Lado B de Brasil

O gol espetacular de Emerson Bacas, da intermediária defensiva e com direito a caneta, vale infindáveis replays

Ver alguém marcar o “gol que Pelé não fez” se tornou um tanto quanto trivial. Com as mudanças do futebol exigindo um posicionamento cada vez mais adiantado dos goleiros, é até natural que mais gols do meio-campo saiam. Ainda assim, o que Emerson Bacas realizou pelo Fast Clube nesta quarta-feira foi especial – apesar da facilidade permitida pelo arqueiro. Primeiro, porque seu chute saiu da intermediária defensiva, antes mesmo do círculo central. Depois, porque o toque de classe foi dado antes da finalização, com uma caneta desconcertante no marcador, que passou lotado no carrinho. Por esse tempero a mais, é um virtual candidato ao Prêmio Puskás.

Bacas foi o nome do jogo na Arena da Amazônia, durante a vitória por 3 a 0 sobre o Iranduba, pelo Campeonato Amazonense. O camisa 50 saiu do banco no intervalo e estava inspiradíssimo. Logo de cara, arriscou da intermediária e carimbou o travessão. O primeiro gol do Fast teria uma assistência do substituto, servindo Ariel. Aos 24, viria o gol de placa, encobrindo o goleiro Big do campo de defesa. Por fim, a tarde de gala guardaria seu segundo tento já nos acréscimos.

“Creio que tem que estar sim (entre os candidatos ao Puskás). O que fez o gol ficar bonito foi a caneta”, declarou Bacas, ao Globo Esporte. “Percebi o goleiro adiantado desde o primeiro tempo. Por incrível que pareça eu até avisei ao juiz (Halbert Luis Moraes Baia) que iria fazer o gol dali do meio-campo. Ele olhou para mim e deu uma risada e falou: ‘será?’ Já imaginava (essa repercussão) por ser um gol que o nosso rei do futebol não fez”. Resta saber se a Fifa estará disposta a promover um novo Wendel Lira em 2021.

A dica veio do leitor Homero Queiroga. Valeu!

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo