Lado B de Brasil

A Série D se incendeia, com o início dos mata-matas e vários duelos interessantes logo de cara

A quarta divisão nacional reúne diversos clubes tradicionais, que buscam a redenção, e outras tantas equipes em ascensão recente

Este final de semana abre a temporada de mata-matas no Campeonato Brasileiro. Para quem gosta do formato, a Série D é o último bastião dos jogos eliminatórios nas quatro divisões nacionais. E os 16-avos de final começam pegando fogo, com os duelos de ida acontecendo entre sábado e segunda-feira. Vai dar para acompanhar a tentativa de alguns clubes tradicionais se reerguerem, ver a ascensão de equipes que já vinham fazendo bonito na Copa do Brasil ou então aguardar novas surpresas. Logo de cara, algumas camisas pesadas já medirão forças entre si na competição.

O início dos mata-matas da Série D ainda é regionalizado. Desta maneira, equipes de cidades relativamente mais próximas acabam protagonizando os confrontos, com uma divisão entre norte e sul do mapa. Vale lembrar também que os cruzamentos das oitavas de final estão determinados previamente, por proximidade geográfica. Somente nas quartas de final, que definem os quatro promovidos, é que acontece o chaveamento independente da região – com os times de melhor campanha até aquele momento pegando os sobreviventes de pior campanha.

Uma das equipes para ficar de olho nos mata-matas é o Castanhal. Os paraenses sobraram no Grupo 1 e tiveram a melhor campanha da fase de grupos da Série D. O Japiim terminou invicto, com 36 pontos e 11 vitórias em suas 14 partidas. A equipe tenta voltar para a Série C pela primeira vez desde 2004. Mas terá parada dura contra o Moto Club, considerando o peso da camisa. Os maranhenses passaram na quarta posição do Grupo 2 e tentam retornar à terceirona após o descenso em 2017. E o sarrafo na chave continuará alto, já que o vencedor pegará América de Natal ou Itabaiana nas oitavas. O Dragão foi terceiro no Grupo 3 e tenta sair do inferno da Série D, em sua quinta participação seguida. Já o Tremendão, segundo do Grupo 4, não figura na Série C desde 2005.

Outra equipe que chega com moral é o 4 de Julho, que fez uma campanha histórica na Copa do Brasil. Os piauienses ficaram na segunda colocação do Grupo 2 e seguem vivos no sonho de disputar a Série C, depois de 24 anos longe. Vão pegar o Penarol, campeão amazonense em 2020. O Leão tenta estrear na terceirona. O cruzamento seguinte guardará pela frente Retrô ou ABC. Os pernambucanos passaram na quarta colocação e anunciaram recentemente a chegada do técnico Milton Mendes, nesta que é a primeira aparição do clube em divisões nacionais. Bem diferente é a grandeza abecedista, mais uma equipe marcada pela Copa do Brasil neste ano e que vem em sua segunda campanha consecutiva na quarta divisão, após a queda na Série C em 2019. Os potiguares lideraram o Grupo 3, com direito a duas vitórias no clássico contra o América.

Outro líder de chave foi o Guarany de Sobral, ponteando o Grupo 2. Os cearenses não jogam a Série C desde 2012. E viajarão até o Acre, para encarar o Galvez. Mesmo sem nunca ter disputado a terceirona, o Imperador bate cartão na Série D e está em sua terceira participação consecutiva. Nas oitavas, o cruzamento guarda um adversário de peso, com Campinense ou Sergipe no caminho. Os paraibanos não sabem o que é disputar a Série C desde 2011, mas já se regozijaram num Grupo 3 em que o rival Treze passou longe da classificação. Já os sergipanos tentam retornar à terceirona após 13 anos. Fica o destaque para o fato de que ambos ganharam seus respectivos estaduais em 2021.

A Juazeirense merece um enfoque especial no Grupo 4. Os baianos viram outros rivais do interior se darem melhor no estadual, mas lideraram a chave da Série D em que Atlético de Alagoinhas e Bahia de Feira (os finalistas do Baianão) ficaram pelo caminho. Embalada pela Copa do Brasil, a equipe tenta reaparecer na terceirona após três anos. Pegará o Atlético Cearense, de raras aparições nas competições nacionais e que nunca foi além da quarta divisão. Depois disso, o oponente nas oitavas será do Norte, São Raimundo de Roraima ou Paragominas. O Mundão é o atual hexacampeão estadual, mas está longe da terceirona desde 2007. Já os paraenses estão apenas na segunda aparição na Série D e tentam o passo inédito.

Dentre os quatro grupos mais ao sul do Brasil, a melhor equipe da fase de grupos foi a Ferroviária. Os paulistas flertam com o acesso há algum tempo e brilharam com os 33 pontos no Grupo 6. O técnico Elano é o responsável pela melhor defesa desta etapa inicial, com cinco gols sofridos em 14 jogos. A Ferrinha tenta voltar à Série C pela primeira vez desde 2002, mas pegará um adversário de peso como o Brasiliense, campeão distrital. O Jacaré ainda confia em medalhões como Jorge Henrique e Zé Love. E o clube já virou especialista na Série D, presente no quarto nível desde 2014. O vencedor encara Santo André ou Esportivo de Bento Gonçalves. O Ramalhão não joga a Série C desde 2012 e conta com o veterano Nunes no ataque, de volta à sua primeira casa. Já o Tivo está distante da terceirona desde 2007 – sua última aparição nas divisões nacionais até esta campanha.

Uma das grandes histórias nesta Série D é da Portuguesa, que passou três temporadas sem divisão nacional, até retornar desta vez graças à Copa Paulista. O clube disputou a quarta divisão anteriormente em 2017, após sofrer uma sequência de três rebaixamentos em quatro anos. A Lusa chega embalada com a liderança do Grupo 7. Seu desafiante também tem história nas competições nacionais: o Caxias, longe da Série C desde 2015, mas com Série A no currículo. Deste duelo sai o adversário de Boa Esporte ou União Rondonópolis. Os mineiros caíram na última Série C e tentam evitar um cenário mais trágico, após o rebaixamento no último estadual. Já os mato-grossenses disputaram a Série C pela última vez no antigo formato, em 2004.

O Joinville é mais um clube de peso histórico que tenta se reerguer na Série D. Os catarinenses caíram na Série C em 2018 e não voltaram mais, com dificuldades para se livrar da quarta divisão. A equipe também vem de bom momento, com a liderança do Grupo 8. O adversário nos 16-avos de final é um time ainda mais adormecido, o Bangu, que não disputa a Série C desde 2003. O nome mais conhecido é o do seu treinador, o ex-lateral Felipe. Quem seguir em frente pega Nova Mutum ou Uberlândia. Os mato-grossenses estreiam na Série D, após o título inédito no estadual passado e se candidatam como uma boa surpresa nesta edição da quarta divisão. Já o Uberlândia, de muito mais história, está fora da terceirona desde 2003.

Por fim, a Aparecidense reivindica seu espaço após bater na trave em 2020. A equipe goiana costuma bater cartão nos mata-matas da Série D, mas nunca subiu de divisão. Chega credenciada pela primeira colocação do Grupo 5 e agora medirá forças com a Caldense. Os mineiros contam com o artilheiro da competição, Gabriel Santos, autor de 13 gols – mas que foi negociado com o Ceará e não fica para os mata-matas. Lá se vão 26 anos desde a última disputa da Veterana na terceirona, em 1995. Dali, quem passar sabe que joga contra um paranaense – Cascavel ou Cianorte. De ascensão recente, o Cascavel jogou a Copa do Brasil pela primeira vez nesta temporada e tenta o acesso pela segunda na Série D. Além disso, está na final do estadual de 2021, após eliminar o Athletico Paranaense. O Cianorte já é mais tarimbado nas divisões nacionais e figurou na terceirona em duas oportunidades, a última em 2005.

Sobre a Série D, vale ainda conferir a live do Última Divisão, com participação de Aline Louzano e de Felipe Augusto da Revista Série Z. Outras ótimas pedidas são o podcast Quarta Categoria e também os amigos do Infelizmente FC, com o podcast “Série D no Detalhe”.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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