Lado B de Brasil

A Série C concluiu a primeira fase e traçou os confrontos aos quadrangulares decisivos, que valerão o acesso

A Série C encerrou sua fase de classificação neste final de semana. Nesta temporada, a Terceirona terá um regulamento diferente, abolindo os mata-matas e adotando dois quadrangulares para definir o acesso. Pelos times que avançaram, será uma disputa boa. O Grupo A garantiu as passagens de quatro camisas pesadas: Santa Cruz, Remo, Paysandu e Vila Nova. Já no Grupo B, quatro estados diferentes seguem com representantes vivos: Ypiranga de Erechim, Ituano, Londrina e Brusque. E o destaque na etapa decisiva se concentra principalmente no clássico paraense, com Remo e Paysandu lutando pela promoção à Série B na mesma chave.

O Santa Cruz terminou com a melhor campanha desta fase de classificação. O time treinado por Marcelo Martelotte somou 37 pontos, com 11 vitórias em 18 rodadas. O ataque foi bem importante aos números positivos, com 32 tentos anotados. Os pernambucanos chegaram a emendar sete triunfos consecutivos a partir de outubro, mas encerraram a campanha com três partidas em jejum. Ficou o alerta para ninguém se acomodar no quadrangular. Entre as figuras conhecidas do elenco estão o zagueiro Danny Morais, o meia Chiquinho e o atacante Pipico.

Também com relativa tranquilidade, o Remo somou 31 pontos. O grande diferencial do Leão foi a defesa armada por Paulo Bonamigo, com somente dez gols sofridos. Eleito vereador em Belém neste pleito, o goleiro Vinícius é titularíssimo na meta e lidera os remistas. Já o rival Paysandu passou em quarto, com 29 pontos. Também garantiu a classificação por antecipação e vem num momento superior. O Papão emenda oito rodadas sem perder, contando o clássico deste sábado, que terminou com o placar zerado. O artilheiro Nicolas contribuiu com cinco gols ao time de João Brigatti. Por fim, o Vila Nova ficou com a terceira vaga, somando 31 pontos. A defesa também é essencial à equipe treinada pelo ex-zagueiro Bolívar, com apenas 11 gols sofridos. No meio-campo do Tigre, um dos destaques é Emanuel “Primo do Messi” Biancucchi.

Manaus, Jacuipense, Ferroviário e Botafogo-PB continuam na Série C para 2021. Um dos destaques da rodada final, aliás, foi o Belo rebaixando o rival Treze em João Pessoa. Com o empate por 1 a 1, os botafoguenses terminaram um ponto à frente do Galo, culminando na queda o clube de Campina Grande. Já o desastre ficou por conta do Imperatriz. Os maranhenses fizeram uma campanha vergonhosa, com apenas um ponto somado. Foram 60 gols sofridos e apenas 10 marcados. O empate, curiosamente, aconteceu na estreia – um 0 a 0 contra o Remo. O Cavalo de Aço teve seu departamento de futebol terceirizado e depois o contrato foi quebrado, explicando a raiz dos problemas. Além da gestão caótica, o time enfrentou dificuldades até para ser escalado. O elenco reduzido teve jogadores com contrato encerrado durante a campanha e ainda não pôde inscrever reforços por conta das dívidas. Como se não bastasse, houve um surto de COVID-19 no início do campeonato.

O Grupo B seria mais equilibrado. O Ypiranga de Erechim terminou na ponta, com 31 pontos, mas só chegou lá na última rodada e até sofreu a ameaça de perder a classificação pouco antes. Os gaúchos registraram o segundo melhor ataque com 31 gols anotados, mesmo que a defesa tenha sofrido dilatados 26 tentos. O atacante Neto Pessoa foi o destaque na equipe, vice-artilheiro do campeonato com 10 gols – e boas chances de superar William Lira, com 11, já que o Ferroviário se despediu do certame. O técnico Celso Teixeira tocará o barco depois de assumir há duas rodadas, após a saída de Paulo Henrique Marques ao São Luiz de Ijuí.

A segunda colocação é do Ituano, que arrancou nos dois últimos meses, com seis vitórias nas oito rodadas finais. Apesar do bom trabalho de base, há vários veteranos no Galo, como o volante Corrêa. O capitão é apenas um ano mais jovem que o técnico Vinícius Bergantin, outro destaque em Itu. O treinador está à frente do time desde 2017, responsável pelo acesso na Série D na temporada passada. Com os mesmos 29 pontos do Ituano, o Londrina ficou em terceiro no Grupo B. O Tubarão conta com uma base bastante jovem, treinada por Alemão, que fez a melhor campanha como mandante na Terceirona. A referência técnica é Celsinho, que protagonizou uma cena tocante nesta rodada. O veterano recebeu a notícia da morte de seu pai na concentração, mas seguiu com o time e participou do jogo contra o Volta Redonda. Anotou um dos gols no empate por 2 a 2, chorando na comemoração.

Já na quarta colocação, o Brusque transmite pouca confiança. Os catarinenses faziam uma campanha excelente em sua estreia na Série C, após o acesso no último ano. O time só perdeu um jogo em seus 12 primeiros compromissos, com oito vitórias neste intervalo. Desde então, o Marreco despencou e não vence há sete partidas. O fundo do poço aconteceu na penúltima rodada, com a goleada do Volta Redonda por 8 a 1 em Santa Catarina, com seis gols só no primeiro tempo. O envolvimento da diretoria nas eleições municipais criou um racha interno, enquanto o elenco enfrentou um surto de COVID-19. Apesar dos placares, o técnico Jerson Testoni segue no comando.

O Tombense acabou sendo o grande perdedor da última rodada. Ao apenas empatar com o Boa Esporte, o time jogou fora a chance de classificação. Volta Redonda, São José-RS e Criciúma não tinham esperanças de avançar, mas ao menos escaparam do descenso. Além do Boa, também caiu o São Bento, derrotado pelo Ituano por 3 a 0 no compromisso derradeiro. É o segundo descenso consecutivo do Bentão, que ao menos subiu para a primeira divisão do Campeonato Paulista.

Na segunda fase, o Grupo C será composto por Brusque, Ituano, Santa Cruz e Vila Nova. Já o Grupo D terá Londrina, Paysandu, Remo e Ypiranga. Todos os times se enfrentam em turno e returno, com os dois primeiros colocados de cada chave subindo à Série B 2021. Além disso, os dois líderes ganharão o direito de disputar a taça, com finais realizadas em dois jogos no final de janeiro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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