Lado B de Brasil

Nos pênaltis, o Brasiliense superou o Remo em Belém e levou o troféu da Copa Verde para a capital

O Brasiliense prometia uma campanha histórica na Série D, mas ficou na vontade. Depois de um excelente desempenho na fase de classificação, o Jacaré acabou cruzando o caminho do Mirassol e sucumbiu ao futuro campeão. Se não deu para abocanhar o almejado acesso, o clube da capital deu a volta por cima com um título inédito nesta quarta-feira: se sagrou campeão da Copa Verde de 2020. Depois de vencer a partida de ida por 2 a 1, o Brasiliense tinha a vantagem do empate, mas tomou o troco do Remo no Mangueirão também por 2 a 1. Assim, a definição da taça ficou para os pênaltis e o Jacaré se deu melhor, com o triunfo por 5 a 4 na marca da cal.

Este foi o primeiro título regional do Brasiliense. O Jacaré conquistou a Série C em 2002 e a Série B em 2004, além de ter feito a decisão da Copa do Brasil em 2002, mas sua ascensão foi posterior à existência da antiga Copa Centro-Oeste. Já na Copa Verde, o clube da capital não tinha se dado bem nas três participações anteriores. Na melhor campanha, alcançou a semifinal em 2014, mas perdeu o duelo local contra o Brasília e viu os rivais levarem o troféu inaugural ao Distrito Federal. Quase sete anos depois, a espera se encerra.

O Brasiliense manteve para a Copa Verde parte da base que se destacou na Série D. Entre os nomes mais conhecidos, alguns medalhões que permeiam o Jacaré há décadas. Artilheiro da quarta divisão, Zé Love manteve seu lugar no ataque. Também estiveram presentes o meia Carlos Eduardo e o volante Radamés. Já entre os menos badalados, um destaque que repetiu seu peso foi o meia Lucas Ferreira. O treinador Vilson Tadei, por sua vez, chegou em dezembro.

O Brasiliense começou na Copa Verde eliminando Vitória-ES e Luverdense. Nas quartas de final, bateu os reservas do Atlético Goianiense, com duas vitórias. Já na semifinal, a classificação aconteceu em cima do Vila Nova, campeão da Série C. Apesar do triunfo em Goiânia, o Jacaré perdeu no DF e precisou buscar a classificação nos pênaltis. Seria uma prévia do que ocorreria diante do Remo.

O Brasiliense deu um passo fundamental com a vitória por 2 a 1 na ida. Wallace abriu o placar para o Remo no Estádio Mané Garrincha, mas Julen e Aldo viraram. Já no Mangueirão, o placar se inverteu. Os remistas saíram em vantagem com Fredson, num primeiro tempo dominado pelos anfitriões. Zé Love deixou tudo igual para os brasilienses logo na volta ao segundo tempo, mas a expulsão de Wagner Balotelli atrapalhou os planos dos visitantes. Assim, o caminho ficou aberto para que os paraenses retomassem a vantagem, com Rafael Jansen. O time de Paulo Bonamigo pressionou no final, mas lamentou as oportunidades desperdiçadas, com direito a uma bola de Dioguinho na trave.

Com o placar mantido, a decisão acabou na marca da cal. Durante a disputa por pênaltis, Lucas Siqueira perdeu o segundo tiro do Remo, defendido pelo goleiro Edmar Sucuri, mas Sandry também falhou logo depois pelo Brasiliense, parado pelo capitão Vinícius. Assim, a definição acabou nos pés de Wellington Silva. O lateral isolou diante de Edmar Sucuri e deu a taça de bandeja para o Brasiliense.

Este foi o terceiro vice do Remo na temporada, depois de perder o Parazão e a Série C. A Copa Verde, aliás, é um terreno infértil para o clube paraense. O Leão já tinha sido vice outra vez, em 2015, quando perdeu a final numa virada incrível do Cuiabá. Desde a primeira edição em 2014, sempre um clube do Pará disputou a decisão da Copa Verde, com ainda duas taças e três vices ao Paysandu. O Mato Grosso possui três troféus, dois do Cuiabá e um do Luverdense, enquanto o Distrito Federal celebra seu segundo campeão.

O Brasiliense garante, além da taça inédita, também um lugar na terceira fase da Copa do Brasil de 2021. O mais importante, mesmo assim, é o peso do título regional ao Jacaré. O clube atravessou uma década bem menos vitoriosa nos anos 2010 e não leva o troféu do Campeonato Brasiliense desde 2017. O feito na Copa Verde pode ser uma motivação importante ao principal objetivo, que é se restabelecer nas divisões nacionais. Os brasilienses estão limitados à Série D desde 2014.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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