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O que explica ascensão meteórica de Filipe Luís que culminou no tetra da Libertadores do Flamengo?

Ex-lateral foi campeão em 2019 como jogador e, com menos de dois anos como técnico, alcança grandes feitos no Rubro-Negro

Filipe Luís se aposentou em 2023 depois de uma passagem muito vitoriosa como lateral no Flamengo. Em 2024, treinou os times sub-17 e sub-20, também sendo campeão. Em outubro do ano passado, há pouco mais de um ano, se tornou o técnico efetivo do clube. Agora, é campeão da Libertadores.

O título conquistado sobre o Palmeiras neste sábado (29), em vitória por 1 a 0, foi o último passo de uma trajetória meteórica. Em dois anos, foi de jogador profissional a treinador campeão da América e possivelmente também do Brasileirão.

O meteoro Filipe Luís: de jogador à base e ao título da Libertadores

Ainda em sua apresentação como técnico efetivo do clube, Filipe Luís reforçou a sua proximidade com o elenco. Foi companheiro da grande maioria dos jogadores antes de virar treinador e conhecia muito o ambiente interno do clube.

Esse pode ter sido seu maior trunfo. Rodrigo Caio, companheiro de defesa como jogador, também integrou sua comissão técnica. Ao apontar Filipe, o Rubro-Negro criou um ambiente “caseiro” e raramente saudável.

Isso foi um fator crucial para que o modelo de jogo fosse implementado no mais alto nível. Domènec Torrent e Paulo Sousa tiveram dificuldades de fazer o mesmo no clube, por exemplo.

Filipe Luís durante a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo
Filipe Luís durante a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo (Foto: Imago)

Filipe teve ideias parecidas com os dois europeus, principalmente com Domènec. O ex-lateral levou o Jogo de Posição, que já foi trabalhado no clube nos últimos anos, a um nível de excelência. O Flamengo domina adversários com a bola, manipulação de espaços e com grande noção de todas as distâncias do jogo.

Com Paulo Sousa, Filipe se tornou zagueiro em uma linha de três, que seguia defendendo com quatro defensores em organização defensiva. É inegável que o ex-lateral aprendeu muito com a dupla e formou grande parte de suas ideias vindo de fontes parecidas — além da influência óbvia de Jorge Jesus.

A carreira de treinador já começou nas alturas. Após aposentado, permaneceu no clube: treinou o sub-17, com 16 vitórias em 20 jogos e 53 gols marcados, além da Copa Rio da categoria. Meses depois, foi ao sub-20 e mais um título, o Intercontinental.

Foi de janeiro de 2024 a primeira experiência como treinador em toda a vida. E, menos de dois anos depois, um título da Libertadores.

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Como Filipe Luís levou o Flamengo ao título da Libertadores

Agora, o Flamengo é uma máquina de dominar e criar espaços. Na final contra o Palmeiras, conseguiu criar oportunidades arrastando os marcadores que passaram praticamente o jogo inteiro em pressão individual. Apesar de não ter “amassado” o rival, o domínio foi evidente.

A equipe de Filipe Luís evidencia como o Jogo de Posição não é rígido. Manipulou o posicionamento da defesa palmeirense, com Bruno Henrique descendo e tirando Gustavo Gómez de posição, bem como os pontas se aproximando e criando superioridade numérica. Além de Jorginho e Pulgar descendo entre os zagueiros para criar um 3×2 na saída de bola.

O resultado: um time que chegou a passar de 70% de posse de bola durante o jogo, se defendeu com a bola, pressionou forte e, quando precisou baixar as linhas, impediu a criação rival. Quatro dos sete chutes do Palmeiras foram bloqueados, por exemplo. A equipe de Abel Ferreira só teve momento positivo depois do gol flamenguista.

Desde o Mundial de Clubes havia ficado evidente a separação do Flamengo do restante do futebol brasileiro. Em termos de ideias e execução, Filipe Luís implementou o trabalho mais completo do país e, agora, da América.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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