Brasil

Corinthians flertou com a zona de rebaixamento no Brasileirão e se salvou por ‘carta na manga’ de Mano Menezes

Corinthians teve dificuldades para vencer dentro de casa e teve que lidar com protestos da torcida diante a possibilidade de disputar a Série B

Assim como a maioria das equipes que disputam mais de uma competição no ano, o Corinthians teve que fazer escolhas durante a temporada, e priorizar competições. Em 2023, o alvinegro em 2023 teve um plantel que não pode ser considerado curto, mas que sofreu baixas pontuais por lesões e desgastes.

Consciente de que não conseguiria disputar o título nos pontos corridos, o Timão focou seus esforços nas competições de mata-mata, Copa do Brasil e Sul-Americana, e foi empurrando com a barriga os péssimos resultados no Campeonato Brasileiro. Em 38 rodadas, o Corinthians não conseguiu passar do meio da tabela, e encerrou a competição com apenas 12 vitórias, 14 empates e 12 derrotas.

O negacionismo que durou por mais de 20 rodadas

O Corinthians usou os outros campeonatos como “justificativa” para as dificuldades no Brasileirão. O principal argumento era que time estava em semifinais. Outra boa desculpa era o jogo a menos diante do Grêmio, mas a verdade é que a situação complicada era um reflexo do trabalho feito por Luxemburgo e pela diretoria.

Assim, rodada, após rodada, dentro de campo, o desempenho do time era cada vez pior. Em algumas partidas o esquema tático era inexistente, e os jogadores pareciam somente correr, desesperados e sem rumo. Independente do adversário a ser enfrentado ou do lugar, o resultado era mesmo: 90 minutos de dificuldade, e flerte com a zona de rebaixamento.

A luz de alerta só foi acessa e o negacionismo do Corinthians chegou ao fim depois da partida com o Grêmio. O empate surreal em 4 a 4 não era o que time esperava dentro de casa, e a desculpa do jogo a menos já não colava com o torcedor que se preocupava um time que ficou mais de uma mês sem conseguir vencer.

Algumas semanas depois, Luxemburgo foi demitido, Mano Menezes contratado, e o time foi eliminado na Copa Sul-Americana. Assim, caía por terra mais um argumento, uma das muletas da diretoria e da antiga comissão. O que restou foi o Campeonato Brasileiro.

Corinthians teve dificuldades para vencer dentro da Neo Química Arena

A situação foi tão complexa que nem mesmo em casa, onde costuma dominar seus adversários, o Corinthians conseguia bons resultados. Dentro da Neo Química Arena, foram apenas seis vitorias, dez empates e três derrotas. Esses números foram aumentando cada vez mais a pressão sobre o elenco, que jogo após jogo deixava o campo sob vaias e gritos de ordem vindos de todos os lados da arquibancada.

Rondando a zona de rebaixando, o Corinthians recebeu o Bahia, outro candidato ao rebaixamento, e o que era para ser um jogo para pontuar, se tornou um vexame. Um dos piores jogos da temporada – e não faltaram concorrentes. A goleada do Bahia por 5 a 0 foi a fagulha que faltava para a situação pegar fogo.

Assim que o jogo acabou, torcedores invadiram o campo, enquanto outros tentavam chegar até os jogadores, na área dos vestiários. Então, o assunto que era ‘proibido’ começou a ser a ganhar mais espaço e virou uma preocupação plausível: a Série B.

Corinthians conseguiu reação longe da Neo Química Arena e se afastou da zona de rebaixamento na penúltima rodada

O sinal de alerta já estava acesso, e o receio de disputar mais uma vez a segunda divisão do Campeonato Brasileiro era evidente. Prova disso foram as entrevistas de Mano Menezes, que cada vez deixava mais claro que o foco era sair daquela situação, tentando não deixar todo a pressão cair em cima do elenco. Enquanto isso, os concorrentes da parte de baixo da tabela reagiam, tornando o problema ainda maior.

Se o Corinthians teve problemas nos jogos em Itaquera, foi longe de casa que a reação do time começou. Fora, conseguiu os resultados mais improváveis: venceu, o Cuiabá, o Grêmio e o Vasco, e conseguiu pontos importantes que distanciaram o time do z4.

Isso se deve, em grande parte, a uma “carta na manga” que o treinador usou: o atacante Angle Romero, que depois da chegada do Mano, ganhou espaço, virou titular, e foi responsável direto pela reação do time, já que os gols de sete dos dez pontos conquistados nas últimas rodadas saíram dos seus pés.

A confirmação da continuidade na Séria A só aconteceu nas últimas rodadas, apesar da derrota para o Inter, porque Cruzeiro, Bahia e Vasco já não poderiam mais ultrapassar o alvinegro na tabela.

 

 

 

Foto de Jade Gimenez

Jade Gimenez

Jornalista, fascinada por esporte desde a infância e transformou a paixão em profissão. Além do futebol, se mantem por dentro de outras modalidades desde Fórmula 1 até NFL. Trabalhou como repórter em TV e rádio cobrindo partidas de futebol, futsal e basquete.
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