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Sem deixar de cutucar o rival, Leila se mostra racional e vai direto ao ponto na rixa entre Palmeiras e São Paulo

Presidente do Palmeiras, Leila Pereira concedeu entrevista se posicionando sobre os incidentes ocorridos no MorumBis após empate com o São Paulo

Passados alguns dias do Choque-Rei do último domingo (3), pelo Campeonato Paulista, ficou um pouco mais fácil avaliar os acontecimentos da guerrilha que se tornou a relação entre Palmeiras e São Paulo.

Na terça-feira (5), com a bola em sua quadra, a presidente alviverde Leila Pereira foi certeira. Ácida, sem perder a elegância, ela disse o que pensa, sendo incisiva e, mesmo assim, diminuindo a fervura. E contra-atacou sem contribuir para uma escalada da violência.

Em entrevista concedida ao ge, a dirigente alviverde não aliviou para o presidente Julio Casares e para o diretor Carlos Belmonte, do São Paulo.

O presidente foi chamado de histérico, pelos gritos dados na zona mista. Já o cartola de futebol, que chamou Abel Ferreira de “português de merda”, foi declarado persona non grata no clube. Leila estuda maneiras legais de impedir sua entrada nos jogos com mando do Palmeiras.

Mais uma vez, em retrospecto, é difícil entender, por linhas retas, porque Abel virou o alvo da fúria dos dirigentes, se quem errou no jogo, como na não expulsão de Richard Ríos, foi o árbitro Matheus Candançan. Mesmo se existir, no São Paulo, a crença de que Abel influenciou o juiz a tomar decisões equivocadas, a culpa continua não sendo do treinador do Palmeiras.

A conclusão inevitável, como a Trivela disse em um texto sobre os xingamentos de Mario Gobbi, e outro sobre a prória confusão no MorumBis, é que deve haver inveja quanto ao trabalho impecável do técnico do Palmeiras. Foi por aí também que Leila se saiu na entrevista que concedeu.

Rixa precisa acabar para não colocar profissionais e torcedores em risco

Carlos Belmonte, diretor do São Paulo, xinga técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, após Choque-Rei, no Morumbis (Foto: Reprodução Twitter)

De tão exagerada, as atitudes da diretoria do São Paulo talvez tenham colocado um fim em uma rixa que tem escalado para muito além do razoável, ao longo dos últimos tempos.

Que teve, por exemplo, uma garrafa atirada em um ônibus da delegação alviverde, em Belo Horizonte, há cerca de um mês. Profissionais do São Paulo hostilizados dentro do Allianz Parque. Calleri derrubando um celular de um jovem torcedor. E ainda Danilo sendo homofóbico ao comemorar a conquista do Paulista de 2022.

A atitude de Leila evidencia que, do lado da diretoria do Palmeiras, qualquer retaliação não virá de forma virulenta. Leila disse o que tinha de dizer e vai tomar atitudes respaldadas na lei para confrontar os gritos e as injúrias xenofóbicas de Belmonte. Que, diga-se, acuou também a assistente Neuza Inês Back, que estava dentro do cerco liderado pelo diretor — que teve também Calleri e Wellington Rato, que não jogaram.

Segundo a Trivela apurou com fontes do clube, tampouco o Palmeiras deixará de oferecer a sua sala de entrevistas coletivas para Thiago Carpini num próximo jogo entre as equipes, ao contrário do que o São Paulo fez com Abel Ferreira. Tal encontro, aliás, pode vir ainda no Campeonato Paulista.

No ano em que os rivais voltaram a dividir estádio, pela primeira vez, em oito anos — com direito a acordo de paz entre as torcidas organizadas — é no mínimo patético que dirigentes se portem como torcedores do pior tipo.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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