Brasil

Posição do Flamengo sobre paralisação é justa, mas falta de empatia não surpreende

Braz, Spindel e outros membros da diretoria deixaram claro que não são a favor da paralisação do Brasileirão pela tragédia no Sul

O Flamengo é um dos poucos clubes que se posicionou contrários à paralisação do Campeonato Brasileiro, por conta da tragédia no Rio Grande do Sul. Em nota divulgada com Palmeiras e São Paulo, o Rubro-Negro colocou suas instalações à disposição, mas preferiu que a liga nacional continuasse, diante da ausência de datas. É um parecer que não surpreende nem um pouco.

Pela postura da diretoria do Flamengo em outros momentos delicados, era natural que o clube não aderisse ao movimento de paralisação. Não é como se fosse uma posição injusta, afinal, o Rubro-Negro defende os próprios interesses, mas esse egoísmo incomoda.

Como o Flamengo se posicionou

Nos bastidores, o clube já dava indícios de que se posicionaria contrário à paralisação, mas o primeiro momento veio por meio da nota oficial citada. Ao lado de Palmeiras e São Paulo, o Flamengo ofereceu seu Centro de Treinamento e outros mecanismos para que os gaúchos conseguissem voltar a treinar. Tal posicionamento foi recebido com reações distintas.

Quando o coro da CBF aumentou, com direito a um pedido de posicionamento oficial, o Flamengo utilizou o diretor-executivo Bruno Spindel como porta-voz. O discurso foi realizado depois da vitória sobre o Corinthians, por 2 a 0, no último sábado (11), quando o dirigente participou da entrevista coletiva ao lado do professor Tite. 

Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, não se posicionou oficialmente sobre o assunto até o momento dessa reportagem. E não foi só Bruno Spindel que apareceu para explicar os interesses do Rubro-Negro nessa história toda.

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Braz teme novos problemas em Datas Fifa

A CBF anunciou a paralisação do Brasileirão por duas rodadas poucos minutos antes da bola rolar para Flamengo e Bolívar, pela Libertadores. Claro que o assunto se tornaria pertinente na zona mista, por onde o vice-presidente de futebol, Marcos Braz, passou. O dirigente foi sucinto ao afirmar que não espera perder atletas por jogos disputados em Datas Fifa que, sem a decisão, não teriam partidas marcadas. Subiu o tom, sem dúvida.

— A gente esperava a reunião da CBF no dia 27, mas foi feita essa determinação. Espero que o Flamengo não tenha mais jogos na Data Fifa. Por exemplo, nós iríamos jogar contra o Vasco no sábado com todo o elenco disponível. Não quero falar do Grêmio, na outra rodada, pois é uma situação diferente por razões óbvias. Espero que não amplie. A princípio, eram nove jogos. Agora espero que não passe para 10, 11, 12, 13, 14 jogos nos quais o Flamengo jogaria sem quatro ou cinco jogadores.

— Porque você perder uma quantidade de jogadores, a importância desses jogadores. Eu vou dar um exemplo, você perder um Arrascaeta ou um De la Cruz em um jogo, eu acho que perde a isonomia do campeonato, eu acho que não é justo com o Flamengo, não é justo quem investe, não é justo quem vai à procura de fazer as contratações caríssimas que o Flamengo faz, para depois não poder usar um jogador nos principais campeonatos do futebol brasileiro.

Egoísmo ou defesa dos próprios interesses?

Landim, Braz, Spindel e companhia não estão errados em defender os próprios interesses. Quem comanda o Flamengo precisa ver o que é melhor, pasmem, para o Flamengo e, nesse momento, a paralisação do Brasileirão pode trazer prejuízos futuros ao clube. Como o vice de futebol explicitou, o Rubro-Negro pode ser prejudicado por jogos em Datas Fifa, nos quais costuma perder pelo menos quatro atletas.

Seria uma perda esportiva grande para o Flamengo, algo que já aconteceu em outras edições do Campeonato Brasileiro. Não é de hoje que o Rubro-Negro se vê prejudicado por convocações que, querendo ou não, acabam minando os planos da equipe em competições importantes. Esses posicionamentos, contudo, ferem a imagem do clube em alguns aspectos.

Landim, Braz e companhia defende os interesses do Flamengo de maneira ferrenha (Foto: Delmiro Junior/Photo Premium/Gazeta Press/IconSport)

Essa falta de empatia com os clubes gaúchos só alimenta mais a ideia de que o Flamengo está em falta de sintonia com outras equipes. Foi assim na pandemia, por exemplo, quando Landim e companhia buscaram um retorno mais rápido do futebol brasileiro, enquanto times como o Palmeiras, que dessa vez está ao lado do Rubro-Negro, foram contra.

No fim, os posicionamentos do Flamengo podem agradar ou não, a depender dos olhos de quem observa de longe. Certo mesmo é que, como o próprio Tite frisou na coletiva após a vitória sobre o Bolívar, temos pouca dimensão do que está acontecendo no Rio Grande do Sul. Algo que está (muito) acima do futebol nesse momento.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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