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Sem companheiros, Garro está sobrecarregado no sistema criativo do Corinthians

Praticamente sozinho no meio de campo, Rodrigo Garro carrega responsabilidade de criar oportunidades de gol para o Corinthians

Rodrigo Garro fez apenas dez partidas pelo Corinthians, mas já se provou uma peça fundamental no meio de campo. Especialista na bola parada e cérebro do setor, o argentino conquistou espaço rapidamente sob o comando de António Oliveira. Versátil e inteligente, ele se tornou a dupla perfeita para Maycon. Porém, desde que o seu companheiro se lesionou, o camisa 10 tem carregado praticamente sozinho a responsabilidade de criação da equipe.

Desde que estreou pelo Timão, no clássico contra o Santos, Garro foi responsável por três assistências e marcou um golaço de falta cotra o Palmeiras, na Arena Barueri. No entanto, o papel do meia não se resume a bons passes e cruzamentos. A grande virtude do jogador é a facilidade para encontrar e ocupar espaços no campo de ataque. Em resumo, ele é essencial para a organização ofensiva do Corinthians atualmente.

O próprio António Oliveira rasga elogios ao argentino. Na vitória sobre o Santo André por 3 a 2, na penúltima rodada do Campeonato Paulista, o treinador não poupou adjetivos para descrever o meia. Naquela ocasião, ele atuou poucos minutos com Igor Coronado, que se recupera de uma lesão muscular e de um quadro de dengue, e quase marcou um golaço após uma tabela.

— Os talentosos sempre terão espaço nas minhas equipes. A equipe joga também sem a bola. Evidente que tiveram pouco tempo juntos, mas o Rodrigo está sendo estimulado e solicitado nos últimos jogos. É um nome que não está tão habituado à sequência de jogos, então é normal tomar algumas decisões erradas. Temos que buscar dentro do clube, da equipe. O Igor ocupou espaços. São dois jogadores talentosos, que se associam bem, percebem o jogo da mesma forma. São dois grandes jogadores e, portanto, têm possibilidades de jogarem juntos — admitiu o treinador após a vitória na Neo Química Arena.

Maré de azar no meio-campo

Depois disso, uma maré de azar atingiu o setor criativo. Igor Coronado foi afastado para tratar de lesão, assim como Maycon e Fausto Vera, diagnosticado com uma fascite plantar. Desses nomes, apenas Vera retornou definitivamente, mas ainda com cargas leves. Paulinho, que finalizou a transição após uma grave lesão no joelho, ainda não está pronto para atuar 90 minutos.

Enquanto isso, o jovem e inexperiente Breno Bidon é quem tem suprido essas ausências. Por conta disso, praticamente toda a expectativa de boas jogadas é depositada no camisa 10. E, por mais que ele tenha correspondido, fazendo boas partidas, não tem sido o suficiente.

No esquema 4-3-3 adotado por António, praticamente todos os lances de perigo começam ou passam por Garro. Isso quando ele não parte para a jogada individual e aposta em finalizações de fora da área, pela facilidade que tem em direcionar a bola.

O problema é que, quando o argentino é bem marcado, fato que aconteceu na partida contra o Racing-URU, na estreia pela Copa Sul-Americana, o Timão não consegue ser eficiente no ataque. Por exemplo, no 1º tempo ele foi praticamente anulado pela marcação, e o Timão teve apenas duas chegadas perigosas, uma com Fagner e outra com Yuri Alberto após lindo passe de Garro.

— Saímos com um sabor amargo porque viemos buscar os três pontos e voltamos com um. São detalhes que temos que corrigir, mas não tenho dúvidas que vamos seguir lutando nesse torneio, é um objetivo que temos -— admitiu Garro em entrevista à Paramount+.

Esperança com retornos

Nas próximas semanas, os meias lesionados devem começar a pisar mais no gramado e, consequentemente, o setor será beneficiado. Aliás, o iminente retorno de Igor Coronado, que pode acontecer já nesta terça-feira (9), promete a sinergia criativa que o camisa 10 tanto precisa.

No entanto, essa esperança talvez precise ser aliada a um novo esquema. No 4-3-3, António ainda não conseguiu fazer os armadores se aproximarem o suficiente das três peças do ataque.

— Dominamos a maior parte do jogo, mas nessa fase são detalhes. Temos que corrigir, ver as coisas boas e más que fizemos. Essa instituição tem uma camisa e uma torcida que demandam muito, temos que responder. Temos um grande grupo, esse foi o primeiro jogo, creio que vamos seguir por um bom caminho — completou o camisa 10.

Na próxima terça-feira (9), o Corinthians volta a campo contra o Nacional-URU, pela segunda rodada da Copa Sul-Americana, na Neo Química Arena, às 19h (horário de Brasília).

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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