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Fluminense segue invicto com reservas, mas campo avisa que jovens pedem passagem a veteranos

Veteranos pioram time de reservas do Fluminense, que melhora com jovens e deixa de fora destaques do Carioca em 2024 em má atuação

O Fluminense é o líder isolado do Campeonato Carioca com 14 pontos em seis jogos. São quatro vitórias e dois empates, invencibilidade mantida após arrancar o 2 a 2 com o Boavista, em Bacaxá, no domingo (4). O jogo mostrou que o Tricolor é competitivo, ao menos contra equipes de menor investimento, ao usar reservas, o que Fernando Diniz pretende fazer pelo foco na Recopa. Mas o campo avisa que alguns jovens não podem perder espaço para veteranos.

A liderança até aqui foi construída sob o comando de Marcão em quatro jogos e de Diniz em outras duas partidas. O treinador, inclusive, elogiou o trabalho do auxiliar permanente, mas já começa a dar seus toques também entre os reservas. E se o ídolo não acertou em tudo, o técnico campeão da Libertadores em 2023 tampouco foi bem nas mexidas que promoveu.

Da defesa até o ataque, o Flu foi um time bem menos seguro e mais exposto com Diniz em relação a um time escalado com jogadores bem parecidos que Marcão mandava a campo. Técnica ou taticamente, a atuação serve de aviso que alguns jovens de Xerém já merecem mais tempo e oportunidades que veteranos já testados anteriormente.

— A gente tem algo na cabeça planejado para o time chegar em boas condições, principalmente para disputar a Recopa, e se possível a gente ter também o melhor time nos clássicos. Mas vamos avaliar. A prioridade, obviamente, nesse momento, é a disputa da Recopa porque é a decisão mais próxima — declarou Diniz.

Veteranos vão mal na defesa, onde jovens do Fluminense iam bem

A começar pela defesa, Fernando Diniz fez duas trocas. Saíram Luan Freitas e Rafael Monteiro, e entraram David Braz e Diogo Barbosa. O lateral-esquerdo fez partida correta, mas o zagueiro não foi bem. Sem muito entrosamento com Antonio Carlos, as linhas de impedimento e o posicionamento ficaram comprometidos. Dali nasceram oportunidades e até gols do Boavista.

Ao lado de Antonio Carlos, Luan Freitas havia feito boas partidas no Campeonato Carioca. Se não teve muitas chances no passado em função de lesões, o jovem de 23 anos aproveitou bem as oportunidades em 2024, esteve bem na marcação e na construção e até marcou gols. O jogador chamou a atenção dos torcedores, e não merecia ter deixado a equipe.

Veterano testado e muito útil ao Fluminense nos últimos anos, David Braz não teve boa atuação em Bacaxá, o que obviamente não pode ser uma conclusão a partir de 90 minutos. Mas o fato é que, com o jogador de 36 anos, bom no jogo aéreo e subestimado na construção, a linha de zaga não repetiu o nível que mostrou com Luan.

Diogo Barbosa, que terminou o jogo como quarto-zagueiro, não teve má atuação. Mas perdeu a maioria das disputas ofensivas. Na lateral-esquerda, Rafael Monteiro vinha bem e era grata surpresa. Não à toa. O jovem entrou no fim da segunda etapa e fez o cruzamento do gol de João Neto, que deu o empate ao Flu. Mais um que merecia mais atenção.

Meio-campo leve não funciona, e Fluminense perde na marcação

Felipe Andrade vinha sendo a melhor notícia do Fluminense entre os reservas no Campeonato Carioca. Lateral-direito de ofício, ele virou zagueiro nas divisões de base, teve chances na lateral-esquerda em 2023 e foi “descoberto” como volante por Marcão. Contra o Boavista, com Daniel e Terans ao seu lado, o jovem teve queda de rendimento.

Sem mais um companheiro para pressionar a bola e fechar espaços, Felipe ficou um pouco perdido na marcação e na construção. Daniel, principalmente, não funcionou como segundo homem, e ainda assim jogou toda a partida. A posição vinha com modificações e não tinha um dono, mas a piora foi sentida também pelos zagueiros, que em linha mais alta e lentos, cederam ainda mais espaços.

Mais Kauã Elias e João Neto, menos Yony González: jovens melhoram Fluminense

O ataque foi outro setor que melhorou com a entrada de jovens durante o jogo. Do lado esquerdo, o jovem Isaac foi o jogador que mais tentou em campo, o que mereceu elogios de Fernando Diniz. O arranjo tático para que Yony González entrasse ao lado de Lelê, entretanto, não funcionou.

Com o colombiano indo da direita para o centro, o Flu abriu uma avenida pelo setor, mas Justen, um lateral defensivo que já foi até zagueiro, não era o mais indicado para aproveitar. Tecnicamente, também, Yony esteve bem abaixo. Se João Neto não fez grande jogo apesar de marcar o gol de empate, vive uma fase melhor e já está bem ambientado.

Quem merece mais momentos em campo é Kauã Elias, que aos 17 anos, já mostra que será mais um nome de Xerém a encantar. Em poucos toques na bola, o menino criou boas chances na segunda etapa e se movimentou bastante. Centroavante, ele tem mais mobilidade que outros jogadores da posição e mostrou capacidade de jogar em outras funções.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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