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Governo de Sergipe retira homenagem a Médici no nome do estádio de Itabaiana

O governador do Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), assinou nesta quinta-feira decretos para alterar o nome de três escolas e do Estádio Presidente Médici, batizados em homenagem a militares dos tempos de ditadura. A casa do Itabaiana agora passa a se chamar Estádio Etelvino Mendonça, em homenagem ao ex-político de Itabaiana, conhecido por seu trabalho em prol do esporte. A mudança acontece após anos de pedidos de parte da população e, enfim, a partir de uma recomendação da Comissão Nacional da Verdade.

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“É uma orientação da Comissão Nacional da Verdade promover a alteração da denominação de prédios e instituições públicas que homenageiam aqueles que contribuíram para violência e afrontam aos direitos humanos sendo responsáveis por torturas, assassinatos de presos políticos e exílios durante o Regime Militar”, explicou o governador, em declaração publicada na agência de notícias do governo de Sergipe.

As escolas “Presidente Médici”, “Castelo Branco” e “Costa e Silva”, em Aracaju, passarão a se chamar, respectivamente, Nelson Mandela, Paulo Freire e Professor João Costa, e o governador Jackson Barreto ressaltou a importância de se homenagear figuras que, historicamente, lutaram por direitos sociais, em vez daquelas que perpetaram ataques a direitos humanos básicos. “Pode parecer um gesto simples, mas para aqueles que deram os melhores anos da sua vida, arriscando as suas vidas, vendo amigos morrerem, desaparecerem, é um momento histórico. Para a História, deve merecer registro, homenagem, aqueles que contribuíram para o bem do nosso povo, como Nelson Mandela, Paulo Freire e João Costa, referências para as novas gerações. Homenageando eles, e esquecendo aqueles que foram contra os direitos humanos, usaram do poder para matar, violar direitos humanos e oprimir, contribuímos para que a verdadeira história seja contada”, encerrou.

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O estádio em que joga o Itabaiana foi inaugurado em março de 1971, quando Médici era o presidente do Brasil durante o regime militar. Segundo o Impedimento, em brilhante matéria sobre estádios brasileiros com nomes em homenagem à ditadura, a ideia de dar o nome de Presidente Médici ao novo palco esportivo da cidade veio do governador do Sergipe na época, Lourival Baptista. Durantes as reformas feitas no estádio entre 2009 e 2010, diversas pessoas aproveitaram a oportunidade para pedir a mudança de nome do local. O deputado estadual e radialista Gilmar Carvalho, motivado pela reclamação de um de seus ouvintes, foi um dos que, ainda em 2009, fizeram campanha pela retirada da homenagem ao ditador, indo até à Assembleia sergipana para defender a ideia.

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Pouco mais de seis anos após o discurso de Carvalho, com um empurrão da Comissão da Verdade, a mudança enfim acontece. “Parabéns governador, não apenas pelo simbolismo de cumprir uma recomendação da Comissão, mas também porque temos certeza que este ato simboliza o avanço civilizatório pelo que o Brasil está passando”, elogiou o professor Josué Modesto dos Passos Subrinho, presidente da Comissão Estadual da Verdade.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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