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Acidente aéreo mata quatro jogadores do Palmas, o presidente do clube e o piloto da aeronave

O futebol brasileiro inicia o domingo de luto, diante da trágica notícia envolvendo o Palmas Futebol e Regatas. O acidente com um avião particular matou quatro jogadores e o presidente do clube. Lucas Praxedes, Guilherme Noé, Ranule e Marcus Molinari eram os atletas na aeronave, além do presidente Lucas Meira e do piloto, identificado como Comandante Wagner. Os tripulantes viajavam a Goiânia, onde o Palmas enfrentaria o Vila Nova pela Copa Verde. O avião, porém, caiu logo após decolar, numa pista de pouso particular no distrito de Luzimangues, região metropolitana de Palmas.

O Palmas se manifestou através de uma nota oficial: “O Palmas Futebol e Regatas vem por meio desta informar que por volta das 8h15 da manhã deste domingo, 24, ocorreu um acidente aéreo envolvendo o presidente do clube Lucas Meira, quando decolava para Goiânia, para a partida entre Vila Nova x Palmas nesta segunda, 25, válida pela Copa Verde. O avião em que Lucas estava junto com o comandante Wagner e os atletas Lucas Praxedes, Guilherme Noé, Ranule e Marcus Molinari, decolou e caiu no final da pista da Associação Tocantinense de Aviação. Lamentamos informar que não há sobreviventes. Neste momento de dor e consternação, o clube pede orações pelos familiares aos quais prestará os devidos apoios, e ressalta que no momento oportuno voltará a se pronunciar”.

Segundo as primeiras informações, o avião caiu momentos depois de levantar voo. A aeronave pegou fogo logo depois de tocar o solo, num matagal próximo à pista da Associação Tocantinense de Aviação. Polícia, bombeiros e IML atuam no local do acidente. As causas serão agora investigadas pelas autoridades.

Os quatro jogadores vitimados no acidente tinham sido contratados pelo Palmas para 2021. Guilherme Noé era o mais velho, aos 28 anos. Formado pelo Corinthians, o zagueiro passou por clubes sobretudo de São Paulo, vestindo a camisa do Nacional da capital em 2020. O goleiro Ranule, de 27 anos, disputou o último Campeonato Carioca pelo Resende e havia sido campeão capixaba de 2017 como destaque do Atlético Itapemirim. Marcus Molinari, meio-campista de 23 anos, jogou no Villa Nova de Minas Gerais e vestiu a camisa do Tupynambás na Série D. Ele é filho do ex-atacante Marinho, que teve destaque no futebol mineiro e ajudou o Atlético no acesso à Série A em 2006. Já o lateral Lucas Praxedes, também de 23 anos, havia defendido diferentes clubes do interior de São Paulo – passando por Capivariano e XV de Jaú em 2020. O presidente Lucas Meira, de 32 anos, também era agrônomo e empresário.

O Palmas disputou a Série D de 2020, com a pior campanha da história da competição, acumulando 14 derrotas nas 14 rodadas da fase de classificação. A equipe, no entanto, começou bem a Copa Verde e eliminou o Real Noroeste na fase inicial, com vitória por 2 a 0 na última quarta-feira. Praxedes, Noé e Ranule haviam testado positivo para COVID-19 na terça e não puderam jogar – com o necessário questionamento sobre qual o motivo da viagem deste domingo.

O confronto com o Vila Nova deveria acontecer nesta segunda-feira, mas a CBF anunciou o adiamento do jogo. Já o Campeonato Tocantinense adiou as datas das semifinais. Interporto e Tocantinópolis se enfrentariam neste domingo. O Palmas tinha compromisso na quinta contra o Araguacema, após vencer a partida de ida ainda em março.

Nas redes sociais, o Vila Nova publicou uma nota de condolências ao Palmas e declarou que fará uma homenagem em sua próxima partida, pelo Campeonato Goiano. Outros clubes de todo o Brasil também manifestaram seu luto. Já a Chapecoense se solidarizou, relembrando sua história: “Infelizmente, sabemos como é este momento de dor insuperável por perdas irreparáveis e gostaríamos que nenhuma outra agremiação tivesse que sentir o mesmo. Diante do ocorrido, no entanto, externamos o nosso sentimento de força e a nossa total solidariedade aos familiares, amigos, colegas de clube e torcedores. Vocês não passarão por isso sozinhos”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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