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Leila terá concorrência na eleição, com Palmeiras menos dependente de seu patrocínio. Se ela perder, a Crefisa fica?

Palmeiras vai definir seu próximo presidente, e seu próximo patrocinador, no fim deste ano

Lançada nesta terça-feira, a chapa Palmeiras Avante concorrerá contra Leila Pereira nas eleições de novembro. Será a primeira vez que a atual dirigente terá adversários na disputa. Em 2021, ela foi candidata única. Ainda não há o nome de quem vai enfrentá-la.

Com o fim do mandato de Leila, também se encerrará o contrato de patrocínio do clube com a Crefisa e a FAM, empresas que pertencem a ela. Se no passado, os R$ 80 milhões anuais do acordo eram cruciais para o clube, hoje, o mercado já mostrou haver outras empresas dispostas a investir até mais que isso para serem parceiras do Verdão.

Leila afirmou, em diversas ocasiões recentes, que abrirá uma concorrência para definir quem colocará sua marca na camisa do time de futebol a partir do próximo ano. E que a Crefisa só permanecerá se puder fazer a melhor proposta — vale frisar que o atual contrato permite que ela iguale uma oferta para permanecer.

Em outras palavras, Leila é quem decide se vai seguir no Palmeiras. E por que ela só pode agir dentro de seu mandato, a concorrência tem de ser encerrada antes do fim do ano, obrigatoriamente. Mas o que acontecerá se a Crefisa ganhar a concorrência, mas Leila perder o pleito?

O Palmeiras Avante, entre outras razões, surgiu de um forte movimento de “anti-leilismo”. Para além de sua atuação administrativa, membros ligados ao grupo entendem que a presença dela, mesmo como patrocinadora, tem efeitos negativos.

Em outras palavras: uma hipotética nova gestão quererá a Crefisa patrocinando? E Leila ainda vai querer patrocinar e/ou seguir na concorrência pela camisa, caso perca a disputa em novembro, um mês e alguns dias antes do fim de seu mandato?

No pleito de 2021, a presidente chegou a dizer que a Crefisa não seguiria patrocinando o time, em caso de derrota na eleição. Vale o mesmo para este ano?

Novo grupo fala em menos personalismo e mais transparência

Conforme o material divulgado à imprensa, o Palmeiras Avante é uma iniciativa pluripartidária, visando fazer uma gestão mais transparente e menos personalista.

Diversos grupos políticos do clube fazem parte do movimento. Os nomes de possíveis candidatos estão sendo analisados, mas a prioridade é definir um plano de gestão capaz de impulsionar o clube, escutando associados e torcida e promovendo a união de diversas alas.

Foi firmado um compromisso entre conselheiras e conselheiros ligados a grupos como Ocupa Palestra, Grupo Arquibancada e Academia, além de nomes independentes e outros que chegaram a fazer parte da gestão atual, mas que ficaram descontentes com a administração iniciada em dezembro de 2021. A Mancha Verde, antagonista da presidente, maior torcida organizada do clube, também faz parte da iniciativa.

Diz ainda o material que “o processo de construção da chapa terá como base um projeto que promova profissionalismo, respeito ao Palmeiras e sua torcida e o fortalecimento das regras de governança e transparência.”

— Estamos unindo grupos e pessoas interessadas em construir um Palmeiras mais democrático, profissional e transparente. Queremos um clube que respeite e esteja mais próximo da sua torcida, sócias e sócios. Acreditamos que o Palmeiras pode ser ainda mais forte adotando melhores práticas de gestão e governança — Essa fala é atribuída ao conselheiro Felipe Giocondo, coordenador do movimento.

— Nosso futuro candidato ou candidata deverá se comprometer com as ideias e propostas que vamos construir de maneira colaborativa, inclusive com espaço para associados e torcedores serem ouvidos — complementa.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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