Lado B de Brasil

Reerguido pelo Baenão em êxtase, o Remo conta com a estrela de Vinícius nos pênaltis e conquista pela primeira vez a Copa Verde

Remo venceu o Vila Nova na marca da cal e levou o troféu inédito na Copa Verde, pouco depois de seu rebaixamento na Série B

Desde que a Copa Verde foi criada, o Pará sempre registrou um desempenho expressivo. Todas as finais contaram com um representante paraense, embora os vices sejam mais frequentes que os títulos. E se o rival Paysandu tinha duas taças, o final de semana guardou a inédita comemoração do Remo, campeão pela primeira vez do torneio. Os remistas tinham dois vices, incluindo um mais recente em 2020. Já neste sábado, após empate por 0 a 0 que repetiu o placar da ida, a conquista veio com a vitória por 4 a 2 sobre o Vila Nova nos pênaltis. O resultado no pulsante Baenão ainda valeu de revanche aos azulinos, que tinham perdido a Série C de 2020 para os colorados.

A temporada do Remo acaba marcada pelo rebaixamento na Série B, mas a campanha na Copa Verde compensou com um desempenho impecável. O Leão Azul levou a taça de maneira invicta, com placares contundentes desde as fases iniciais. Enfiou 9 a 0 no Galvez, antes de bater o Manaus por 3 a 0 nas quartas de final. Já a semifinal contou com o clássico diante do Paysandu e os remistas se deram melhor, com o empate por 2 a 2 seguido por um triunfo por 2 a 0. Isso até que a final providenciasse o reencontro com o Vila Nova, algoz na decisão da Terceirona em 2020.

O primeiro duelo aconteceu em Goiânia, mas as duas equipes não foram capazes de sair do 0 a 0. O Vila Nova teve um gol anulado e uma bola no travessão, mas o Remo também cresceu no jogo e não conseguiu marcar. A definição acabaria para o Baenão, onde a torcida azulina marcaria forte presença. De novo o placar permaneceria zerado. Num jogo equilibrado, o Tigre quase marcou o gol do título aos 32, numa bola na trave de Clayton. O Leão tentaria a resposta depois disso, mas sem sucesso. Desta maneira, a definição terminaria nos pênaltis, onde os paraenses se consagrariam.

Ambas as equipes acertaram as duas primeiras séries de cobranças, até que o goleiro Vinícius começasse a ampliar sua imagem de ídolo no Baenão. O arqueiro remista pegou o chute de André Krobel de maneira incrível e logo depois se agigantou também diante de Jonathan Cardoso. Com as duas defesas decisivas, o caminho dos azulinos se abriu e o time da casa manteve o aproveitamento perfeito nas cobranças. Desta maneira, coube a Fredson antecipar o serviço e concluir a vitória por 4 a 2.

O fim da disputa rendeu um efusiva comemoração no Baenão. Vinícius deixa esta Copa Verde ainda maior para o Remo. Se o goleiro já era considerado entre os maiores de sua posição na história azulina, a maneira como decidiu a final pesa ainda mais para sustentar sua idolatria. Carrasco do Paysandu na semifinal, Neto Pessoa terminou como artilheiro do torneio, com nove gols. Outro personagem importante é o técnico Eduardo Baptista, que chegou temporariamente para tentar salvar o time na Série B, não conseguiu, mas alcança um feito inédito antes de retornar ao Mirassol. E a torcida remista mais uma vez escancarou sua paixão, empurrando o time mesmo depois do rebaixamento na Segundona.

O título coloca o Remo diretamente na terceira fase da Copa do Brasil em 2022. Além disso, o clube leva um prêmio superior a R$1,8 milhão – considerando os R$150 mil da Copa Verde e o R$1,7 milhão que virá da Copa do Brasil. Mais importante, ainda assim, é o troféu inédito na estante. O Remo tinha sido vice-campeão em 2015 e 2020, além de ter caído nas semifinais em outras três edições da Copa Verde. O novo título permite o rugido do Leão, mesmo que o orgulho estivesse ferido pelo rebaixamento. A euforia exibida no Baenão serve de prova ao reerguimento dos remistas neste fim de ano.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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