Brasil

Corinthians é multado pelo STJD por cantos homofóbicos em jogo da base

Corinthians terá de pagar R$ 10 mil por gritos preconceituosos da torcida, em partida das oitavas de final da Copa do Brasil Sub-17 contra o Internacional

O Corinthians voltou a ser punido por cantos homofóbicos de sua torcida, menos um ano após o episódio no clássico Majestoso, em 14 de maio de 2023, repercutir nacionalmente. Nasegunda-feira (15), a 1ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) multou o clube alvinegro em R$ 10 mil pelos gritos preconceituosos preferidos em uma partida da Copa do Brasil Sub-17.

A infração foi narrada na súmula do jogo de ida das oitavas de final entre Corinthians e Internacional, no dia 5 de março de 2024. Ao fim do primeiro tempo, o árbitro apontou que parte dos torcedores corintianos entoaram cânticos homofóbicos nas arquibancadas. O placar terminou empatado por 1 a 1.

— Informo que, ao fim do primeiro tempo, foi possível escutar cantos de cunho homofóbicos vindo da torcida mandante, no qual dizia: ”Arerê, gaúcho dá o c* e fala tchê”. Com isto, o sistema do estádio interviu e não foi possível ouvir em mais nenhum momento tal ato — notificou o árbitro Gustavo Holanda Souza no documento.

Em torno de 250 torcedores estavam presentes na partida, sendo que um grupo de 20 a 30 pessoas, que estavam na batucada da organizada, puxaram o canto. Segundo o depoimento de Claudinei Muza, gerente geral do departamento de base, à sessão, a minoria logo foi contida. No entanto, a conduta gerou denúncia ao Corinthians no artigo 243-G do código do STJD.

— Eu estava presente na partida e realmente ao final do primeiro tempo houve um canto por parte de alguns torcedores que estavam na arquibancada coberta. Eu mesmo, imediatamente, pedi a assessoria de imprensa que postasse no telão do estádio mensagem dizendo que qualquer tipo de homofobia é crime e isso foi feito. Acredito que a torcida tenha se conscientizado e, como o quarto árbitro relatou, não teve mais nenhum episódio nesse sentido até o final da partida — disse o gerente da base em seu relato.

O Corinthians apresentou provas documentais, mas advogado do Corinthians, Sérgio Engelbert sustentou a fala de Muza e concordou que uma multa condizente fosse aplicada ao caso.

Após os depoimentos, o relator do caso, Ramon Rocha proferiu o voto em desfavor do Corinthians: “O fato é incontroverso e a própria defesa reconhece que foram entoados os cânticos”.

A decisão ainda cabe recurso do Timão, no Pleno do Tribunal.

Corinthians foi punido por cânticos homofóbicos em 2023

Em 14 de maio do ano passado, corintianos entoaram o canto “Vamos, vamos Corinthians! Dessas bichas teremos que ganhar” antes e durante o empate por 1 a 1 entre Corinthians e São Paulo, pelo Brasileirão.

As ofensas foram gritadas em vários momentos, em uníssono, por boa parte das arquibancadas da Neo Quimica Arena. Começou minutos antes do próprio jogo, entre o aquecimento e o apito inicial. Depois, novamente durante a primeira etapa, e os torcedores inclusive subiram o volume quando o sistema de som e o telão da Arena anunciaram que aquilo poderia resultar em punição ao clube.

No segundo tempo, qualquer sinal de constrangimento falhou, e o árbitro Bruno Arleu de Araújo precisou paralisar o jogo por conta dos xingamentos. O telão exibiu novamente as orientações, mas a torcida passou a cantar ainda mais forte.

Durante o segundo tempo do clássico, a conta oficial do Corinthians no Twitter chegou a postar um trecho da música que, no estádio, foi cantada com termos homofóbicos. A publicação usou os dizeres “Vamos, vamos Corinthians”. Depois, o post foi apagado — a música original tem os versos “Vamos, vamos Corinthians, nessa noite (ou esse jogo), teremos que ganhar”.

Exatos 30 dias após o ocorrido, o STJD decidiu, na 3ª Comissão Disciplinar, que o Corinthians a pena de um jogo de portões fechados. O clube recorreu, conseguiu um efeito suspensivo e levou a disputa ao Pleno do Tribunal, que, por fim, manteve a decisão.

Foi a primeira vez que o STJD obrigou uma equipe a jogar sem torcida desde a reformulação do Regulamento Geral das Competições da CBF, que na última temporada passou a punir com mais severidade os casos de homofobia.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
Botão Voltar ao topo