entrevista coletiva recente, “se reclamam do Palmeiras…”

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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