Brasil

Os prós e contras para o Cruzeiro se disputar o Campeonato Mineiro com time sub-23

O Cruzeiro pode abrir mão de disputar o Campeonato Mineiro com força máxima visando as outras competições de 2024

Que a diretoria do Cruzeiro enxerga o Campeonato Mineiro como um torneio de menor importância não é novidade para ninguém, mas isso pode ser levado a outro nível na edição de 2024 do estadual. Segundo informação dos jornalistas Samuel Venâncio e Thiago Valu, o clube celeste cogita disputar a competição com uma equipe sub-23. A ideia é preparar o time principal da Raposa para os três principais torneios do ano: Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Brasileirão.

A possibilidade dividiu torcedores nas redes sociais. Alguns cruzeirenses entenderam como algo positivo, visto que o estadual ocupa um período grande no calendário e muitas vezes não impacta no decorrer da temporada, enquanto outros acham que o time do Cruzeiro ainda não está pronto para abrir mão de tantos jogos que poderiam ser usados para entrosar e dar ritmo de competição aos atletas. A Trivela então separou alguns pontos positivos e negativos de se jogar do Campeonato Mineiro com um time sub-23.

Pontos positivos de se usar um time sub-23

Menor desgaste

Talvez o principal benefício de se apostar numa equipe sub-23 para o Campeonato Mineiro seja sentido a longo prazo. O calendário do futebol brasileiro é muito pesado e não é incomum que as equipes façam mais de 60 partidas no ano. Isso é uma carga alta em qualquer situação, mas para um time que não tem condições financeiras de montar super elencos, pode ser ainda mais problemático.

Em 2023, o Cruzeiro foi uma das equipes da Série A do Campeonato Brasileiro que menos atuou e, ainda assim, foram 52 jogos. No fim do ano, os jogadores da Raposa já acusavam o desgaste, acentuado pela pressão vivida nos momentos de definição da temporada.

Se o Cruzeiro utilizar um time sub-23 no estadual, haverá um maior equilíbrio. Jogadores que jogariam mais, atuarão menos, enquanto outros que não teriam tantas oportunidades, ganharão minutos em campo.

Oportunidade para jovens jogadores

Outro ponto positivo de se utilizar o sub-23 é poder dar mais oportunidades para garotos das categorias de base. O Cruzeiro possui um grande número de jogadores promissores, mas, sem atuar, muitos deles terão seu desenvolvimento prejudicado, enquanto outros precisarão buscar espaço fora do clube. Quanto mais entrarem em campo, maiores as chances deles “vingarem” no profissional.

Dentre os garotos escolhidos para o Campeonato Mineiro, aqueles que se destacarem e mostrarem maturidade para o futebol profissional poderão se tornar peças importantes do elenco. Ainda sem conseguir competir financeiramente com alguns rivais nacionais, é primordial que o Cruzeiro consiga formar talentos em casa, para que rendam no âmbito esportivo e financeiro, com eventuais negociações.

Tempo de preparação

Sem ter a necessidade de jogar com seu time principal nos meios e finais de semana, o novo treinador do Cruzeiro, Nicolás Larcamón poderá trabalhar com tranquilidade e preparar sua equipe para os confrontos mais importantes com mais calma. Enquanto comandou a Raposa no fim de 2023, Paulo Autuori sempre bateu na tecla da dificuldade de corrigir erros e mudar o time tendo apenas dois, três dias entre uma partida e outra.

Além disso, a tendência é que a utilização dos sub-23 seja algo negociável, portanto se o treinador celeste decidir colocar alguns titulares ou até mesmo todo o time principal para jogar em algumas ocasiões no Mineiro, isso será plenamente possível.

Pontos negativos de se usar um time sub-23

Entrosamento e competitividade

O time do Cruzeiro, apesar de já ter uma base de jogadores titulares que vem de 2023, ainda está em processo de montagem e alguns atletas ainda irão chegar ao clube. Além disso, o time mineiro terá um novo treinador, o argentino Nicolás Larcamón, que nunca trabalhou no Brasil. Sendo assim, a tendência é que haja a necessidade de tempo para aplicação de ideias de jogo, entrosamento e ritmo, o que não se consegue somente com treinamentos.

Enquanto os atletas precisarão se conhecer e entender o que pensa o novo técnico, Larcamón precisará sentir como funciona o futebol brasileiro, o torcedor celeste e também os adversários. Além disso, mesmo que o Campeonato Mineiro tenha um nível técnico baixo, as equipes do interior costumam dar tudo para ganhar de um clube grande e os jogos que restam são clássicos. Mesmo que não haja proximidade técnica, há muita competitividade nessas partidas e ter um ritmo mais forte, adquirido nestes confrontos, pode ajudar em partidas duras de competições como a Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e o início do Brasileirão.

Busca pelo título

O Cruzeiro não vence o Campeonato Mineiro desde 2019, quando mergulhou numa crise profunda e se tornou muito menos competitivo que seus rivais Atlético-MG e América-MG. Sem conseguir bater de frente em seu estado, a Raposa viu o time alvinegro conquistar quatro títulos em sequência, sendo que em três ocasiões o time celeste não conseguiu alcançar a grande final.

Por ser um campeonato de menor importância e o Cruzeiro ter tido questões maiores nos últimos anos, não dá para afirmar que se trate de um jejum que incomoda, mas com certeza todo torcedor celeste gostaria de voltar a ganhar o estadual e, apesar de não ser possível cravar, a tendência é de uma facilidade maior ao utilizar o time principal.

Necessidade de uma boa campanha para se classificar para a Copa do Brasil

Uma preocupação de se jogar o estadual com um time sub-23 é que a classificação final na competição tem peso na hora de definir as vagas para a Copa do Brasil do ano seguinte. O Santos, por exemplo, não disputará o principal mata-mata nacional em 2024 por resultados ruins no Paulistão e no Campeonato Brasileiro. E isso custa muito dinheiro. Em caso de campanhas ruins em ambos, este passa a ser um risco real e, querendo ou não, um time de garotos está mais propenso a ser surpreendido que uma equipe principal.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
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