Flamengo oferece discursos distintos sobre a paralisação do Brasileirão por tragédia no Sul
Marcos Braz e Bruno Spindel abordaram o tema de maneiras diferentes, e o pós jogo do Flamengo também contou com boa coletiva de Tite
Os momentos após a vitória sobre o Corinthians, por 2 a 0, neste sábado (11), foram agitados para o Flamengo. Tite concedeu uma coletiva mais alegre e interessante, focando nas variações táticas apresentadas e, mais uma vez, no pedido de calma à torcida.
Quem roubou a cena, contudo, foram Braz e Spindel, nomes fortes do departamento de futebol, que adotaram uma postura diferente com relação à paralisação do Brasileirão por conta da tragédia no Sul.
O que Tite disse durante a coletiva?
- Exaltou a melhora tática e de inspiração do Flamengo;
- Preferiu não comentar sobre a parte física de Gabigol, após o problema no adutor de Pedro;
- Voltou a frisar que o trabalho é construído por altos e baixos;
- Explicou um pouco mais as variações táticas que Gerson pode proporcionar;
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Tite sabe que o caminho é tortuoso
— Se apresentou, tem. Retomadas por vezes aconteceu. Nenhum título que ganhei na minha carreira foi linear, lá em cima, sempre tem uma fase de oscilar para que chegue e se fortaleça nas adversidades.
O comandante também falou bastante sobre a escolha de um Gerson mais presente no ataque. Tite explicou que o apelido de Coringa não é à toa, e revelou uma conversa um tanto curiosa com o ateta antes da bola rolar. Depois disso, citou exemplos de atletas com as mesmas características, em diferentes trabalhos na carreira.
— Chamam o Gerson de coringa, né? Esse é o apelido dele. Ele é um jogador versátil e pode trabalhar em três, quatro funções. Isso é conceitual. Dito por ele, na base ele trabalhou muito tempo assim. Ele já foi criado. Quando eu coloquei ele nessa função, ele disse que “estava no chip”. Ele tem a coordenação dos movimentos, ou de flutuação, ou de um jogador mais aberto na amplitude para ter a jogada de um contra um. A equipe começa com bons momentos técnicos, tendo jogadores agudos, agressivos, no caso o Luiz ou o BH pelos lados – e completou:
— Coutinho na Seleção, Jadson no Corinthians e D’Alessandro no Internacional. Quando você faz um jogador externo que tem capacidade criativa e percepções de fora para dentro, ele trabalha em uma zona cinzenta onde os volantes adversários não consegue enxergar e ter o controle. Ele vem por trás e encontra o timing para jogar com as combinações e associações. O Gerson, que flutua, tem essa capacidade, tem discernimento e tem no ‘chip’ a possibilidade de ser mais um no quarteto criativo — analisou.

Discursos distintos sobre a paralisação
Os problemas no Rio Grande do Sul também foram tema no pós-jogo do Flamengo. Primeiro, Bruno Spindel esteve ao lado de Tite na coletiva e deu sua versão sobre o posicionamento do clube. Segundo o executivo de futebol, o Rubro-Negro fará o possível para ajudar, mas prefere que o Campeonato Brasileiro não tenha datas adiadas por conta da tragédia.
O pronunciamento de Spindel sobre a possível paralisação do Brasileirão. Flamengo é contra:
“Todos nós, como instituição e como seres humanos, estamos nos solidarizando com a catástrofe no RS. O lado humano é fundamental nesse momento. Temos amigos, parentes por lá. O clube tem…
— Gui Xavier (@GuiVXavier) May 11, 2024
Depois foi a vez de Marcos Braz falar com a imprensa, na zona mista. O vice-presidente de futebol preferiu uma cautela maior para falar sobre o assunto, deixando a responsabilidade com Rodolfo Landim, mandatário do Flamengo. Ele também se solidarizou com as famílias afetadas.
— Essa posição quem deve dar é o presidente Rodolfo Landim, que tem essa ligação junto à CBF. Tem uma questão óbvia, que é uma questão monetária, que temos de tratar. Acho que os clubes têm de ajudar da melhor forma possível, contribuir para que essa tragédia seja diminuída a dor de todos os moradores do Rio Grande do Sul. Tem de ver qual é a melhor forma possível. Se a melhor forma possível é essa, se caminha para isos. Ou se tem outras formas, mais cintundentes, que possa se fazer. Acho que o presidente, na hora certa, vai dar o tom e fazer o encaminhamento aí. Estávamos em uma semana meio conturbada. Estávamos resolvendo as coisas no CT, ajustar os ponto que achávamos que deveríamos ajustar. Falei pouco com o presidente, mas esse tema fica para ele — explicou.
Lorran celebra grande atuação
Grande destaque do Flamengo no jogo, Lorran falou com a imprensa após o apito final. O Garoto do Ninho fez questão de frisar a boa atuação coletiva da equipe e, depois, se abriu para confirmar que a partida deste sábado (11) vai ficar marcada na história.
— Importância (da vitória) é muito boa para o time. Jogo foi muito bom, está todo mundo de parabéns pelo trabalho feito. Estou feliz pelo gol. Esse jogo vai ficar marcado na história, o mais importante para mim. É trabalhar e focar no próximo jogo. É muito especial (fazer gol no Maracanã), graças a Deus com essa massa maravilhosa. Bora — disse.
? O GOL DE LORRAN QUE SACRAMENTOU A VITÓRIA DO MENGÃO POR 2 A 0, SOBRE O CORINTHIANS, DIRETAMENTE DO CAMPO DO MARACANÃ! #VamosFlamengo #CRF pic.twitter.com/6UpmFML8ia
— Flamengo (@Flamengo) May 11, 2024
O próximo desafio do Flamengo será pela Libertadores, nesta quarta-feira (15), quando Tite e companhia receberão o Bolívar, pela quinta rodada da fase de grupos. A bola rola para o duelo decisivo a partir das 21h30 (de Brasília), no Maracanã.
Veja outros pontos abordados na coletiva/zona mista
Resposta importante da equipe
— Quando eu dou resposta técnica é sempre daquele momento e aí tenho cuidado para, em outros momentos, eu não pegar uma situação fora de tempo. No caso, para mim, não é me vangloriar. O aspecto do Lorran evoluir é da base do Flamengo, ele é da formação de atletas do Ninho. Ele não é meu. É muito fácil colocar atleta da base do Ninho e entrar no currículo. Lançou 52 atletas… Quanto mais tivermos a possibilidade de treinar para prepararmos para que eles possam ter o desempenho é o nosso trabalho, mas ele vem da formação e da captação de todo o trabalho que o Flamengo tem. O resultado do desempenho e o resultado do jogo foi compatível. Foram associados. As oportunidades que tivemos e o volume que criamos. O número de participações do goleiro adversário. A precisão das finalizações. Isso trouxe a vitória consistente.
Psicológico também pesa para o treinador?
— A função de técnico eu tenho muito clara. Cada dia que eu tenho no Flamengo é um dia a menos que eu tenho no Flamengo. Mas eu quero fazer desse trabalho de uma forma muito digna, como tem sido aqui. Essas exposições acontecem, desde que sejam nos limites do respeito. Vou te dizer como passei esses dias… No meu trabalho, com meus atletas, com a minha direção, na minha casa com minha esposa e minha filha. É isso que me fortalece.
Confiança já voltou?
— Pega o retrospecto, é possível sim. Nós trabalhamos com um processo metodológico que trocamos dupla de zagueiros, dupla de laterais… Demora um pouquinho a atingir o melhor nível, mas é o que entendemos que seja o melhor para que quando chegar o melhor nível nós tenhamos todos os atletas na sua melhor condição. Eu acredito dessa forma. Existem lesões, o Arrasca estava com bastante vontade. É muito fácil falar do Lorran agora, ele jogou muito. Essa capacidade toda dele em absorver, eu não conheço o bastidor dele de dentro, de instabilidade e tu ter uma retomada com calma, é isso que a gente busca.
Time foi mais criativo?
— É muito ampla essa pergunta. Tem que analisar cada circunstância e escalação. Agora estamos com um atleta de mais flutuação e jogo associativo, o aspecto mental é muito forte. O atleta de alto nível não gosta de alguns comportamentos. A maioria do torcedor flamenguista tem o nosso respeito. Saber que ele vai passar um domingo das mães bem melhor. É a nossa função de poder proporcionar.



