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Novorizontino faz campanha histórica e sobe para a Série C depois de 10 anos da sua fundação

O Novorizontino vai jogar pela primeira vez na sua história a Série C do Campeonato Brasileiro. O Tigre, fundado em 2010, jogava pela terceira vez a Série D consecutivamente e em 2020 jogou também a Copa do Brasil. O time paulista conseguiu a vaga na terceira divisão depois de vencer o Fast Club, de Manaus, pela segunda vez nas quartas de final. Com isso, se une a Mirassol, Altos-PI e Floresta-CE, outros clubes que conquistaram o acesso. Será a primeira vez que dois clubes de uma mesma federação sobem ao mesmo tempo na Série D.

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Uma campanha de destaque

Na primeira fase, o Novorizontino esteve no Grupo 8 e terminou como líder da chave. Nesta primeira fase, os oito times de cada grupo se enfrentaram em ida e volta, totalizando 14 jogos. O Tigre venceu nove, empatou quatro e teve só uma derrota. Classificou-se com 31 pontos, oito a mais que o segundo colocado, São Luiz-RS.

A segunda fase já foi no formato mata-mata. O Novorizontino teve pela frente o FC Cascavel pela frente e perdeu o jogo de ida por 1 a 0, fora de casa. Na volta, os paulistas venceram com sobras, 3 a 0, e avançaram para as oitavas de final. Desta vez, o adversário foi o Goiânia. Na capital de Goiás, os dois times empataram por 1 a 1. Na volta, mais uma vez o Novorizontino atropelou: 4 a 0, com classificação mais uma vez garantida.

As quartas de final são o momento crítico da Série D, porque é o mata-mata que vale o acesso à Série C. O duelo do Novorizontino foi o Fast, que também fazia uma boa campanha. Na primeira fase, o time amazonense estava no Grupo 1 e terminou em segundo lugar, com 26 pontos, um atrás do Bragantino-PA. Em 14 jogos, foram sete vitórias, cinco empates e duas derrotas.

Na segunda fase, o Fast teve dificuldades contra o Moto Club, do Maranhão. Depois de um empate por 2 a 2 fora de casa, os amazonenses empataram por 1 a 1 em casa e tiveram que decidir a vaga nos pênaltis. Venceu por 6 a 5 e avançou para as oitavas de final.

O adversário seguinte do Fast foi o Globo, do Rio Grande do Norte. Fora de casa, os amazonenses foram derrotas por 2 a 1. Em casa, mais uma vez o Fast precisou dos pênaltis. Venceu por 1 a 0 no tempo normal e, na disputa dos pênaltis, venceu mais uma vez por 6 a 5.

Novorizontino venceu fora e dentro de casa

Cléo Silva comemora o gol do Novorizontino (Maria Paula Laguna/Novorizontino)

Até pelas campanhas, o Novorizontino entrou como favorito. A campanha foi mais sólida e o time mostrou autoridade nos duelos eliminatórios anteriores, enquanto o Fast sofreu para avançar nas duas fases. Ainda assim, o confronto começa sempre aberto e é preciso confirmar em campo. A Série D é repleta de histórias de times que sobem de rendimento no momento decisivo e avançam para subir de divisão.

Desta vez, porém, o Novorizontino se impôs já desde o primeiro jogo, fora de casa. Venceu por 1 a 0 na Arena da Amazônia, com gol de Guilherme Queiróz, e precisava só de um empate na volta. No estádio Jorge Ismael de Biasi, o Tigre mostrou a sua força habitual, venceu com tranquilidade e conquistou um acesso importantíssimo para o clube.

Logo no primeiro minuto do jogo, Cléo Silva abriu o placar para o Novorizontino. Ampliou aos 13, com um golaço de Guilherme Queiroz. Ainda no primeiro tempo, o Tigre ampliou para 3 a 0, desta vez com o meia Danielzinho. Os dois times caíram de ritmo na segunda etapa. O Novorizontino já tinha a vaga na mão e o Fast já não parecia ter força e nem ânimo para brigar para tirar algo do jogo.

Com a vitória e a classificação o Novorizontino avança à semifinal, além de conquistar a vaga na Série C. O confronto semifinal será contra o Floresta, do Ceará, e vai decidir novamente em casa, onde ainda não perdeu nesta edição da Série D. A outra semifinal terá o outro clube paulista, Mirassol, contra o Altos-PI.

Este Novorizontino não é aquele da final de 1990

O atual clube, Grêmio Novorizontino, não é o mesmo que chegou à final do Campeonato Paulista de 1990, na chamada final caipira contra o Bragantino. Aquele, o Grêmio Esportivo Novorizontino, foi fundado em 13 de março de 1973 e encerrou as atividades em 1999. Aquele time chegou a jogar a Série C do Brasileirão em 1994, quando foi inclusive campeão.

A falência do clube fez com que a cidade ficasse sem um clube profissional até a fundação do atual Grêmio Novorizontino. Para fins históricos e estatísticos, são dois clubes diferentes, ainda que com escudos e uniformes similares. Depois da sua fundação, o atual Grêmio Novorizontino disputou todas as divisões inferiores do Campeonato Paulista, a segunda divisão e Séries A3, A2 e, finalmente, A1, a primeira divisão, onde está desde 2016.

“Somos a equipe que mais pontuou na competição”, diz técnico

O técnico do Novorizontino, Roberto Fonseca (Lucas Valéo/Novorizontino)

“O acesso envolve muitas coisas, sonhos e objetivos. Viemos esse ano já conhecendo a competição, soubemos jogá-la melhor, e graças a Deus, fomos coroados com o acesso. Alcançamos o maior objetivo, e agora temos que focar, concentrar e ter a ambição para ser campeão. Temos mais um mata-mata pela frente, para chegar a uma final”, disse o meia Danielzinho depois do jogo, ao site do clube.

“Estou muito feliz com o gol, que para mim é um dos mais bonitos que já fiz com a camisa do Grêmio Novorizontino, e principalmente pelo acesso. A união que tivemos, só nós sabemos. É uma alegria muito grande. Eu sou de Novo Horizonte, é a minha quinta passagem, e o meu terceiro acesso. Só posso agradecer”, falou o atacante Guilherme Queiroz.

“Desde o começo, nós sentimos que o grupo comprou a ideia do acesso, focamos nisso. Colocamos como meta fazer uma campanha consistente, e conseguir o acesso, e foi o que fizemos. Somos a equipe que mais pontuou na competição. Então, foi uma equipe competitiva e madura, que sabia o que queria”, disse o técnico Roberto Fonseca.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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