Lado B de Brasil

Com brilho especial dos capixabas e excesso de empates, um resumão da ida dos 16-avos de final na Série D

Real Noroeste e Nova Venécia conseguiram as vitórias mais elásticas da rodada, dando destaque ao Espírito Santo

Os mata-matas da Série D começaram neste final de semana. Foram nada menos que 16 partidas espalhadas pelo Brasil, abrindo os caminhos rumo à luta pelo acesso. De uma maneira geral, o equilíbrio prevaleceu. Aconteceram dez empates, seis deles por 0 a 0, além de quatro vitórias pela diferença mínima. Os resultados mais elásticos, coincidentemente, foram protagonizadas por equipes do Espírito Santo. Os capixabas já vinham chamando atenção na fase de grupos e largam bem na nova etapa. O Real Noroeste goleou o Anápolis por 5 a 2, enquanto o Nova Venécia emplacou 3 a 1 diante do Brasiliense – time de segunda melhor campanha até então. Os duelos de volta ocorrem no próximo final de semana.

Quem acabou com o jogo em Águia Branca foi Marcudinho, autor de três gols no baile do Real Noroeste sobre o Anápolis. O atacante já começou fazendo grande jogada para Bruno Menezes abrir o placar e ampliou na pequena área antes do intervalo. A situação ficaria pior aos goianos, com a expulsão de Léo Carvalho. Durante o segundo tempo, Toni Júnior até descontou para o Anápolis. Porém, Marcudinho estava impossível. Vinícius Leandro fez o terceiro do Real Noroeste, enquanto Marcudinho marcou mais dois – um completando contra-ataque e outro de pênalti. No fim, os visitantes diminuíram de novo com Igor Bahia, de pênalti.

O resultado maiúsculo do Real Noroeste se complementa à grande vitória do Nova Venécia sobre o Brasiliense, também no Espírito Santo. Patrick abriu o placar para os capixabas com uma batida no ângulo, de fora da área, mas Wallace empatou logo na sequência para o Jacaré. Todavia, ainda no primeiro tempo, Patrick apareceu novamente para aproveitar um rebote do goleiro Edmar Sucuri e recolocar o Nova Venécia na frente. Durante a etapa final, os anfitriões seguiram com as melhores chances e Caio Monteiro fechou a contagem num erro da zaga. Mesmo as entradas de Felipe Gedoz e Bernardo não auxiliaram o Brasiliense.

As outras quatro vitórias foram conquistadas por visitantes – times que vinham de melhor campanha na fase anterior. O América de Natal é o clube de maior peso entre esses. Os potiguares visitaram o Jacuipense, algoz na quarta divisão em 2019, e ganharam por 1 a 0. O gol na Bahia saiu logo de início: Elvinho bagunçou pelo lado direito e cruzou para o desvio do experiente Édson Silva no meio da área.

O gol mais bonito da rodada foi garantido pelo ASA de Arapiraca. Os alagoanos fizeram 2 a 1 para cima do Afogados da Ingazeira, em Pernambuco. Anderson Feijão assinalou um tento absurdo: arriscou do meio da rua com um chute de trivela no alto e conseguiu encobrir o goleiro. Logo depois, Roger Gaúcho ampliou em jogada de Júnior Viçosa. O gol dos pernambucanos veio num pênalti convertido por Anderson Chaves. Na Paraíba, o Lagarto bateu o Sousa por 1 a 0. O único tento foi anotado por Lucas, batendo bonito após contragolpe. Já no Estádio Luso-Brasileiro, o Aimoré frustrou a Portuguesa da Ilha por 1 a 0. Wesley Pacheco marcou de pênalti, em jogo de boas intervenções dos goleiros e reclamações dos cariocas por um gol que não foi validado.

De resto, apenas empates. O duelo pernambucano entre Santa Cruz e Retrô não saiu do 0 a 0 dentro do Arruda. Mais de 19 mil viram um jogo equilibrado, em que os tricolores não se importaram com a ótima campanha anterior dos visitantes. Ainda assim, a melhor oportunidade foi do Retrô, com Fumaça perdendo um lance com a meta escancarada à sua frente. Mais um duelo estadual que terminou zerado foi o Cascavel x Paraná. Os paranistas tomaram pressão da Serpente, parada por boas defesas do veteraníssimo goleiro Felipe. A Gralha Azul seria mais perigosa na segunda etapa, mas ainda levando sustos constantes do outro lado.

A sequência de partidas sem gols teve eco no Maranhão, entre Juventude Samas e Amazonas, num 0 a 0 que viu os amazonenses serem mais perigosos na primeira etapa e os maranhenses tentarem a resposta na segunda. Outro 0 a 0 aconteceu em Roraima, entre São Raimundo e Moto Club. O Mundão chegou a acertar o travessão num chute de bicicleta de Raí, mas o Papão cresceu no segundo tempo e lamentou a falta de sucesso. Em Mato Grosso do Sul, o 0 a 0 ocorreu para Costa Rica e Bahia de Feira, com os anfitriões passando mais perto do gol. Por fim, em Mato Grosso, o Operário VG também ficou no 0 a 0 diante do Pouso Alegre. Depois de uma primeira etapa igualada, os mato-grossenses pararam no goleiro durante os 45 minutos finais.

Dos empates com gols, o mais animado aconteceu no Amazonas, com o São Raimundo 2×2 Tocantinópolis. O Tufão marcou o primeiro, numa lambança do goleiro Jeferson, que errou diante de Frank. Após o chute no travessão, Evair fez no rebote. O Tocantinópolis cresceu e pressionou até empatar nos acréscimos, com Everson Bilau. Na segunda etapa, o São Raimundo conseguiu de novo a vantagem, em chute rasteiro de Railson. Todavia, Hiltinho recobrou a igualdade para os alviverdes de cabeça e os tocantinenses tentaram a virada.

No Ceará, Pacajus e Rio Branco empataram por 1 a 1. Edson Reis marcou de cabeça para os cearenses, mas os acreanos igualaram também numa cabeçada de Yago. O mesmo placar se repetiu em Pato Branco, onde o Azuriz recebeu o São Bernardo e também esbarrou no 1 a 1. Os paranaenses romperam o zero do marcador com Edson, servido por Yuri Mamute logo no início da contenda. O empate do Bernô no segundo tempo veio num erro grotesco do goleiro Caio, que fazia boa partida, mas espalmou contra a própria meta um cruzamento de Eduardo. Por fim, em Barueri, o placar também permaneceu em 1 a 1 para Oeste e Caxias. Os paulistas marcaram logo de cara com Kauã Jesus, numa jogadaça de Bruninho. Os gaúchos perderam um pênalti e tiveram um gol anulado no primeiro tempo, enquanto Giovani Gomez foi expulso no segundo. O alívio surgiu com o empate já aos 42 da etapa final, em pênalti convertido por Bustamante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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