Lado B de Brasil

A temporada inesquecível do Mirassol teve o melhor desfecho possível: a conquista da Série D do Brasileirão

O Mirassol terminou de coroar uma temporada histórica neste sábado, com o merecido título da Série D. O Leão da Alta já tinha conquistado seu objetivo principal, o acesso à Terceirona do Campeonato Brasileiro, ao passo que também marcara o ano de 2020 com a campanha até as semifinais do Paulistão. Porém, a equipe treinada por Eduardo Baptista não deixou de se empenhar diante da chance de outro feito inédito. Após eliminar o Altos na semifinal, o Mirassol confirmou a taça com duas vitórias sobre o Floresta na decisão. É o primeiro título do clube nas divisões nacionais e também sua conquista mais importante em 95 anos de história.

O desempenho do Mirassol nesta reta final da Série D foi praticamente impecável. O Leão da Alta venceu todos os seus seis compromissos desde as quartas de final. O acesso contra a Aparecidense veio graças a duas vitórias. A equipe também derrotou o Altos duas vezes nas semifinais, com direito a uma goleada por 4 a 0 logo na ida. E os paulistas também pediram bis nos confrontos com o Floresta. O atacante Netto garantiu o triunfo por 1 a 0 na ida, em Fortaleza. Já neste sábado, dentro do Estádio José Maria de Campos Maia, o placar se repetiu.

A vantagem do empate não inibiu o Mirassol, que foi para cima do Floresta para construir um resultado mais cômodo. O gol do título aconteceu logo aos 17 minutos, com o centroavante João Carlos, um dos heróis do acesso. Num rebote, o atacante mandou para dentro. E a reação do Floresta ficou ainda mais difícil no fim do primeiro tempo, quando Eduardo matou um ataque e recebeu o segundo amarelo. Na etapa final, era mais provável que o Leão da Alta ampliasse a diferença, mas o goleiro Douglas Dias evitou uma derrota maior dos cearenses.

A conquista do Mirassol é um grande prêmio ao trabalho bem feito além das quatro linhas. O clube possui um centro de treinamentos de primeira, o que faz a diferença para atrair jogadores e aperfeiçoar o trabalho de formação. Tal capacidade tinha dado sua contribuição já na classificação sobre o São Paulo no Campeonato Paulista. Já para a Série D, o grande acréscimo foi Eduardo Baptista, um treinador com muito mais mercado, que acreditou no projeto e preferiu iniciar um trabalho de longo prazo no Leão da Alta. Essa troca de confiança está expressa não apenas no acesso alcançado na Série D, com um elenco praticamente reelaborado em relação ao Paulistão, mas também pelo título que garante um orgulho ainda maior aos acertos do clube.

O Mirassol traz lições ao futebol do interior com suas boas decisões. A partir da formação de uma promessa como Luiz Araújo, que gerou receitas após sua venda do São Paulo ao Lille, a diretoria investiu em estrutura e vê o crescimento sem pressa recompensar a estratégia. Hoje, se mostra um clube mais capaz de se manter na elite do Paulistão, o que garante uma boa receita a partir dos direitos de televisão. Enquanto isso, a Série C permite um calendário mais preenchido no segundo semestre e evita que dois times precisem ser montados a cada temporada, pensando nas disparidades do estadual em relação à Série D. As perspectivas são boas, especialmente se pensarmos no mercado ao redor de Mirassol, uma cidade com apenas 60 mil habitantes. É um clube autossuficiente e sem dívidas, que cresce sustentavelmente.

Há casos interessantes de sucesso entre os times oriundos da Série D. Os antigos campeões Brusque, Operário Ferroviário, Botafogo de Ribeirão Preto, Sampaio Corrêa e Tupi conseguiram aproveitar a ascensão para alcançar em pouco tempo a Série B do Brasileirão – mesmo que nem todos tenham se mantido na Segundona. Ainda há alguns casos que chegaram à Série A, com três dos quatro promovidos nesta temporada passando pela Série D num passado não muito distante – Chapecoense, Cuiabá e Juventude. Exemplos não faltam no horizonte para o Mirassol. E, diante dos passos firmes dados em 2020, o Leão da Alta tem motivos para sonhar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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