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Cadê o Alexsander? Jovem tem questões extracampo e recebe atenção especial no Fluminense

Depois de sofrer com lesões e a internação da mãe em 2023, Alexsander teve férias reduzidas e menos descanso por conta da Seleção Olímpica. Agora, tenta retomar a melhor forma pelo Fluminense

Quando foi divulgada a escalação do Fluminense para enfrentar o Flamengo pelo primeiro jogo da semifinal do Campeonato Carioca, muitos tricolores se perguntaram: “Cadê o Alexsander?”. O jovem de 20 anos surgiu como um xodó da torcida no fim de 2022 e era peça importantíssima dos melhores momentos do time de Fernando Diniz, mas perdeu espaço na reta final de 2023 e pouco jogou em 2024. Mas por quê? A Trivela foi buscar explicações.

Desde as lesões seguidas que lhe deixaram de fora por mais de três meses na temporada passada, Alexsander ainda não retomou seu status de titular absoluto. O problema, entretanto, não é bola no pé, indisciplina ou dentro das quatro linhas.

Alexsander comemora título da Libertadores pelo Fluminense em 2023: jogador teve evolução travada por problemas - Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
Alexsander comemora título da Libertadores pelo Fluminense em 2023: jogador teve evolução travada por problemas – Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC

Muitos boatos de que o volante teria problemas de comportamento no dia a dia apareceram nas redes sociais. Mas sem fundamento. Uma sequência de acontecimentos fora dos campos foi tirando espaço do camisa 5, que apesar disso, ainda goza de muito prestígio com Diniz.

Alexsander recebe atenção especial e carinho do Fluminense, que sabe que o jovem ainda pode dar muitas alegrias ao torcedor. Em 2024, ele disputou apenas 197 minutos em três jogos, e jogou uma partida completa apenas contra o Madureira, pelo Campeonato Carioca.

Sua ausência no Fla-Flu foi uma mera opção técnica, segundo apuração da reportagem. Durante a semana antes do primeiro jogo da semifinal, Diniz conversou pelo menos duas vezes em separado com o atleta. O treinador, sempre preocupado com o lado humano, deu algumas chances ao volante nesta temporada, mas sem muitos minutos em sua posição original.

 

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Lesões frearam bom momento de Alexsander no Fluminense em 2023

Titular no meio-campo, com entrosamento raro com Marcelo, excelentes atuações e até gol na final contra o Flamengo. O ano de 2023 começou com Alexsander fundamental para o Fluminense. Após receber as primeiras chances como lateral-esquerdo, o camisa 5 voltou para sua posição natural, como volante, e tudo parecia fluir. Até que as lesões apareceram.

Alexsander foi um dos destaques do Fluminense no início de 2023 - Photo by Icon sport
Alexsander foi um dos destaques do Fluminense no início de 2023 – Photo by Icon sport

Primeiro, um susto. O problema no joelho esquerdo parecia sério, tanto que o diagnóstico de estiramento no ligamento colateral medial, que permitia um tratamento conservador, acalmou o estafe do Flu em um primeiro momento. A recuperação foi ótima: dedicado e com boa genética, Alexsander estava pronto bem antes do esperado. Aí, o azar começou.

Em um treino, o jovem escorregou com o pé por cima da bola e sofreu uma grave lesão muscular. O estiramento grau 3 no músculo posterior da coxa direita tirou o jogador de combate por 101 dias, quando voltou a ser relacionado.

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Internação da mãe tira foco do jovem às vésperas de decisão pelo Fluminense

O segundo problema foi familiar. Pilar da família e sempre citada como “pessoa mais importante do mundo” por Alexsander, sua mãe, Lidiane Ângelo, foi internada em outubro, com o Fluminense já classificado à final da Libertadores.

Com a Seleção Brasileira para uma Data Fifa, Fernando Diniz não estava no clube. Alexsander foi liberado pelo departamento de futebol e perdeu um dia de treinos. Nada grave. Mas sua cabeça, claro, sofreu com o problema de saúde da mãe.

A linda história de vida do jovem de 20 anos tem as digitais de Dona Lidiane, a responsável por acreditar, motivar e sustentar o sonho do menino em se tornar jogador de futebol. Alexsander chegou a ser dispensado em Xerém, mas voltou, se tornou profissional, amado pela torcida, fez gol em decisão e é campeão da Libertadores. Uma trajetória de vencedor que só foi possível pelo esforço de sua mãe.

Alexsander e John Kennedy comemoram o título do Fluminense na Libertadores com a nutricionista Renata Faro e a psicóloga Emily Gonçalves - Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.
Alexsander e John Kennedy comemoram o título do Fluminense na Libertadores com a nutricionista Renata Faro e a psicóloga Emily Gonçalves – Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.

Psicologicamente afetado, ele perdeu espaço também pelo ótimo momento de Martinelli. O camisa 8, antes relegado ao banco de reservas e criticado pelo torcedor, também deu sua volta por cima. As boas atuações lhe transformaram em titular na reta final de 2023. E Alexsander acabou no banco.

Período na Seleção Olímpica atrapalha Alexsander em 2024

Campeão da Libertadores e utilizado no Mundial de Clubes, Alexsander atraiu a atenção de clubes do Brasil e da Europa em 2024. O Fluminense, que esperava vender André, rechaçou as negociações e tinha no camisa 5 um jogador que assumiria uma vaga de titular absoluto na temporada.

André ficou, mas a fé em Alexsander era a mesma no Flu. O jovem foi convocado por Ramon Menezes para o Pré-Olímpico, mas o período não foi lá muito bom. Além da vexatória eliminação e de não ter sido titular durante a competição, o jogador perdeu dias de descanso, viu suas férias serem cortadas pela metade e acabou atrapalhado também no Tricolor.

Com menos tempo de descanso e de treinamento, o volante voltou para o CT Carlos Castilho um passo atrás até dos titulares que retornaram já no fim de janeiro aos treinos de “pré-temporada”. Internamente, o jogador já era visto com um perfil de um pouco mais de dificuldade em recuperar a forma. Diniz tem tentado ajudá-lo com conversas, conselhos e a boa relação tem ajudado.

A esperança de diretoria, funcionários e comissão técnica segue a mesma: versátil, Alexsander será titular do Fluminense em um futuro breve.

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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