Lado B de Brasil

Dois Tigres bem diferentes: Criciúma e Novorizontino garantem acesso à Série B

Fundado há apenas 11 anos, Novorizontino chega à Série B de modo meteórico; Criciúma se recupera do pior momento da sua história e volta à segunda divisão

O fim de semana foi de definição dos dois últimos acessos à Série B. Depois do Criciúma garantir a terceira vaga na segunda divisão no sábado ao vencer o Paysandu em Belém, o Novorizontino também garantiu a subida ao derrotar em casa o Manaus por 2 a 0 neste domingo. Os dois clubes, de histórias tão diferentes, conseguem um acesso importantíssimo em suas histórias. Enquanto o Tigre paulista é uma novidade, um clube que está no início da sua história, o Tigre Catarinense tem história e glórias e buscava a redenção depois de um momento difícil.

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Em abril de 2021, o Criciúma viveu o pior vexame da sua história ao ser rebaixado à segunda divisão de Santa Catarina. Mais do que problemas dentro de campo, o clube vivia um caos fora dele. Em janeiro, o Tigre precisou se reestruturar quase do zero depois de deixar de ser administrado por gestão de ativos. Era um ano terrível para o clube.

Foi preciso um trabalho grande para recolocar o clube nos eixos. O clube teve dois treinadores ao longo da campanha. Paulo Baier ficou à frente dos carvoeiros por 19 jogos. Claudio Tencati assumiu nas cinco partidas finais.

“Esse choro eu venho segurando há muito tempo. Desde aquele momento que passamos no início, eu tinha que fazer algo por esse clube. Eu não poderia sair daqui sem dar a volta por cima. Só Deus sabe as noites em claro que eu passei e o tanto que sofri. Eu e minha esposa não podíamos sair de casa. Mas falei que ia ter força e luta até o fim”, disse o goleiro Gustavo, que viveu o drama do rebaixamento estadual.

O Tigre catarinense vinha de um rebaixamento à Série C em 2019. Em 2020, passou longe do acesso e começou 2021 com a queda estadual. O time se reergueu e repetiu os feitos conseguidos em 2006 e 2010 de subir à Série B do Campeonato Brasileiro. É um clube com muita tradição e história no futebol brasileiro, que vive anos ruins desde ao menos 2019.

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O clube foi fundado em 1947 e já participou da primeira divisão nacional 13 vezes. A última delas em 2013. É um time constantemente na disputa da Série B, com 25 participações. Era a quarta participação na Série C. Aumenta a presença catarinense na Série B, já que a Chapecoense vai cair da Série A. Os dois catarinenses na Série B lutam por objetivos opostos: enquanto o Avaí está na zona de acesso, em terceiro, o Brusque está em 16º, correndo sério risco de rebaixamento.

O Criciúma estará na Série B e espera retomar o que se acostumou a fazer, de ser um local difícil para quem vai até lá e representar bem o estado, que tanto cresceu nos últimos anos. Para um ano que começou como este 2021 para o Criciúma, ele termina com festa da torcida, feliz em retomar as alegrias.

 

Novorizontino chega à Série B com 11 anos de vida

Novorizontino comemora (divulgação / Grêmio Novorizontino)

O Novorizontino mostrou a sua força ao conquistar o acesso à Série B neste domingo. A vitória por 2 a 0 sobre o Manaus garantiu uma vaga na segunda divisão nacional, o que é uma grande conquista para o clube, que tem apenas 11 anos de vida. Apesar do nome ser familiar, o atual Grêmio Novorizontino não é o mesmo que existiu e foi finalista do Campeonato Paulista em 1990.

O Grêmio Novorizontino foi fundado em 1º de março de 2010, quando também se filiou à Federação Paulista e começou a sua trajetória. A cidade não tinha um clube profissional desde que o Grêmio Esportivo Novorizontino faliu e fechou as portas, em 1999. Fundado em 13 de março de 1973, aquele Novorizontino se afundou em dívidas e tinha como uma das suas glórias ter conquistado a Série C, em 1994.

Embora sejam clubes diferentes, o atual Novorizontino tem as mesmas cores, o mesmo mascote, o Tigre, e o hino. O escudo também é similar ao antigo. Até 2012, o clube só tinha disputado campeonatos de base. Foi em 2012 que disputou, pela primeira vez, a Série B Paulista, que é a quarta divisão na estrutura do futebol de São Paulo. Na primeira participação, conseguiu o acesso à Série A3. Em 2014, conseguiu o acesso à Série A2 e, no ano seguinte, em 2015, conseguiu o acesso à Série A1.

O foco, então, passou a ser a disputa de competições nacionais. Para isso, precisava da classificação via Campeonato Paulista. Em 2017, o clube conquistou o primeiro passo nesse sentido: a vaga na Série D para 2018.

Mais uma vez, o Tigre teve uma ascensão incrível. Em janeiro de 2021, ainda pela Série D de 2020, o Novorizontino eliminou o Fast, do Amazonas, e se classificou à Série C pela primeira vez. Agora, na disputa da Série C em novembro do mesmo ano, consegue o inédito acesso à Série B. Vai disputar a segunda divisão.

A vitória sobre o Manaus fez com que o Novorizontino chegasse a nove pontos, na segunda posição do Grupo D. O Tombense foi quem ficou com a liderança da chave e é quem vai disputar a final da Série C contra o Ituano, outros dois clubes que conseguiram o acesso. O Novorizontino, assim como o Tombense, disputará a Série B pela primeira vez na sua história.

Seja para o Tigre Catarinense, com sua história no futebol brasileiro, inclusive a conquista da Copa do Brasil em 1991, seja para o Tigre Paulista, resgatando a história de uma cidade do interior paulista no futebol e que chega pela primeira vez à segundona, o acesso é crucial. Estar na Série B significa ter uma cota de TV, significa um calendário para o ano todo – o que significa receita de bilheteria – e também transmissão de todos os jogos, o que facilita na busca por patrocinadores. Por isso, é uma mudança que faz toda diferença a quem consegue aproveitar.

O interior paulista já tem o Guarani (que ainda luta pelo acesso) e Ponte Preta (que briga para manter-se na Série B). Terá, ao menos, os dois representantes que vem da Série C, Ituano e Novorizontino. O título da Série C será disputado entre Tombense e Ituano, nos dias 14 e 21 de novembro.

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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