Brasil

Grito de ‘segunda divisão’ é derrota moral do Corinthians maior que placar contra o Palmeiras

Em campo, derrota corintiana não foi acachapante, mas risco de queda é cada vez maior para o Timão e necessidade para António Oliveira

Enquanto Rodrigo Garro e Raphael Veiga se estranhavam em campo, a torcida do Palmeiras gritava “ão, ão, ão, segunda divisão” para um Corinthians nas cordas após ver o clássico acabar em cinco minutos, após dois gols do maior rival. 

E a provocação, que é totalmente do jogo, foi uma derrota maior do que o 2 a 0 para a equipe alviverde, já que boa parte dos corintianos temiam mesmo uma goleada antes da bola rolar. 

No apito final, o locutor do Allianz Parque tripudiou ainda mais para cima da Fiel. 

— Atenção torcida do Palmeiras, a farra não acabou — disse ele, remetendo as faltas do ex-diretor de futebol corintiano Rubão e do presidente Augusto Melo no início do ano. 

E essa dor é ferida tão aberta para os corintianos porque é um medo muito real, já que o time, que venceu apenas um em 13 jogos no Brasileirão e vai chafurdando cada vez mais no limbo da zona do rebaixamento, onde ocupa a 19ª colocação. 

Para piorar ainda mais, o Timão até que não fez um jogo ruim, principalmente no primeiro tempo, quando conseguiu segurar o adversário e até criou boas chances, mas sempre na dependência do garoto Wesley, que fez Marcos Rocha ter pesadelos. 

“Wesleydependência” é bom e mau sinal para o Corinthians

Não há sombra de dúvidas que o atacante foi o melhor atleta corintiano na partida. Em alguns momentos, sobretudo na etapa inicial, foi ele o cara do jogo. 

No duelo de revelações contra Estêvão, foi a cria do terrão que levou a melhor em quase todas. E nas disputadas com o experiente Marcos Rocha, o camisa 36 não tomou conhecimento. 

O problema é que o garoto foi o único escape do Corinthians, que segurou bem a pressão inicial do Palmeiras, mas, novamente, não teve criatividade. Rodrigo Garro foi praticamente nulo no jogo e, mais uma vez, o Timão não teve meio-campo. 

Piquerez e Wesley disputando bola em Palmeiras e Corinthians
Wesley fez o que quis com a defesa do Palmeiras no primeiro tempo, mas não foi o suficiente para evitar derrota corintiana no Dérbi (Foto: Icon Sport)

Raniele é pivô da derrota corintiana

Um dos poucos jogadores do Corinthians que tem se destacado na temporada, Raniele não foi bem no clássico contra o Palmeiras.

O volante pareceu pilhado, recebeu um cartão amarelo bobo ainda no primeiro tempo, e no segundo cometeu a falta que originou o primeiro gol palmeirense. 

Ponto final iminente para António Oliveira

O treinador do Corinthians já vinha na corda bamba há, pelo menos, duas partidas. Porém, os empates contra Athletico-PR e Cuiabá nas duas últimas rodadas do Brasileirão mantiveram o treinador no cargo, mesmo a contragosto de praticamente toda a diretoria corintiana. 

A ausência de opções e até mesmo de um interino também foram fatores importantes para a permanência do português. E foi por esse motivo que pessoas no Timão até defendiam a sequência ao treinador mesmo em caso de derrota sem humilhação no Dérbi. 

Porém, a sequência do profissional à frente do Timão se mostra cada vez mais um erro.

Não existe mais clima entre ele, elenco e diretoria. E nem há mais o que o treinador extrair de um elenco extremamente limitado e que o ainda comandante corintiano não acredita que será reforçado de uma maneira qualificada, como a expectativa criada pela direção. 

Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue à São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é repórter na rádio 9 de Julho, comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília, e narrador freelancer.
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