Lado B de Brasil

Dá um nó no peito ver a emoção de Thiago Potiguar, como torcedor, pela queda do América-RN

Se um dos grupos da Série C ficou marcado pelo rebaixamento da Portuguesa, não menos notável é a queda do América de Natal na outra chave. Os alvirrubros tinham um compromisso difícil, visitando o Remo no Mangueirão, e o empate por 0 a 0 acabou sendo fatal. Uma década depois da última aparição na elite do Campeonato Brasileiro, o Dragão estará na quarta divisão. E isto porque, há dois anos, os potiguares estavam na Série B, enquanto figuravam nas semifinais da Copa do Nordeste e nas quartas de final da Copa do Brasil. Em um grupo difícil na Terceirona, fizeram uma fraca campanha, enquanto veem o rival ABC com esperanças de acesso, após já ter conquistado o estadual deste ano com goleada no clássico decisivo.

VEJA TAMBÉM: Rebaixamento à Série D é triste, não é o fim da linha para a Portuguesa

A dor da torcida alvirrubra se encarnou em Thiago Potiguar. No clube desde 2015, o camisa 11 não conteve a emoção ao falar sobre o difícil momento. Em entrevista ao Esporte Interativo, ele se colocou no lugar de dois torcedores, um pai e um filho, que foram até Belém na esperança da vitória, mas se frustraram com o placar. Antes de conversar com a repórter, o jogador de 31 anos já tinha compartilhado os seus sentimentos com os alvirrubros. Momento significativo, que demonstra a tristeza pela queda, mas também a paixão em torno do clube para tentar resgatá-lo a partir de 2017. Abaixo, a transcrição e o vídeo do EI:

“Tá aí o resultado. É triste de ver isso, né, cara? Vou chegar em casa e dizer o que pra minha família? Pra minha filha? É duro demais. A gente trabalha, a gente luta. Você viu, se fosse possível hoje eu teinha morrido. Hoje eu tinha morrido com o América. Hoje eu teria dado a minha vida, se fosse possível, para não ver uma tristeza dessa. O cara vem de Natal com uma criança e olha a cara dele! Fica o sentimento. Cara, você não sabe o quanto que eu estou triste”.

“Se eu chegar em casa, minha filha vai me abraçar, vai abraçar o quê? Todo mundo vai dizer que eu sou um derrotado. Nunca passei por isso. Isso é marcante na vida da gente. Desculpe estar falando isso, desculpa estar chorando, mas é um sentimento que está aqui dentro. Se fosse pra dar a vida hoje, eu teria dado. Eu tinha morrido em uma bola. Sinceramente, estou falando do coração. Porque eu gosto, eu amo o América, eu sou um torcedor e todo mundo sabe. Se fosse pra dar a vida eu tinha dado”.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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