Endrick pede passagem e tem que ser titular na Seleção; como Dorival pode escalar?
Camisa 9 brilhou toda vez que pisou em campo com o Brasil, chegou hora da merecida titularidade
Mostrando estrela, mas acima de tudo qualidade, o atacante Endrick fez história no amistoso do último sábado (3) contra o México.
Saindo do banco, ele marcou o gol da suada vitória por 3 a 2 já nos acréscimos, a terceira bola na rede seguida pelo Brasil, algo inédito para um jogador sub-18 com a Seleção Brasileira desde Pelé.
O centroavante do Palmeiras, a caminho do Real Madrid ao término da Copa América, ainda nem atuou como titular com a camisa amarela. São cinco jogos, todos saindo do banco, que somam apenas 124 minutos.
Mas o garoto de 17 anos aproveitou cada momento e pede passagem: precisa ser titular. Como Dorival Júnior pode escalá-lo, já que duas posições já estão naturalmente preenchidas? É o que a Trivela explica nesta análise.
Endrick centroavante ou pela direita: os cenários para Dorival Júnior escala a Seleção
O natural é pensar que o atacante entre na posição central do ataque, mas não é tão simples assim. Na Data Fifa de março, com todo mundo à disposição no ataque, o Brasil entrou com um ataque móvel, sem centroavante.
A formação tinha Vinicius Júnior na esquerda, Rodrygo como falso nove/meia e Raphinha na direita. Na teoria, apenas o atacante do Barcelona ficava preso em sua função, enquanto a dupla do Real, com lugar cativo e incontestável no time, tinha muita liberdade de posicionamento e fez interessantes associações por dentro.
Com Endrick na vaga de Raphinha, Dorival poderia colocar o garoto como centroavante e mover o Rayo para direita.
Porém, isso tiraria muita liberdade do agora camisa 10 da Seleção, um dos principais jogadores no pós-Copa do Mundo de 2022, dono de mais minutos em campo (869), com 10 das 12 partidas disputadas.
Mais do que o tempo em campo, Rodrygo tem jogado bem como esse meia ou ponta com liberdade para flutuar. Foi assim ainda com o interino Fernando Diniz e voltou a ser na estreia do novo técnico. Portanto, apenar colocar Endrick como nove não resolve a questão.
Lembrando que Danilo é o lateral-direito titular do Brasil, importante na saída de bola e sem fôlego para, aos 32 anos, cumprir função de ocupar o corredor direito no momento ofensivo.

Projetar que Endrick entre na ponta direita traz o mesmo problema. Para extrair o melhor do atacante, ele tem que jogar com liberdade para sair da posição, tabelar por dentro e aparecer na área.
Inclusive, no Palmeiras, Abel Ferreira foi alvo de críticas por vezes ter deixado o camisa 9 aberto como se fosse um ponta – por vezes até como ala.
Uma alternativa para “compensar” Rodrygo ou Endrick na direita e dar liberdade para quem exercer essa função flutuar para outros setores seria escalar Yan Couto como lateral ao invés de Danilo.
Neste cenário, o jogador do Girona subiria para ocupar a direita. Mas também traria impacto em outras posições, como o lateral-esquerdo, que não poderia subir e obrigaria Vini a segurar mais aberto.

Ainda há uma terceira opção, bem ofensiva, que deixaria Endrick e Rodrygo totalmente a vontade: o camisa 9 de centroavante e o 10 de meia. Com isso, Vini seria o ponta pela esquerda e Raphinha na direita.
Em tese, Lucas Paquetá, outro que jogou bem em março, perderia a posição e o meio-campo teria Bruno Guimarães e João Gomes como dupla de volantes.
É um caminho bem ofensivo, podendo trazer problemas na recomposição e atrapalhando o melhor funcionamento de Vini Jr., candidato a melhor do mundo na última temporada.

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O que Dorival Júnior pensa sobre Endrick titular?
Com os gols e a clara pressão para escalar uma das grandes joias do futebol brasileiro nos últimos anos, Dorival Júnior recebeu questionamentos nas entrevistas coletivas.
Sereno e calmo como sempre, o experiente técnico 62 anos prezou pelo tempo, paciência e amadurecimento do jogador, seja na entrevista pré ou após ao jogo com gol do atacante.
– É um jogador que depende única e exclusivamente dele ocupar um espaço. Tudo é questão de tempo, amadurecimento naturalmente e oportunidade. Acredito que ele vá ter por tudo que vem demonstrando, tanto no Palmeiras, quanto na seleção brasileira. – disse antes do amistoso.
Após a partida, o comandante afastou comparações – como o número que Endrick igualou ao de Pelé (anotar três gols antes dos 18 anos pela seleção) – e ressaltou a necessidade de “cuidado” com o garoto pela ascensão precoce.
– [O gol] é um fator importante, que vai passando confiança para o atleta. Temos que ter calma e paciência, sem comparação nenhuma com um nome ou outro. O Endrick tem que se fazer por ele próprio. Ele tem que buscar o seu espaço e é isso que vem acontecendo com calma.
– Vamos ter muito cuidado com esse garoto. Está acontecendo muita coisa em sua vida em tão pouco tempo. Ele mantém a essência. Vi o início no Palmeiras e é uma coisa importante, que chama a atenção e engrandece o que ele está realizando em tão pouco tempo de carreira. – completou.
O Brasil volta a campo nesta quarta-feira (12), em novo amistoso, agora contra os Estados Unidos. Bom momento para testar o funcionamento do ataque com Endrick, Vinicius Júnior e Rodrygo.
A Seleção Brasileira estreia na Copa América em 24 de junho, quando joga contra a Costa Rica. Também divide o grupo D com Colômbia e Paraguai.



