Brasil

Lorran, o Rugal, é herói do Flamengo e das crianças da Cidade de Deus

Principal joia da base do Flamengo, Lorran concedeu entrevista à Trivela e falou sobre apelidos, objetivos e, claro, a final da Libertadores sub-20

O Flamengo tem um novo craque vindo da base, e a torcida passou a conhecê-lo cada vez mais ao longo dos últimos anos. Trata-se de Lorran, um meia-atacante insinuante, que usa sua canhotinha para abrir espaço, servir companheiros e, claro, marcar muitos gols. Internamente, a expectativa pelo lapidar desse diamante bruto é maior do que nunca.

Lorran é solto dentro de campo, mostrando um futebol irreverente e moleque, que o Brasil se acostumou a ver. Foi assim na final da Libertadores sub-20, em que o camisa 10 decidiu para o Flamengo com um gol e assistência, diante de um rival pesado como o Boca Juniors. Em papo exclusivo com a Trivela, o Garoto do Ninho falou sobre a decisão e outros assuntos, como apelidos e futuro da carreira.

Final no sacrifício

Como não podia ser diferente, iniciamos a entrevista perguntando sobre a performance na final da Libertadores. Que o Lorran destruiu, concedendo a assistência para Shola empatar após o 1 a 0 do Boca e marcando o segundo em linda jogada individual, todos já sabem. Preferimos abordar outro prisma, que veio por conta dos problemas físicos.

Mário Jorge, também em entrevista exclusiva à Trivela, falou que Lorran chegou à decisão depois de um caminho árduo de recuperação. O camisa 10 sofreu uma lesão faltando 15 dias para a estreia na Libertadores, ou seja, viu pouco do campo na primeira fase, a fim de chegar 100% no mata-mata. A estratégia deu certo.

— O Lorran vinha convivendo com dores no joelho, e 15 dias antes da estreia sentiu uma lesão muscular. Por isso todo o controle com ele na primeira fase, além do cartão amarelo que ele levou no primeiro jogo. Acho sim, que ele é um atleta que precisa amadurecer, mas é um atleta gigantesco. Ele é habilidoso, driblador e muito decisivo — disse o treinador.

O Garoto do Ninho deu sua versão da recuperação e destacou o trabalho incessante do departamento médico. A volta por cima de Lorran, sem dúvidas, foi muito celebrada pela equipe sub-20 do Flamengo.

— O empenho de todo o departamento médico foi surreal, sempre me incentivando e apoiando. Uma sensação boa em conseguir dar a volta por cima — explicou.

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Apelido e comemoração

Ainda sobre a Glória Eterna, algo a mais chamou a atenção: a comemoração do atleta. Já é marca registrada do meia-atacante e tem tudo a ver com o seu apelido. “Rugal” vem desde cedo e foi abraçado pelo tímido Lorran como uma brincadeira entre os amigos.

A comemoração de Lorran pelo Flamengo na final da Libertadore sub-20 (Foto: Divulgação/Conmebol)

Perguntado sobre as origens, Lorran explicou como calma. Cria da Cidade de Deus, o jogador, naturalmente, cresceu soltando pipa e jogando bola no campo do Bill, bem atrás do CT do Vasco. Os amigos, no entanto, também se apegaram ao fliperama local, que continha o jogo “The King of Fighters”. Foi dali que veio o apelido de Rugal.

— É um personagem do fliperama muito apelão, fui muito bem no jogo e me compararam com ele, e me apelidaram de Rugal. Logo passei a fazer a comemoração dele — revelou.

Por vias de contexto, o Rugal realmente é o mais importante do jogo, considerado um “chefão” do game. Esse bigode, atrelado às roupas formais, fazem bem o estereótipo de chefão do crime que o game quer passar. Ele é tão poderoso que pode destruir cidades inteiras, assim como Lorran pode destruir defesas adversárias, devidas proporções.

Esse é o Rugal, que inspira as comemorações de Lorran pelo Flamengo (Foto: 2017 – 2024 Zeref-ftx)

Futuro?

Como mencionado, Lorran é a principal joia da base do Flamengo neste momento. O meia-atacante chegou cedo ao clube e se tornou camisa 10 do sub-17 com 15 anos. Ele segue com a numeração pesada no sub-20, mesmo que tenha três anos a menos do que a idade limite. O Rubro-Negro até tenta tratar a maturação com cautela, mas às vezes é difícil.

Lorran estreou entre os profissionais do Flamengo com apenas 16 anos e logo marcou seu primeiro gol, diante do Bangu, no Carioca do ano passado. O tento, inclusive, fez com que Rugal quebrasse o recorde de mais jovem a balançar as redes com a camisa rubro-negra, desbancando outro prodígio, Vinicius Júnior, por cerca de seis meses. Vale lembrar que a joia tem contrato com o clube da Gávea até dezembro de 2025.

Por toda a expectativa, os profissionais do Flamengo já parecem pouco para ele. No início desta temporada, o jornalista Fabrizio Romano, um dos mais conceituados da mídia europeia, confirmou interesse de Barcelona, Real Madrid, Chelsea e Manchester United. A multa rescisória de Lorran gira em torno de 50 milhões de euros (R$ 264 milhões) e, se for vendido por esses valores, baterá o recorde de maior negociação da história do clube.

  • Vinícius Júnior – Real Madrid – R$ 247 milhões;
  • Lucas Paquetá – Milan – R$ 214 milhões;
  • Reinier – Real Madrid – R$ 165 milhões;
  • Gerson – Olympique de Marseille – R$ 114 milhões;
  • Matheus França – Crystal Palace – R$ 104 milhões.

Pelo alto nível apresentado desde que chegou ao Flamengo, é natural que Lorran pense no futuro, mas o sentimento é de pés no chão. Com o apoio da família e de funcionários do clube, o caminho é construído de maneira muito natural.

— Muito feliz por tudo que tem acontecido. Minha família, os profissionais do Flamengo sempre estão me aconselhando e me direcionando a fazer a coisa certa. Desde de quando eu cheguei eles me apoiaram e me deram todas as condições e estrutura pra desempenhar o meu melhor futebol — finalizou.

Entre o fliperama da CDD e os mais diferentes gramados do mundo, Lorran cumpriu uma longa trajetória, que ainda precisa ser escrita nas páginas da história do futebol. Além do Flamengo, o meia-atacante também é figurinha carimbada na Seleção Brasileira de base, tendo disputado o sul-americano e o mundial das mais diferentes categorias. O céu é mesmo o limite.

No momento, Lorran treina com os profissionais do Flamengo e aguarda uma oportunidade de Tite para entrar em campo. Já foram seis jogos no time de cima, com um gol, já citado, diante do Bangu, em 2023, e uma assistência, nesta temporada, contra o Nova Iguaçu, justamente o adversário do Rubro-Negro na grande final do Campeonato Carioca.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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